Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Tema, Edição Nº 287 - Mar/Abr 2007

Congresso dos Amigos da URSS

por Revista «O Militante»

Introdução    5ª Sessão, 12 de Novembro de 1927 Delegado de Portugal: Gonçalves (*)   
Por causa da actual situação política de Portugal, onde desde há dois anos temos uma ditadura militar absolutamente fascista, não nos foi permitido reunir a classe operária organizada a fim de lhe dar conhecimento do convite que os sindicatos russos nos enviaram para que a classe operária portuguesa estivesse representada nas festas do décimo aniversário da grande revolução que marcará eternamente a jornada vitoriosa daqueles que sofreram as mais horríveis torturas do brutal regime czarista. Por isso não podemos afirmar perante vós que representamos neste momento o proletariado de Portugal, porque representamos apenas uma parte dele.

Porém, como consideramos a revolução dos trabalhadores da Rússia uma revolução de um grande alcance internacional, viemos, apesar dos esforços das autoridades para nos recusarem os passaportes. E depois do que vimos estamos agora em condições de contar aos nossos camaradas, em Portugal, toda a verdade no que respeita à organização do sistema soviético, ou seja, que a Rússia é o único país do mundo onde o proletariado soube cumprir o seu dever, lutando, mais do que para o seu próprio benefício, para o benefício de toda a humanidade.Camaradas, estamos felizes por nos encontrarmos aqui, junto de vós, para tomarmos parte nos trabalhos deste Congresso, que terão um grande alcance no processo da luta proletária. Daqui saudamos os organizadores e também o povo revolucionário de toda a Rússia, porque as suas recentes conquistas é que nos permitem realizar uma tão grandiosa e magnífica reunião revolucionária, onde se acham representados os trabalhadores de todas as tendências ou escolas filosóficas. Eu próprio represento aqui comunistas, sindicalistas, anarquistas, etc., excluindo os reformistas que não tiveram lugar entre nós.Camaradas, a última parte da ordem do dia ocupa-se dos perigos de guerra e é sobre esse assunto que quero tomar a palavra.É muito evidente, e já há algum tempo que o temos constatado, a preparação pelo capitalismo ocidental de uma guerra contra a Rússia. São os piratas imperialistas que não querem reconhecer que o seu tempo passou e que o futuro pertence à classe operária. São os canalhas que olham os dez aos de construção socialista da União Soviética como o mais forte argumento em apoio das suas mentiras e, com vista a aproveitar de uma situação já problemática para eles, tentam uma nova carnificina devastadora.A guerra que o abominável capitalismo tenta fazer é muito diferente da última guerra, da guerra mundial, a etapa mais vergonhosa do imperialismo. Na guerra que se prepara não se encontra nunca o capitalismo contra o capitalismo, encontra-se sim o capitalismo contra o comunismo, isto é, a burguesia contra o proletariado, e é isto que é preciso demonstrar às massas, quando a imprensa reaccionária lhes diz que o regime soviético é tudo aquilo de que o acusam nos últimos tempos.

Camaradas, é seguindo este raciocínio que desenvolveremos a propaganda entre nós, e asseguramos-vos que o proletariado português saberá cumprir o seu dever.

Os progressos que verificámos em todos os ramos da vida social e económica da Rússia dos Sovietes são a melhor prova de que a Rússia é o único país onde as aspirações da classe operária quase se acham satisfeitas e todas as comodidades são colocadas à sua disposição. Os campos estão separados. De um lado estão os explorados, do outro os exploradores. Os explorados somos os proletários. Temos pois que nos unir porque temos de vencer. O nosso lugar está marcado claramente. Não queremos a guerra mas, se for impossível evitá-la, sejamos todos os aqui presentes os organizadores do Exército Vermelho internacional operário e camponês, que liquidará definitivamente o imperialismo mundial.

Viva a união operária e camponesa do mundo inteiro!

Viva a Rússia soviética contra a burguesia!



PROPOSTA



A delegação portuguesa propõe:

1 – Todos os camaradas aqui presentes devem assumir o compromisso de desenvolverem nos respectivos países toda a propaganda necessária à formação em cada país de um organismo de defesa da Rússia contra a guerra capitalista.

2 – Todos estes organismos terão inteira autonomia nos métodos de luta.

3 – Para coordenar os esforços, constituir-se-á, com sede na União Soviética, um organismo independente da URSS e da Internacional Comunista, a fim de permitir a organização imediata de todos aqueles que jamais consentirão uma guerra contra a União Soviética.



Moscovo, 12 de Novembro de 1927

A delegação portuguesa

a) Bento A. Gonçalves



(*) Arquivo do centro Russo de Conservação e Estudo de Documentos da História Contemporânea: f. 495, op. 99, d. 9, original em francês.