Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Revolução de Outubro, Edição Nº 28 - Out 1977

O 60.° aniversário da Revolução de Outubro

por Revista «O Militante»

Pelo quarto aniversário da Revolução de Outubro, dizia Lénine, o seu condutor genial: «Quanto mais nos distanciamos desta grande jornada, com maior clareza verificamos o significado da Revolução proletária na Rússia.»

À distância de 60 anos, estas palavras têm um peso sempre maior e uma sempre maior actualidade.

É hoje perfeitamente evidente, até para os seus detractores e para os que a combatem, que a grande Revolução Socialista de Outubro representa de facto um marco sem paralelo na História da Humanidade.

Com ela e a partir dela, se iniciou a era das revoluções socialistas, da construção do socialismo, da construção do socialismo, do fim da luta de classes, do fim da exploração do homem pelo homem. Com ela e a partir dela, adquiriu gigantesca aceleração o movimento de libertação nacional dos povos oprimidos pelo imperialismo e pelo colonialismo. Com ela e a partir dela, tiveram origem ou se transformaram conceitos sobre questões essenciais para a vida dos povos, como o do papel de vanguarda da classe operária na História contemporânea, o da democracia socialista real em oposição à mentirosa democracia formal do sistema capitalista, o da coexistência pacífica entre sistemas sociais opostos, o da activa e vitoriosa defesa da Paz contra a tendência natural do imperialismo para o desencadear de guerras de rapina ou de tremendas hecatombes mundiais.

Graças à Revolução de Outubro e à União Soviética por ela criada, ao seu exemplo, à sua ajuda material, moral e política, se desenvolveram prodigiosamente as três grandes forças que são hoje, 60 anos decorridos, determinantes do processo histórico do nosso planeta: o sistema socialista, o movimento operário internacional e o movimento de libertação nacional dos povos oprimidos.

A Revolução de Outubro transformou a velha Rússia atrasada na grande União Soviética da actualidade.

A miséria, a ignorância, a opressão, foram rapidamente liquidadas. As espantosas destruições e os imensos sacrifícios provocados pela I Guerra mundial, pela guerra civil, pelas intervenções militares estrangeiras, pelo cerco capitalista, pela II Guerra mundial - que reduziram de muito e tornaram extremamente mais difícil o período de construção pacífica destas seis décadas revolucionárias - foram superados de tal maneira que a União Soviética dos dias de hoje é a mais progressiva, a mais desenvolvida, a mais culta e, em âmbitos sempre crescentes, a mais poderosa nação do mundo.

O povo soviético fez assim, pela primeira vez, a demonstração prática da infinita superioridade do sistema socialista sobre o sistema capitalista decadente e moribundo.

Ao contrário do agravamento constante da crise geral da sociedade burguesa, com todas as suas consequências negativas e por vezes catastróficas para a vida dos trabalhadores, crescem indefinidamente na URSS o bem-estar e a satisfação das necessidades materiais e espirituais do povo, lei essencial da sociedade socialista; o aproveitamento da técnica, da ciência e da cultura; a participação de todo o povo na gestão social e política da nação, numa inequívoca demonstração do carácter mil vezes mais democrático do socialismo relativamente ao regime do capital; a ajuda desinteressada e fraterna aos povos em luta pelo progresso económico e social e pela libertação política, dentro do espírito do internacionalismo proletário; os êxitos da política de coexistência pacífica, em apoio daquela luta e em defesa da Paz mundial.

A nova Constituição soviética, agora aprovada, vem reflectir de forma actualizada esta sociedade de socialismo desenvolvido, que constrói as bases técnico-materiais do comunismo, o velho sonho milenar dos que trabalham

.A Grande Revolução Socialista de Outubro exerceu uma influência profunda no movimento operário em Portugal.

O Partido Comunista Português é formado logo em 1921, guiado pelo marxismo- -leninismo e pelos princípios do centralismo democrático.

No decorrer do negro meio século de fascismo, sempre os exemplos do povo soviético e do Partido Comunista da União Soviética foram de inestimável valor para o povo português, para a classe operária, para os comunistas, como o foram a sua ajuda, a sua constante denúncia internacional da ditadura de Salazar e Caetano, a sua contribuição para o isolamento daquela, o seu apoio à justa luta dos povos africanos contra o colonialismo português e nas guerras de libertação nacional.

O 25 de Abril e a vitória da democracia permitiram o desenvolvimento progressivo das relações de amizade entre ambos os povos, não obstante todas as calúnias e entraves levantados pela reacção e pela direita, assim como, em vários aspectos, pelo Partido Socialista e pelo seu governo. No entanto, e embora não levadas ainda ao ponto que seja possível e desejável, são inegáveis os progressos realizados em vários campos de cooperação: económico, comercial, técnico, cultural, diplomático, etc., dentro dos princípios da não ingerência interna e do respeito dos interesses de ambas as partes.

Por outro lado, é evidente que a União Soviética segue com atenção e com espírito solidário e fraterno os êxitos e as dificuldades da revolução portuguesa. São conhecidas a sua denúncia e a sua luta contra as interferências do imperialismo e da social-democracia europeia nos assuntos de Portugal. E o povo português compreende que só a nova correlação de forças no campo internacional a favor do socialismo e da paz, só a existência da União Soviética e do campo dos países socialistas, assim como a ajuda do movimento operário internacional e a solidariedade dos outros povos, tornou e torna possível que as agressões imperialistas não tenham tomado até agora formas mais violentas no nosso país, contra as conquistas populares e pelo regresso ao passado ditatorial que aquele sempre apoiou e desejaria ver restaurado.

Assim, por múltiplas razões, algumas das quais bem actuais, os comunistas, a classe operária, os trabalhadores, todos os democratas portugueses, todos os homens e mulheres progressistas, irão sem dúvida comemorar sentida e condignamente o 60.° aniversário da Revolução de Outubro.

Conforme se diz no Comunicado da Comissão Política, «os trabalhadores portugueses, todos os homens e mulheres progressistas, exprimirão seguramente a sua fidelidade à causa imortal da libertação dos trabalhadores, da paz e do progresso social e manifestarão a sua firme vontade de tudo fazerem para que também na nossa Pátria, de acordo com a especificidade das condições nacionais se realizem os grandes objectivos essenciais da Revolução de Outubro...»