Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 287 - Mar/Abr 2007

Valorizar a vitória, cimentar convicções, prosseguir a luta

por Revista «O Militante»

A vitória do Sim no referendo de 11 de Fevereiro sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) deve ser celebrada como uma importante vitória democrática. Uma vitória tanto mais significativa quanto alcançada enfrentando uma feroz campanha manipulatória, em que as forças mais reacionárias da sociedade portuguesa, dispondo de forte influência nos média, não hesitaram em recorrer aos argumentos mais obscurantistas e retrógrados, ao mesmo tempo que exploravam sem escrúpulos as políticas antisociais de sucessivos governos para levar a água ao moinho do Não.

Uma vitória para a qual os comunistas deram uma vez mais uma contribuição insubstituível pela sua posição pioneira, coerente e persistente na luta pela proteção da função social da maternidade e paternidade de que a despenalização da IVG é parte integrante, e pelo empenho com que se lançaram na acção de esclarecimento, compensando os limitados meios financeiros disponíveis para a campanha com a militância dos seus militantes e amigos e a clareza dos seus argumentos.A expressiva vitória do Sim constitui um incentivo ao desenvolvimento da luta dos trabalhadores e das massas por uma vida melhor. Importa porém impedir que diferenças de sensibilidade e de posição verificadas na votação do referendo sobre a despenalização da IVG sejam exploradas para introduzir factores de perturbação e divisão no movimento popular e travar a luta de massas. E intervir para que sejam reduzidos ao mínimo os factores de diversão que o PS e quantos recusaram a proposta do PCP de despenalizar a IVG na Assembleia da República pretenderam introduzir no quadro político com a realização do referendo. A uma ofensiva, que de modo cada vez mais evidente está ao serviço do grande capital nacional e estrangeiro, é necessário responder com o reforço da unidade dos trabalhadores, com a intensificação da luta nos locais de trabalho e a luta das populações, com a acção articulada de todas as classes e camadas afectadas pelas ruinosas políticas económicas e medidas antisociais do Governo do PS.

  A problemática da União Europeia vai adquirir este ano grande relevo político e mediático. A presidência portuguesa da UE, que ocorrerá a partir de Julho, vai seguramente ser palco de grandes operações de propaganda destinadas a mostrar a inevitabilidade do processo de integração e a sua bondade para Portugal e os portugueses, e a dar do Governo de Sócrates a imagem de eficácia e autoridade em que gosta de embrulhar as suas políticas violentamente antipopulares e de vergonhosa submissão nacional. Temos de preparar-nos para desmontar tais operações, particularmente graves quando tudo se encaminha para que o Governo do PS venha a desempenhar o lamentável papel de moço de recados da presidência alemã da sr.ª Merkel e da ressurreição da dita «constituição europeia» que o grande capital e as grandes potências pretendem impor a todo o custo. Entretanto o 50.º aniversário do Tratado de Roma, que passa no próximo dia 25 de Março, anuncia-se como um momento de luta ideológica particularmente aguda em torno das circunstâncias históricas e reais motivações que levaram à criação da CEE e à verdadeira natureza de bloco imperialista a que deu lugar, e que, com a dita «constituição», se pretende consolidar. Os artigos que sobre este assunto, neste e no próximo número, O Militante publica, procuram contribuir para o esclarecimento desta questão.

 

O 86.º aniversário do PCP será uma vez mais ocasião para a realização de um vasto conjunto de iniciativas políticas, de debate e confraternização, que desempenham um importantíssimo papel no fortalecimento da unidade e coesão interna do nosso grande colectivo partidário e da sua ligação com as massas. São iniciativas em que a militância e o convívio fraternal, a evocação da honrosa trajectória histórica do Partido e as exigentes batalhas do presente, o abraço ao amigo reencontrado e a tarefa imediata e urgente, andam de mãos dadas, reflectindo um estilo e um modo de estar na luta revolucionária muito próprio do PCP e da sua identidade comunista.



É uma tradição que cada ano se renova e enriquece de elementos novos resultantes da evolução da situação nacional e internacional e das tarefas políticas e organizativas do Partido. Neste ano, quando estão a ser violentamente atacados os direitos e as conquistas dos trabalhadores, o regime democrático e a soberania nacional, as questões da luta de massas e do fortalecimento orgânico do Partido não podiam deixar de estar na ordem do dia, sendo necessário trabalhar para levar à prática as decisões das reuniões do Comité Central de 12 e 13 de Janeiro e de 13 de Fevereiro, e em particular aquelas que resultam da Resolução do CC sobre o reforço do Partido em 2007 e que são objecto de um artigo neste número de O Militante.



As iniciativas de aniversário do Partido constituirão uma excelente ocasião para denunciar e desmontar linhas e campanhas de revisão e falsificação da História, em que o branqueamento do fascismo e dos seus mais altos dignatários e o apagamento e denegrimento do papel do PCP na luta libertadora do nosso povo constituem a substância de numerosos artigos de opinião, livros, conferências, programas televisivos. Uma vez mais a pior reacção levanta cabeça paralelamente ao crescimento do anticomunismo. O nosso combate sendo pela verdade histórica, sendo de evocação e valorização de um incomparável património de valores, ideais, dádiva e conquista revolucionária, é simultaneamente um combate em nome dos valores e realizações de Abril e pela própria Liberdade.

Neste contexto, o lançamento do I tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal adquire um especial significado e justifica que O Militante antecipe a divulgação do prefácio à sua edição. A publicação da obra do camarada Álvaro Cunhal, densa e diversificada, profundamente vinculada com a luta dos trabalhadores e do povo português, constituirá uma contribuição maior, dificilmente superável, para o estudo e compreensão de sete décadas de história, não apenas dos comunistas e do movimento operário português, mas do século XX da História de Portugal. Quem verdadeiramente  quiser fazer história sobre este nosso país, e mesmo sobre a Europa e o mundo, sobretudo no que à luta das ideias e ao movimento comunista internacional respeita, não poderá ignorar o magnífico exemplo de análise crítica e criatividade marxista-leninista que a obra de Álvaro Cunhal constitui. Não menos importante é o que tal obra representa para os comunistas portugueses como fonte de conhecimento e inspiração revolucionária. É por isso necessário que ela seja lida e estudada pelos membros do Partido e popularizada entre as massas.



Particularmente importante na batalha das ideias e na luta contra o anticomunismo e a sua expressão oportunista no seio do próprio movimento operário, é a valorização da Revolução de Outubro e do empreendimento de uma nova sociedade liberta da exploração do homem pelo homem a que deu lugar. Se mais não houvesse, a simples constatação da sua influência na criação (e depois no desenvolvimento) do PCP, seria suficiente a nossos olhos para aquilatar da sua dimensão histórica universal. Pode dizer-se que o próprio camarada Bento Gonçalves, Secretário-Geral do Partido e o grande pioneiro da sua identidade leninista, é em grande medida produto da Revolução de Outubro. No 105.º aniversário do seu nascimento, O Militante presta homenagem à sua extraordinária figura de operário e comunista exemplar.







O Militante

Acção de Promoção




A valorização de O Militante na actividade geral do Partido é necessária para o reforço do PCP. Durante o mês de Maio decorrerá uma acção de promoção em que os leitores de O Militante devem ter um papel particularmente activo. O conteúdo e as medidas para aumentar a difusão de O Militante devem ser discutidos em todo o colectivo partidário.