Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 359 - Mar/Abr 2019

Para avançar, dar mais força ao PCP e à CDU!

por Revista «O Militante»

O Encontro Nacional do PCP realizado em 2 de Fevereiro em Matosinhos, pela sua dimensão, análises e orientações, e pelo entusiasmo e confiança manifestados, constituiu um forte impulso para a intervenção partidária. Um Encontro que, incidindo sobre a acção geral do Partido, se debruçou particularmente sobre as eleições que terão lugar ao longo do ano e as exigentes tarefas que se colocam aos comunistas, em aliança com os seus companheiros da CDU. Eleições que se inserem na luta para avançar e não recuar no caminho de reposição de direitos e rendimentos que a derrota dos ambiciosos projectos da coligação PSD/CDS tornou possível, para a necessária ruptura com a política de direita e a submissão às imposições da União Europeia, para abrir caminho à alternativa patriótica e de esquerda sem a qual não será possível solucionar os graves problemas do país e assegurar um Portugal com futuro. Eleições que exigem o reforço da CDU e a realização de grandes campanhas políticas de massas, «privilegiando a mobilização e o esclarecimento dos trabalhadores e das populações, apresentando propostas e soluções para os problemas do país» e mostrando que o voto na CDU é «o voto determinante no presente e no futuro para os trabalhadores, para o povo e para o país, é o voto que perdura para dar voz aos seus direitos e aspirações e dar força à luta por uma vida melhor», como se afirma na Resolução do Encontro aprovada por unanimidade.

As eleições têm lugar num contexto político contraditório, em que, por um lado, pesam positivamente as melhorias alcançadas nas condições de vida dos portugueses com visível influência na economia e, por outro, o carácter limitado de tais melhorias em comparação com as aspirações dos trabalhadores e as necessidades do país, defraudando justas e urgentes reivindicações que estão a expressar-se na multiplicação de lutas em numerosas empresas e sectores profissionais, e confirmando a exigência de uma alternativa política que afronte os interesses do grande capital e as imposições imperialistas. O descaramento com que PSD e CDS estão a tentar branquear as violentas políticas anti-populares do seu governo tem de ser energicamente combatido. Como combatido deve ser o propósito de fazer esquecer que os avanços alcançados são mérito da luta de massas e da iniciativa do PCP e não do PS, pois não só não constavam do seu programa como a eles resistiu o mais que pôde. As tentativas de enfeitar o PS com o que de positivo foi alcançado com a nova solução política e de atribuir ao PCP responsabilidades naquilo que é insuficiente ou negativo, apagando as suas propostas, torna particularmente necessário o trabalho de esclarecimento dos comunistas, exigindo que a divulgação dos materiais de informação e propaganda do Partido seja acompanhada de uma ampla acção de diálogo com os trabalhadores.

E não se trata apenas de contrariar o silenciamento pela comunicação social dominante das suas iniciativas e da alternativa que o PCP propõe ao povo português. Não se trata apenas de valorizar o património de análises e argumentos da Conferência «Alternativa Patriótica e de Esquerda. Por um Portugal com futuro» disponíveis no livro recentemente publicado pelas Edições «Avante!». Trata-se também de dar firme combate à campanha de mentiras e calúnias anticomunistas com que se pretende enlamear o PCP e demolir a sua imagem de um partido diferente, que vive para servir os trabalhadores e o povo e não para se servir, que diz o que pensa e faz o que diz, que defende e pratica elevados princípios éticos. A superioridade moral dos comunistas e a coerência da sua intervenção revolucionária sempre incomodaram sobremaneira a classe dominante. O texto do camarada Álvaro Cunhal «A Superioridade Moral dos Comunistas» corresponde a uma prática nos antípodas da burguesia exploradora. Entretanto, a violência e podridão da actual campanha anti-comunista tem bem próximos e concretos motivos políticos: os partidos da direita não perdoam o papel determinante do PCP na interrupção da sua acção governamental destruidora, nem a sua acção determinante na luta contra a exploração capitalista em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo, nem a sua posição de princípio, internacionalista, de solidariedade com os povos que lutam contra as ingerências e agressões do imperialismo, como no caso da Venezuela Bolivariana.

Se alguém pensa poder intimidar o PCP está redondamente enganado. Claro que não deixamos passar em silêncio as alarvidades despejadas contra o Partido, mas bem sabemos que a melhor resposta ao «ladrar dos cães» é seguir em frente, é afirmar o Partido e reforçar a sua organização, é divulgar com convicção as suas propostas para o país é – ao mesmo tempo que damos particular atenção às batalhas eleitorais como damos neste número de O Militante com a entrevista com os deputados do PCP no Parlamento Europeu – agir para o desenvolvimento da luta de massas, nas empresas e na rua. As importantes lutas que têm tido lugar desde o início do ano – de que são importante expressão a Greve da Administração Pública de 15 de Fevereiro e a Manifestação dos Professores de 23 de Fevereiro – mostram que é possível uma grande Manifestação Nacional de Mulheres em 9 de Março, assim como fazer das comemorações do Dia da Juventude, em 28 de Março, uma grande jornada de luta das jovens gerações pelos seus direitos. No horizonte estão as celebrações do 45.º aniversário da Revolução de Abril e do 1.º de Maio, exigindo desde já uma atenta preparação.

Impossível prever qual será a situação na Venezuela quando este número de O Militante chegar às mãos dos seus leitores. A ofensiva golpista atingiu expressões de extraordinária gravidade. Para além do criminoso garrote económico e financeiro com que procura esfomear o povo na esperança de o afastar do poder bolivariano, o imperialismo norte-americano ameaça com uma intervenção militar na Venezuela e constrói cenários que lhe dêem pretexto para isso. Não pode descartar-se que as provocações que estão em marcha, a começar pela hipócrita «ajuda humanitária» a partir da Colômbia ou do Brasil, não acabem por ter desenvolvimentos trágicos. Em qualquer caso o artigo que se publica sobre a Venezuela fornece um conjunto de elementos de informação que desmascaram uma operação subversiva construída de todas as peças em Washington e fornece argumentos para romper a densíssima cortina de mentiras que acompanha a operação golpista.

Sobre a Venezuela Bolivariana pairam nuvens muito negras. Na sequência de sucessivos golpes e viragens reaccionárias, das Honduras ao Brasil, passando pelo Paraguai, o Chile e a Argentina, o imperialismo considera que chegou finalmente a vez da Venezuela e joga tudo para derrubar o legítimo governo de Nicolás Maduro. Mas, embora arrastando atrás de si a reacção latino-americana e os principais dirigentes do bloco imperialista europeu, com Portugal atrelado numa vergonhosa posição de subserviência, o certo é que o imperialismo norte-americano não tem as mãos livres. A Venezuela resiste e conta com a solidariedade de todo o campo progressista e anti-imperialista.

Numa situação internacional em que os sectores mais reaccionários e agressivos do imperialismo jogam cada vez mais no fascismo e na guerra como «saída» para o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, a unidade de todas as forças anti-fascistas e anti-imperialistas e o reforço da solidariedade internacionalista é uma exigência imperiosa. Os comunistas portugueses farão tudo o que estiver ao seu alcance para frustrar os sinistros planos do imperialismo e da reacção para derrotar o processo bolivariano.