Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 355 - Jul/Ago 2018

Acção de reforço do Partido: trabalho regular e inadiável

por Revista «O Militante»

Na actual situação internacional e nacional a importância do reforço do Partido revela-se ainda maior para os trabalhadores, o povo, o País, na luta pela causa internacional de emancipação dos trabalhadores.

Esse reforço é aspecto central, não porque o Partido se possa substituir ao papel insubstituível, decisivo e determinante dos trabalhadores e das massas populares no processo de transformação social, mas porque essa luta não pode ter êxito sem um forte partido de vanguarda.

Não há um tempo para a luta de massas, um tempo para a intervenção política e um tempo para o reforço orgânico. Todas estas dimensões se interligam e influenciam reciprocamente. Coexistem na vida e na luta quotidiana.

Este é o tempo em que o PCP intervém para dinamizar a luta de massas, em que contribui para a unidade da classe operária e de todos os trabalhadores, para o fortalecimento da sua organização unitária, como também para a das classes, camadas e sectores sociais antimonopolistas e para a sua convergência numa ampla frente social.

Este é o tempo em que o PCP promove uma intensa intervenção política em estreita ligação com os trabalhadores e o povo. Denunciando injustiças e afirmando soluções. Valorizando, como resultado indesmentível da intervenção e da luta, os avanços na defesa, reposição e conquista de direitos, e agindo para os levar o mais longe possível. Reafirmando a necessidade da ruptura com a política de direita, da concretização de uma política patriótica e de esquerda, do seu programa e projecto de uma democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal, do socialismo e do comunismo.

Este é o tempo para o reforço da organização e da influência do PCP.

O partido de vanguarda para cumprir o seu papel não se isola das massas, não se fecha sobre si próprio, intervém na sociedade e para a transformação da sociedade.

O reforço do Partido não se desliga da intervenção política e da luta de massas e beneficia dessa intervenção e luta. Mas não acontece por geração espontânea, implica atenção, cuidados, medidas, tarefas concretas.

Qualquer ideia de que a luta de massas e a intervenção política só por si determinam o fortalecimento do Partido e da sua organização, desvalorizando, adiando, ou pura e simplesmente não concretizando o trabalho indispensável para garantir o funcionamento e o reforço do Partido, teria consequências profundamente nefastas.

O funcionamento do Partido, com a sua independência de classe face ao capital e a toda a sua estrutura de poder, superando os obstáculos que lhe são continuamente colocados no caminho, implica tarefas concretas.

A solução para os problemas e dificuldades, para os golpes a que um Partido de vanguarda é sujeito no quadro da acção sistemática do capital, implica determinação e tarefas concretas.

O reforço do Partido e da sua influência, vencendo insuficiências e aproveitando as condições para se fortalecer, implica a definição de tarefas e a sua concretização.

Trata-se daquele trabalho essencial a que se referia Álvaro Cunhal no Rumo à Vitória. Depois de salientar que «sem organização não há vitória possível», diz Álvaro Cunhal: «A organização é trabalho concreto e quotidiano. A propaganda da necessidade de organizar só tem valor se é acompanhada de um trabalho de organização efectivo».

O trabalho de reforço do Partido é regular, mas tem momentos e fases em que é ainda mais necessário.

Esta é uma dessas fases. O Comité Central apontou as orientações prioritárias para esse reforço em 2018, na sua Resolução de 20 e 21 de Janeiro. Este é o tempo de as levar à prática.

Foram apontadas dez linhas de orientação prioritárias: o trabalho de direcção, a responsabilização de quadros e a formação política e ideológica; a militância e o novo cartão de membro do Partido; o recrutamento e integração dos novos militantes; a organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho; as organizações locais; o trabalho com camadas e sectores sociais específicos; a propaganda e a difusão da imprensa partidária; os meios próprios e a independência financeira; a realização de assembleias das organizações partidárias; a organização e os princípios de funcionamento, base da força do Partido.

Deste âmbito destacam-se pelo seu impacto geral no reforço do Partido as medidas de direcção, responsabilização de quadros e formação política e ideológica, o reforço da organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho, em particular a acção de 5 mil contactos com trabalhadores para lhes colocar a adesão ao Partido, com o levantamento de nomes, a concretização dos contactos, a integração dos novos militantes e a entrega do novo cartão de membro do Partido, associada ao estímulo e valorização da militância.

E destaca-se também no seu registo próprio a afirmação prática dos princípios de funcionamento do Partido e a importância que têm como base da força do Partido.

Princípios de funcionamento decorrentes do desenvolvimento criativo do centralismo democrático: uma profunda democracia interna, uma única orientação geral, uma única direcção central.

Trata-se não apenas da consideração de princípios que integram a definição da identidade comunista do Partido e com que teoricamente se está de acordo, mas essencialmente da sua aplicação, da sua concretização prática na acção de cada membro do Partido. Assim e só assim têm verdadeiro valor. Assim e só assim definem a opção e os compromissos de cada membro do Partido consigo próprio como membros do PCP e com o colectivo de que fazem parte. Assim e só assim contribuem para assegurar a força e a eficácia da acção do Partido.

Daí a necessidade de combater concepções que confundem responsabilidade e iniciativa individual integradas no trabalho colectivo, com individualismo e sobreposição da opinião individual à orientação e decisão colectiva.

Daí a necessidade de combater concepções que substituem a manifestação de opiniões, a contribuição para a discussão, o apuramento e a decisão colectiva no funcionamento do Partido, pela discussão e apuramento de opinião à margem dos organismos.

Daí a necessidade de combater concepções que promovem práticas que em vez da valorização pública das análises, posições, propostas e projecto do Partido, se dedicam ao ataque às posições do Partido, à sua manipulação, quer no plano dos contactos pessoais, quer das redes sociais ou de outro tipo de comunicações.

São concepções e práticas que traduzem um comportamento desagregador, que enfraquece e debilita a vida democrática, a unidade, a coesão e a força do Partido.

É sempre útil ter presente as palavras de Álvaro Cunhal em O Partido com Paredes de Vidro: «A unidade permite que todas as capacidades, todas as forças, todas as energias e todos os recursos convirjam nas mesmas direcções de actividade e na realização das tarefas».

É assim evidente a importância de alargar as forças do Partido e de assegurar o seu aproveitamento com a capacidade acrescida da acção colectiva e da unidade de que permanentemente é preciso cuidar.

Neste ano em que se assinala o segundo centenário do nascimento de Karl Marx e os 170 anos da publicação do Manifesto do Partido Comunista, quando o ideal e projecto dos comunistas se afirma como grande exigência da actualidade e do futuro face ao capitalismo, às suas contradições, à sua crise estrutural e à sua natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora, o reforço do Partido é essencial.

No tempo em que vivemos pode a acção de reforço do Partido ficar para trás? Não, não pode! A acção de reforço do Partido é uma prioridade efectiva é um trabalho regular e inadiável.