Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição 'Nº 361 - Jul/Ago 2019'

Rumo à próxima grande batalha eleitoral

por Revista «O Militante»

Saímos de uma batalha eleitoral e já estamos empenhados noutra. E se as eleições para o Parlamento Europeu eram importantes, as eleições de 6 de Outubro para a Assembleia da República são-no muito mais pois os seus resultados podem influenciar decisivamente a evolução da situação política do nosso país. Isso significa que, aprofundando as experiências positivas da campanha para o PE, o Partido tem de empenhar-se a fundo numa grande campanha política de massas, confiante na justeza das suas propostas, mas consciente de que, no quadro da CDU, só pode contar com as suas próprias forças, a sua organização, a dedicação dos seus militantes, o apoio dos muitos milhares de amigos e simpatizantes que reconhecem o papel insubstituível do PCP na sociedade portuguesa. Consciente de que, como se verificou em Maio, vai encontrar pela frente a barreira de um tratamento hostil na comunicação social, que silencia, deturpa e minimiza o papel da CDU e que volta a agitar o esfrangalhado espantalho do «declínio irreversível» do PCP para desencorajar o voto na única força que verdadeiramente faz frente à política de direita e à submissão ao imperialismo. O resultado das eleições de Outubro terá de ser construído a pulso, voto a voto, a partir de cada organização e de cada membro do Partido. Com a certeza de que, quanto mais força os trabalhadores e o povo português derem à CDU maior é a possibilidade de consolidar e alcançar novos avanços, derrotar recorrentes projectos de retrocesso democrático e social e abrir caminho à alternativa patriótica e de esquerda que o país reclama.

Habituada a medir a força e a solidez de um partido pelos seus resultados eleitorais, e ignorando (ou fingindo ignorar) que no caso do PCP, pela sua própria natureza, a sua expressão eleitoral nunca correspondeu à sua real influência social e política, a generalidade dos comentadores de serviço perguntam se o PCP não está «arrependido» da decisão que tomou na sequência dos resultados das eleições legislativas de 5 de Outubro de 2015 em relação ao governo minoritário do PS, considerando que teria sido o PS, e não o PCP e o PEV, a colher os frutos eleitorais, nas eleições «europeias» como já antes nas municipais.

A nossa resposta a esta questão é muito clara.

O PCP nunca teve dúvidas quanto ao carácter limitado da posição conjunta que subscreveu com o PS. Distinguimos sempre dois planos fundamentais, interligados mas distintos. Um, afastar a coligação PSD/CDS do governo, pondo termo à sua criminosa política de empobrecimento do povo e do país, e encetar um caminho de reposição e conquista de direitos e rendimentos. Outro, a solução dos problemas de fundo resultantes do processo de destruição das conquistas de Abril, exigindo a ruptura com décadas de política de direita e de sujeição ao processo de integração capitalista europeu.

O PCP sempre apoiou e apoiará tudo aquilo que seja favorável aos trabalhadores e ao povo e combaterá tudo quanto prejudique os seus interesses. O compromisso do PCP sempre foi, é e será com os trabalhadores e não com o PS, que não reconhece como partido de «esquerda»; se com o seu governo minoritário foram adoptadas medidas positivas que não constavam do seu Programa foi porque a isso se viu obrigado. O que mudou não foi o PS, foram as circunstâncias resultantes dos resultados das eleições legislativas de 2015 no quadro do desenvolvimento da luta popular de massas e da certeira iniciativa e intervenção do Partido.

A «posição conjunta» do PCP com o PS e a acção desenvolvida pelo Partido para ir o mais longe possível na reposição e conquista de direitos e rendimentos pode não ter tido a correspondência eleitoral que o PCP e os seus aliados da CDU mereciam e isso não pode alegrar nenhum comunista. Mas a prática comprovou que esse foi o caminho certo que suscitou grande apoio popular, traduziu-se na melhoria das condições de vida do povo e promoveu o desenvolvimento da economia do país. E isso tem um valor de princípio que nenhum resultado eleitoral pode anular.

Sim, valor de princípio. O PCP é um partido realmente diferente, de uma só cara e de uma só palavra, que, como sempre afirmou, prefere perder votos assumindo frontalmente o seu programa e dizendo a verdade do que ganhá-los mentindo, tergiversando a sua linha política, ou esquecendo em nome do resultado imediato o seu projecto de uma sociedade socialista e comunista. Se a CDU não recebeu nas recentes eleições o justo reconhecimento e outros partidos capitalizaram o que não lhes competia, isso nem põe em causa a grande campanha realizada, nem afecta a nossa determinação na luta, nem a nossa confiança na possibilidade de alcançar um bom resultado nas eleições de 6 de Outubro.

É com esta determinação e confiança que vamos fazer da campanha eleitoral uma grande campanha política de massas, levando ainda mais longe as experiências positivas da campanha para o PE, alargando os apoios individuais e colectivos à CDU, promovendo o maior número possível de acções de esclarecimento, indo ao contacto directo e ao diálogo efectivo com as pessoas. Não basta entregar propaganda eleitoral, é necessário provocar a conversa, único meio de esclarecer dúvidas, combater preconceitos, desmontar as linhas de deturpação e menorização do PCP e da CDU na comunicação social e nas redes sociais, mostrar que o PCP é um partido diferente em que vale a pena confiar.

Entretanto, a concentração de atenção e energias na frente eleitoral não pode distrair-nos em relação às importantíssimas batalhas sociais e políticas que aí estão a exigir a nossa intervenção e empenho, batalhas que são de grande importância para o próprio esclarecimento do eleitorado quanto às posições dos diferentes partidos em relação a questões que afectam profundamente as condições de vida dos trabalhadores portugueses, como no caso da legislação laboral e de outras matérias em consideração na Assembleia da República. Empenho que se estende às lutas que se desenvolvem um pouco por toda a parte no sector público e privado em defesa de direitos laborais, contra o trabalho precário e sem direitos e por aumento de salários, às reivindicações no plano dos transportes e da habitação, à luta em defesa do Sistema Nacional de Saúde e demais serviços públicos duramente afectados por falta do indispensável investimento. Particular importância assume na actualidade a luta por aumento geral de salários e em particular por um Salário Mínimo de 850 euros.

Quanto ao reforço do Partido, essa é uma tarefa que não pode nunca conhecer pausas e interrupções, como se sublinha no artigo sobre Organização do Partido. O desenvolvimento da luta de massas e a campanha eleitoral vão necessariamente revelar muitos homens, mulheres e jovens capazes de vir ampliar e renovar as fileiras do Partido, e é nos momentos em que, como agora, a luta de classes se agudiza que se revelam os militantes mais promissores.

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Estamos perante tarefas muito exigentes. O próprio período de férias que aí vem obriga a um judicioso planeamento da actividade e da distribuição dos quadros em que a preparação e realização da Festa do Avante!, que será o grande arranque da campanha eleitoral, assume particular importância. Para isso contamos com as análises e orientações da reunião do Comité Central de 28 de Maio, que devem ser discutidas em todas as reuniões, combinando a exigência de tomar decisões práticas imediatas que mobilizem todo o Partido com o debate franco e fraternal de opiniões e o esclarecimento de todas as dúvidas e interrogações. É esse o estilo de trabalho que une e mobiliza o nosso grande colectivo partidário.