Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 287 - Mar/Abr 2007

Monforte - A experiência de uma célula

por Patricia Machado

«A célula, segundo os Estatutos do Partido definem, é a organização de base do Partido, é o seu alicerce e o elo fundamental da ligação do Partido com a classe operária, com os trabalhadores, com as massas populares, é o suporte partidário essencial para promover, orientar e desenvolver a luta e a acção de massas»

In «Sobre a Célula de Empresa»


Assistimos hoje a um forte ataque aos mais elementares direitos dos trabalhadores, nomeadamente na Administração Pública, «saco de boxe» predilecto do Governo PS, atingindo «por tabela» subtilmente os trabalhadores do privado. A consciência e a mobilização dos trabalhadores são a sua maior arma na defesa e na conquista de direitos. A célula, enquanto organização de base, é o suporte partidário para uma maior discussão e intervenção dos trabalhadores comunistas.

Muitas vezes, este importantíssimo instrumento do Partido pode ser entendido como de difícil concretização, em que o passar da teoria à prática surge como tarefa complicada. Fácil não é, mas é imprescindível que a primeira batalha seja a criação da célula. Mas não nos devemos ficar por aqui. A organização deve também trabalhar para intervir e para se reforçar junto dos trabalhadores.

Levar à prática as conclusões do XVII Congresso do Partido e do Encontro Nacional Sobre a Acção e Organização do Partido nas Empresas e Locais de Trabalho, são tarefas prioritárias da organização.

O concelho de Monforte é um concelho como tantos outros no país. Com cerca de 3500 habitantes, sem tecido industrial relevante, é a Câmara Municipal que aparece como a principal entidade empregadora.

A organização do Partido contava no concelho com cerca de 50 militantes, não existindo nenhuma organização de célula de empresa ou de local de trabalho.

Contudo, ao fazermos um balanço de organização, tomámos consciência de que cerca de 10 militantes trabalhavam na Câmara Municipal, entre pessoal operário, quadros administrativos e quadros técnicos. Embora não seja um grande número de militantes, entendemos ser fundamental a sua organização através da célula.

Em Outubro de 2006 decidimos desenvolver esforços para criar a célula dos trabalhadores da Câmara Municipal. A grande maioria dos camaradas que a integraram tem menos de 35 anos e, não estando organizados em nenhuma estrutura do Partido, logo se mobilizaram para participar na célula, levando mesmo um ou outro amigo. O aspecto mais interessante é que se verificou uma grande necessidade de organização e discussão por parte daqueles que, porque não estavam organizados, nunca tinham participado em qualquer actividade partidária.

Começou por discutir-se qual deveria ser o seu funcionamento e alguns camaradas achavam que uma vez por mês era suficiente. Apesar de ter persistido essa periodicidade, logo alguns membros perguntavam quando seria a próxima reunião; que se deveria discutir este ou aquele aspecto, reconhecendo a necessidade de reunir mais que uma vez por mês.

Um aspecto importante que se colocou foi a reunião ter objectivos concretos e as orientações e tarefas não ficarem no ar. O saber-se quem fica com determinada tarefa, até quando é que se tem de tratar deste ou daquele assunto, ou quando se faz tal ou tal distribuição, é importante não só para a responsabilização dos camaradas como na aplicação das orientações discutidas colectivamente.

Esta preocupação ajudou a resolver o problema do pagamento das quotas, pois agora já há um responsável. A venda do «Avante!» também se começou a fazer com um responsável e está prestes a chegar a mais militantes e amigos. Decidiu-se também criar um boletim da célula, a que se deu o nome de «Em Frente», que é elaborado por todos e distribuído aos trabalhadores, mobilizando para a luta e para a tomada de consciência dos problemas dos trabalhadores da Administração Pública, entre outras questões mais gerais.

Nos dias 12 de Outubro e 25 de Novembro, alguns trabalhadores militantes, e não militantes mobilizados pelos camaradas, foram pela primeira vez às grandes jornadas de luta. A questão de que é na luta que se destacam, se formam e se mobilizam os trabalhadores não é só teoria, pois a prova é que se estão a destacar e a responsabilizar novos camaradas.

Dos 10 militantes, é certo que nem todos participam, mas a vontade e a determinação de alguns ajudará por certo a organização a ir mais longe. Muito caminho há para percorrer. É necessário aprofundar a formação ideológica dos camaradas, quer através da leitura do «Avante!» e de O Militante, quer através de acções de formação ideológica, ou de discussão de questões temáticas ligadas à situação social e política e ao papel dos comunistas. Alargar a compreensão da importância da militância de cada um; a importância da discussão colectiva; da efectiva intervenção para o reforço do Partido; do estar atento e ao lado dos problemas dos trabalhadores, são questões que precisam de estar intimamente ligadas à actividade regular dos militantes comunistas da célula.

A célula pretende realizar a 1.ª Assembleia de Organização, com vista a eleger um secretariado. O recrutamento e o enquadramento dos novos membros do Partido é tarefa prioritária, nomeadamente no sector operário. A célula tem feito levantamento de nomes a contactar e também tem discutido a importância da sindicalização. Estes contactos, alguns já realizados, mostram que é possível ir mais longe, visto que já se conseguiram mais amigos para participar nas reuniões tendo em vista o seu recrutamento.

Por vezes nota-se algum receio de se inscreverem no Partido, ou por medo, ou por acharem que não é relevante, ou que não é isso que muda a sua forma de ajudar o Partido. A experiência mostra a importância de se aproveitar esta disponibilidade em ajudar para o seu enquadramento e, em muitos casos, ao seu efectivo recrutamento.

Como comunistas que somos é evidente que não estamos satisfeitos. Mas estes pequenos mas importantes passos que se têm dado estão muito relacionados com a célula. O Partido tem hoje, através da célula, presença regular junto dos trabalhadores no seu local de trabalho, através do contacto nas distribuições – quer no estaleiro municipal quer nos edifícios principais da Câmara Municipal. O Partido da classe operária e de todos os trabalhadores está desta forma mais reforçado no concelho de Monforte.