«O Militante» assinala nesta edição os cinquenta anos das grandes jornadas do 1.º de Maio de 1962, acontecimento que marca a entrada da luta do povo português numa nova fase pelo derrube do fascismo. Trata-se de um marco histórico excepcionalmente rico de experiências e ensinamentos que é necessário conhecer e divulgar, para cimentar a convicção de que, sejam quais forem as dificuldades, a luta de massas é realmente o caminho da vitória. Valorizar outros importantes episódios históricos é também o objectivo de três outros artigos – sobre a vitória do proletariado rural dos campos do Sul na luta pelas 8 horas, sobre o 1.º de Maio de 1982 no Porto e sobre a luta pelas 40 horas semanais dos trabalhadores têxteis do Vale do Ave – da autoria de camaradas que tiveram participação destacada nas respectivas lutas. Valiosos pelos testemunhos vivos que contêm, eles devem ser lidos e apreciados sobretudo pelas experiências e inspiração que comportam para o presente da nossa luta. E particularmente pelo que nos dizem quanto à importância do conhecimento da História para derrotar o conformismo e incutir nas massas populares confiança na força poderosa da sua luta organizada.
Portugal tem já um longa história como país soberano, mas continua a apresentar resultados fracos quanto aos vários indicadores habitualmente usados para medir o grau de desenvolvimento cultural.
Não se trata de fazer deste título uma provocação, mas apenas despertar a atenção para a outra crise gerada pelo capitalismo, a crise alimentar – uma variante da crise geral económico-financeira. Não pretendo com isto dizer que as prateleiras estarão vazias nos próximos seis meses, mas caminhamos nesse sentido, a fome já está no nosso país não ainda por falta de comida mas por falta de dinheiro para a comprar. Mesmo com o mito dos preços baixos, a comida será cada vez mais objecto de especulação e de difícil acesso para a maior parte das pessoas. A fome amanhã tem a ver com a natureza predadora do capitalismo e com o rumo que está a imprimir à agro-produção, em que os Estados se demitem da sua função reguladora e deixam nas mãos invisíveis do «mercado» esta necessidade básica que é a alimentação.
Há 30 anos, na véspera do 1.º de Maio de luta da CGTP-IN, o Porto e os seus trabalhadores, a liberdade e a democracia foram vítimas de um plano de ataque de matriz fascista que muitos então não imaginariam possível acontecer no Portugal de Abril.
Já passaram cinco décadas desde 1962. As gerações com menos de 55 anos não conhecem o desenvolvimento do processo desta luta histórica, nem as duras condições de trabalho e de vida do operariado agrícola do Sul.
Comemora-se este ano o 50.º aniversário da mais importante jornada nacional contra o fascismo, aquela em que tiveram lugar as manifestações do 1.º de Maio de 1962.
Uma parte significativa das elites federalistas que hoje, face à realidade, é obrigada a distanciar-se da euforia com que saudou o euro, o Tratado de Lisboa e outras etapas do processo de integração da União Europeia (UE), continua a defender que a solução para a actual crise política, económica e social passa por «mais Europa!». Critica, e com a razão, a chanceler da Alemanha como ditadora pelas suas ameaças e actos contra a soberania dos povos, mas repete as palavras de ordem que conduzem exactamente àquilo que a Alemanha pretende, o reforço do seu poder de intervenção na orientação política dos governos dos outros Estados. «Mais Europa!» significa mais aprofundamento do federalismo, mais hegemonia alemã, mais retrocesso social e ataques à democracia, mais militarismo. Na verdade, a União Europeia, à medida que prossegue o seu aprofundamento, transforma-se cada vez mais numa verdadeira ameaça contra a soberania da maior parte dos Estados-membros e num perigo mortal para as conquistas democráticas e sociais obtidas pela luta dos trabalhadores e dos povos após a derrota do nazi-fascismo.
A juventude, pelas suas características particulares, pela sua combatividade, alegria e pela força transformadora que representa sempre foi alvo dos mais profundos ataques aos seus direitos e tentativas de estrangulamento da sua acção e vida.
Com este contributo procuro lembrar o que foi a luta pela semana de 40 horas de trabalho no Vale do Ave e como a luta dos trabalhadores a partir das empresas, e os acordos aí obtidos, foi fundamental para estoirar as malfeitorias dos governos de direita (PS, PSD e CDS), que mais uma vez empurram o país e os trabalhadores para o abismo.
Passou um ano de aplicação do pacto de agressão, subscrito pelo PS, PSD e CDS-PP e pelo FMI, a UE e o BCE, com o apoio do Presidente da República e ao serviço do grande capital. Um pacto que constitui um instrumento usado nesta fase para aprofundar a política de direita que ao longo dos últimos 36 anos tem fustigado o País. Um pacto que promove o aumento da exploração e das desigualdades sociais, o empobrecimento, o comprometimento da soberania nacional e da democracia. Um pacto que está a empurrar Portugal para o desastre.
No próximo mês de Setembro completam-se 70 anos que Bento Gonçalves, Secretário-Geral do PCP (1929-1942), foi assassinado no Campo de Concentração do Tarrafal, quando tinha terminado, havia já um ano, a pena de seis anos a que fora condenado.