Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 287 - Mar/Abr 2007

Valorizar a vitória, cimentar convicções, prosseguir a luta

por Revista «O Militante»



Uma vitória para a qual os comunistas deram uma vez mais uma contribuição insubstituível pela sua posição pioneira, coerente e persistente na luta pela proteção da função social da maternidade e paternidade de que a despenalização da IVG é parte integrante, e pelo empenho com que se lançaram na acção de esclarecimento, compensando os limitados meios financeiros disponíveis para a campanha com a militância dos seus militantes e amigos e a clareza dos seus argumentos.A expressiva vitória do Sim constitui um incentivo ao desenvolvimento da luta dos trabalhadores e das massas por uma vida melhor. Importa porém impedir que diferenças de sensibilidade e de posição verificadas na votação do referendo sobre a despenalização da IVG sejam exploradas para introduzir factores de perturbação e divisão no movimento popular e travar a luta de massas. E intervir para que sejam reduzidos ao mínimo os factores de diversão que o PS e quantos recusaram a proposta do PCP de despenalizar a IVG na Assembleia da República pretenderam introduzir no quadro político com a realização do referendo. A uma ofensiva, que de modo cada vez mais evidente está ao serviço do grande capital nacional e estrangeiro, é necessário responder com o reforço da unidade dos trabalhadores, com a intensificação da luta nos locais de trabalho e a luta das populações, com a acção articulada de todas as classes e camadas afectadas pelas ruinosas políticas económicas e medidas antisociais do Governo do PS.

  A problemática da União Europeia vai adquirir este ano grande relevo político e mediático. A presidência portuguesa da UE, que ocorrerá a partir de Julho, vai seguramente ser palco de grandes operações de propaganda destinadas a mostrar a inevitabilidade do processo de integração e a sua bondade para Portugal e os portugueses, e a dar do Governo de Sócrates a imagem de eficácia e autoridade em que gosta de embrulhar as suas políticas violentamente antipopulares e de vergonhosa submissão nacional. Temos de preparar-nos para desmontar tais operações, particularmente graves quando tudo se encaminha para que o Governo do PS venha a desempenhar o lamentável papel de moço de recados da presidência alemã da sr.ª Merkel e da ressurreição da dita «constituição europeia» que o grande capital e as grandes potências pretendem impor a todo o custo. Entretanto o 50.º aniversário do Tratado de Roma, que passa no próximo dia 25 de Março, anuncia-se como um momento de luta ideológica particularmente aguda em torno das circunstâncias históricas e reais motivações que levaram à criação da CEE e à verdadeira natureza de bloco imperialista a que deu lugar, e que, com a dita «constituição», se pretende consolidar. Os artigos que sobre este assunto, neste e no próximo número, O Militante publica, procuram contribuir para o esclarecimento desta questão.

 

O 86.º aniversário do PCP será uma vez mais ocasião para a realização de um vasto conjunto de iniciativas políticas, de debate e confraternização, que desempenham um importantíssimo papel no fortalecimento da unidade e coesão interna do nosso grande colectivo partidário e da sua ligação com as massas. São iniciativas em que a militância e o convívio fraternal, a evocação da honrosa trajectória histórica do Partido e as exigentes batalhas do presente, o abraço ao amigo reencontrado e a tarefa imediata e urgente, andam de mãos dadas, reflectindo um estilo e um modo de estar na luta revolucionária muito próprio do PCP e da sua identidade comunista.



É uma tradição que cada ano se renova e enriquece de elementos novos resultantes da evolução da situação nacional e internacional e das tarefas políticas e organizativas do Partido. Neste ano, quando estão a ser violentamente atacados os direitos e as conquistas dos trabalhadores, o regime democrático e a soberania nacional, as questões da luta de massas e do fortalecimento orgânico do Partido não podiam deixar de estar na ordem do dia, sendo necessário trabalhar para levar à prática as decisões das reuniões do Comité Central de 12 e 13 de Janeiro e de 13 de Fevereiro, e em particular aquelas que resultam da Resolução do CC sobre o reforço do Partido em 2007 e que são objecto de um artigo neste número de O Militante.



As iniciativas de aniversário do Partido constituirão uma excelente ocasião para denunciar e desmontar linhas e campanhas de revisão e falsificação da História, em que o branqueamento do fascismo e dos seus mais altos dignatários e o apagamento e denegrimento do papel do PCP na luta libertadora do nosso povo constituem a substância de numerosos artigos de opinião, livros, conferências, programas televisivos. Uma vez mais a pior reacção levanta cabeça paralelamente ao crescimento do anticomunismo. O nosso combate sendo pela verdade histórica, sendo de evocação e valorização de um incomparável património de valores, ideais, dádiva e conquista revolucionária, é simultaneamente um combate em nome dos valores e realizações de Abril e pela própria Liberdade.

Neste contexto, o lançamento do I tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal adquire um especial significado e justifica que O Militante antecipe a divulgação do prefácio à sua edição. A publicação da obra do camarada Álvaro Cunhal, densa e diversificada, profundamente vinculada com a luta dos trabalhadores e do povo português, constituirá uma contribuição maior, dificilmente superável, para o estudo e compreensão de sete décadas de história, não apenas dos comunistas e do movimento operário português, mas do século XX da História de Portugal. Quem verdadeiramente  quiser fazer história sobre este nosso país, e mesmo sobre a Europa e o mundo, sobretudo no que à luta das ideias e ao movimento comunista internacional respeita, não poderá ignorar o magnífico exemplo de análise crítica e criatividade marxista-leninista que a obra de Álvaro Cunhal constitui. Não menos importante é o que tal obra representa para os comunistas portugueses como fonte de conhecimento e inspiração revolucionária. É por isso necessário que ela seja lida e estudada pelos membros do Partido e popularizada entre as massas.



Particularmente importante na batalha das ideias e na luta contra o anticomunismo e a sua expressão oportunista no seio do próprio movimento operário, é a valorização da Revolução de Outubro e do empreendimento de uma nova sociedade liberta da exploração do homem pelo homem a que deu lugar. Se mais não houvesse, a simples constatação da sua influência na criação (e depois no desenvolvimento) do PCP, seria suficiente a nossos olhos para aquilatar da sua dimensão histórica universal. Pode dizer-se que o próprio camarada Bento Gonçalves, Secretário-Geral do Partido e o grande pioneiro da sua identidade leninista, é em grande medida produto da Revolução de Outubro. No 105.º aniversário do seu nascimento, O Militante presta homenagem à sua extraordinária figura de operário e comunista exemplar.







O Militante

Acção de Promoção




A valorização de O Militante na actividade geral do Partido é necessária para o reforço do PCP. Durante o mês de Maio decorrerá uma acção de promoção em que os leitores de O Militante devem ter um papel particularmente activo. O conteúdo e as medidas para aumentar a difusão de O Militante devem ser discutidos em todo o colectivo partidário.