Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 360 - Mai/Jun 2019

Do 1.º de Maio às Eleições para o PE

por Revista «O Militante»

Depois das celebrações do 25 de Abril e do 1.º de Maio, a campanha para as eleições de 26 de Maio para o Parlamento Europeu constitui a mais importante tarefa imediata. É necessário que, na sequência do vasto conjunto de iniciativas já realizadas por todo o país para dar a conhecer o Programa Eleitoral e a Lista encabeçada pelo camarada João Ferreira, a campanha da CDU seja uma grande campanha politica de massas, assente no contacto directo com o maior número possível de portugueses. Uma campanha em que, como é natural, os nossos candidatos estarão na primeira linha, mas que tem de mobilizar nas acções de propaganda e no diálogo vivo com os trabalhadores e as populações a generalidade dos membros do Partido. Uma campanha convicta da justeza das distintivas posições do PCP, do PEV e da ID na defesa dos interesses de Portugal e dos portugueses frente à União Europeia do grande capital e das grandes potências, em contraste com as políticas de alinhamento e subserviência do PS, PSD e CDS, responsáveis pelo atraso e dependência do país que, embora procurando disfarçá-lo, estão de acordo nas questões essenciais. Uma campanha que, frente ao domínio dos principais meios de comunicação social pelos grandes grupos económicos, apenas pode contar com a capacidade de persuasão da verdade e frontalidade dos seus argumentos, a força da sua organização e a comprovada dedicação e superioridade do trabalho realizado pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu ao serviço dos trabalhadores e do povo português. Uma campanha cujos frutos não se esgotam nos resultados específicos destas eleições, antes se projectam para diante em direcção às eleições de 6 de Outubro para a Assembleia da República. Uma campanha que, apoiada nos factos, mostre que o PCP foi o único partido que desde o primeiro momento alertou para as graves consequências da participação de Portugal no processo de integração capitalista europeu e se bateu incansavelmente em defesa da soberania nacional. Uma campanha que responde à palavra de ordem «Avançar é preciso! Andar para trás não!» e se inscreve na luta pela ruptura com a política de direita e com as imposições da União Europeia e pela alternativa patriótica e de esquerda preconizada pelo PCP.

O Parlamento Europeu é um terreno de luta que a participação de Portugal na UE nos impôs, mas não deve subestimar-se a importância de eleger deputados que aí defendam os interesses nacionais e que, em aliança com os deputados progressistas dos outros países, aí afrontem a estratégia exploradora e agressiva do grande capital e das grandes potências. Ao mesmo tempo, os comunistas concebem a sua intervenção nesta batalha eleitoral como meio de levar o mais longe possível a divulgação da política alternativa proposta pelo PCP, estreitar a ligação com as massas, fortalecer organicamente o Partido.

As tarefas de construção e reforço do Partido devem estar presentes em todos os momento da nossa luta e se é verdade que a campanha eleitoral que concebemos exige uma grande tensão de esforços, não é menos verdade que sendo, como desejamos, uma campanha política de massas, ela permite contactar e conhecer muitos trabalhadores e convencê-los de que um PCP mais forte é factor decisivo para avançar na defesa dos seus interesses e aspirações mais sentidas. Analisando o trabalho desenvolvido para o reforço do Partido nas suas diferentes dimensões (designadamente a responsabilização de quadros, a realização de assembleias de organização, a entrega do cartão de membro do Partido, a organização nas empresas e locais de trabalho), o Comité Central na sua reunião de 8 de Abril salientou particularmente os resultados alcançados pela acção dos 5000 contactos com trabalhadores no activo. Os 3100 trabalhadores já contactados e as mais de 900 adesões registadas, já permitiram fortalecer numerosas células do Partido e mesmo criá-las onde não existiam, confirmando as grandes potencialidades de alargamento do colectivo militante. Esta é uma linha de trabalho cuja dinâmica é necessário não interromper, antes se deve intensificar.

As campanhas eleitorais, agora para o Parlamento Europeu e mais adiante para a Assembleia da República, requerem muita atenção e absorvem muitas energias, mas as tarefas de organização nunca podem ficar para trás. Isto é verdade em todas as situações, mas é-o particularmente quando o Partido é alvo de sórdidas campanhas de mentiras e calúnias como as que ultimamente têm sido orquestradas, com particular destaque para a TVI e para a SIC-Expresso. Ao grande capital e seus serventuários já não basta o silenciamento e a discriminação na comunicação social da actividade e das propostas do PCP e a atribuição a outros de avanços que foram durante anos e anos solitárias batalhas do Partido, como no caso do passe social intermodal. É preciso tentar mostrar que o PCP afinal não só é «igual aos outros», como é um partido onde campeia a intolerância e a perseguição, com uma direcção e uma linha política contestada. Uma campanha que visa sujar a imagem do Partido e apagar a sua intensa iniciativa e actividade política e ao mesmo tempo minar a unidade, a coesão e a dinâmica partidária. Claro que tal campanha não é surpreendente, ela é uma reacção ao papel que o Partido desempenha no combate à exploração e opressão capitalista e na evolução da presente situação nacional. Não a subestimamos. Mas não nos intimida nem nos desvia do caminho traçado. E se há algo que a dinâmica partidária e, em particular, as numerosas iniciativas comemorativas do 98.º aniversário do Partido mostram, é o ambiente de fraternidade, coesão e confiança que caracteriza o nosso grande colectivo partidário.

Durante os meses de Março e Abril continuou em desenvolvimento uma vasta e diversificada frente de luta por direitos e salários, contra a desregulação dos horários e a precariedade, envolvendo numerosos sectores industriais, de serviços e da administração pública. Pela sua expressão de massas e significado político são de destacar, particularmente neste período, a Manifestação Nacional de Mulheres convocada pelo MDM em 9 de Março, a Manifestação Nacional da Juventude Trabalhadora a 28 de Março, promovida pela CGTP-IN, as manifestações dos Professores e da Função Pública e, sobretudo, a 11 de Abril, a concentração nacional convocada pela CGTP-IN pela revogação das normas gravosas do Código do Trabalho e contra as propostas do Governo de alteração da legislação laboral, tudo anunciando um grande 25 de Abril e um grande 1.º de Maio. A reunião do Comité Central sublinhou o papel estratégico e determinante da luta de massas e a necessidade de conjugar a dinâmica eleitoral com o prosseguimento da luta dos trabalhadores e das populações, das diferentes classes e camadas antimonopolistas. Esta é, aliás, a melhor maneira de forçar a que os verdadeiros problemas do país não fiquem praticamente à margem do debate eleitoral, submersos por polémicas criadas justamente para desviar a opinião pública das questões essenciais, e ocultar a coincidência de fundo do PS, PSD e CDS nas políticas estruturantes para o desenvolvimento do país e, em particular, a sua sujeição aos ditames da UE.

A partir deste número o preço de O Militante passa de 1,70 para 2,50 euros. A razão é evidente. Há muitos anos que o preço não era alterado e tornou-se injustificadamente baixo tanto em função de custos de produção que não cessaram de aumentar como em comparação com revistas similares. Estamos certos de que os leitores de O Militante compreenderão esta alteração e a todos se apela para que se empenhem, se possível ainda mais, na sua difusão.

Tendo em vista esse objectivo de garantir mais leitores, a todos os novos assinantes de O Militante será oferecido durante os próximos três meses, um exemplar do livro Alternativa Patriótica e de Esquerda Por um Portugal com Futuro, um documento que fornece uma rica informação sobre os conteúdos da política patriótica e de esquerda que o PCP propõe para elevar as condições de vida dos trabalhadores e do povo português e dar resposta aos problemas nacionais.