Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 308 - Set/Out 2010

Raízes de classe e convicções revolucionárias

Despedimos-nos do camarada Dias Lourenço no passado dia 8 de Agosto com uma grande manifestação de pesar, de fraternal solidariedade e de confiança no triunfo dos valores e ideais a que ele consagrou toda uma vida de intensa militância comunista.

Aos 95 anos deixou de bater o coração daquele que durante décadas foi um dos mais destacados dirigentes do PCP, um dos seus grandes construtores, um dos inspirados artífices deste nosso modo de ser comunista e de estar na luta, sempre com os trabalhadores e o povo, pela transformação revolucionária da sociedade. O camarada «João», pseudónimo por que se tornou conhecido nos tempos da luta clandestina, faz parte de uma magnífica plêiade de quadros que, estreitamente ligados à classe operária e às massas, dotando o Partido de criativos e eficazes métodos de defesa frente à repressão fascista, e aperfeiçoando métodos de trabalho colectivo, gravaram no granito da identidade comunista do PCP, características que o tornaram indestrutível e de que temos de cuidar permanentemente: teoria revolucionária, marxismo-leninismo; natureza de classe de partido da classe operária e de todos os trabalhadores; objectivo do socialismo e do comunismo; profunda democracia interna tendo como base o desenvolvimento criativo do centralismo democrático; ligação às massas; indissolúvel ligação entre patriotismo e internacionalismo.

O camarada Dias Lourenço foi um combatente «indispensável» pois, como disse o camarada Jerónimo de Sousa na sua alocução no cemitério do Alto de São João perante as bandeiras vermelhas e os punhos cerrados que ali se ergueram em impressionante compromisso de luta, «lutou o tempo todo que tinha para lutar». Fiel à sua origem e raízes de classe e firme nas suas convicções, foi na verdade um jovem e um homem de inabalável confiança na classe operária e na vitória da sua missão histórica, cuja vida se confunde com a  vida do seu Partido de sempre, ao qual aderiu aos 17 anos de idade e que esteve sempre no centro do seu pensamento até praticamente ao último suspiro.

O camarada Dias Lourenço já não está fisicamente entre nós mas o seu exemplo, como o exemplo de muitos outros construtores do PCP, continua a acompanhar-nos e a inspirar-nos na luta, que continua, por uma vida melhor, pela superação revolucionária da sociedade capitalista caduca e bárbara, pelo triunfo dos valores e ideais de Abril, pelo socialismo e o comunismo.

 

Nestes dias, em pleno desenvolvimento da crise capitalista, crise que mesmo segundo critérios da economia política burguesa não dá quaisquer sinais de inversão, os tambores da guerra voltam a rufar de modo inquietante no Médio Oriente, no Afeganistão, na Colômbia ameaçando a Venezuela bolivariana, no Irão, na Península da Coreia e noutros pontos do mundo. Os EUA, procurando defender a posição de supremacia que o seu declínio económico e político minam, espalham por toda a parte bases  militares e poderosos dispositivos aeronavais, persistem numa política de aberta ingerência nos assuntos internos de numerosos povos e países, alimentam perigosos focos de tensão e de guerra. E sabendo que por si sós não podem assegurar os seus objectivos hegemónicos, procuram reforçar as alianças militares com outras potências capitalistas – como é particularmente evidente em relação ao Japão, mas também à Alemanha num quadro de crescentes rivalidades e contradições atiçadas pela crise – e envolver países  como Portugal na perigosa teia da sua estratégia de agressão e de guerra.

É neste quadro que a próxima Cimeira da NATO, agendada para 19 e 20 de Novembro em Portugal, assume particular importância já que, entre outras coisas, se pretende aí consagrar novos desenvolvimentos do «conceito estratégico» que reforçariam esta aliança agressiva como braço armado da estratégia global do imperialismo sob a batuta dos EUA.

Trata-se de uma questão muito séria que coloca perante as forças da paz do nosso país grandes responsabilidades. Esta cimeira não é bem vinda. Não podemos permitir que o nome de Portugal continue a ser manchado pela mão subserviente da classe dominante e dos partidos que a servem, PS, PSD e CDS/PP, pela utilização de território nacional para anunciar e projectar, com pompa e circunstância, decisões da maior gravidade para a liberdade, o progresso dos povos e a segurança internacional. Depois da cimeira da guerra dos Açores que decidiu a invasão do Iraque com base numa montanha de mentiras, ou dos Concelhos Europeus que adoptaram a «Estratégia de Lisboa» e o «Tratado de Lisboa» da União Europeia, esta cimeira da NATO é mais uma afronta ao povo português e à Constituição da República Portuguesa que, apesar de sete revisões mutiladoras, continua a reflectir os valores e ideais de Abril e a obrigar o Estado português a agir por uma política de desarmamento e de solução política dos conflitos, por uma política de paz, cooperação e amizade com todos os povos, e não por uma política de agressão e de guerra como a que caracteriza a NATO e que a cimeira de Novembro se propõe reforçar.

A publicação neste número de «O Militante» de um Dossier sobre a NATO constitui  uma contribuição, certamente modesta, mas necessária e útil, para que os quadros comunistas e os leitores da nossa revista tomem mais clara consciência do que está realmente em jogo nesta cimeira da NATO, e intervenham activamente para que a voz patriótica e internacionalista dos defensores da paz e dos combatentes anti-imperialistas se faça sentir o mais alto possível, em particular dando força e contribuindo para o sucesso da manifestação organizada no plano unitário pela campanha «Paz Sim, NATO Não», que integra mais de cem organizações, incluindo o PCP.

A luta contra o violento ataque às condições de vida e os direitos dos trabalhadores conduzida pelo governo do PS de mão dada com o PSD (e o CDS/PP), a acção a desenvolver com perseverança para fazer convergir numa mesma torrente as pequenas e grandes lutas dos trabalhadores e das populações preparando as condições para acções ainda mais massivas e poderosas, é inseparável da  luta em defesa da soberania e da independência nacional e por uma política externa e de defesa de cooperação e de paz. A luta contra a cimeira da NATO é também uma contribuição para defender os que menos podem e menos têm da infame ofensiva de que estão a ser vítimas, e insere-se na luta pela ruptura patriótica e de esquerda por que lutamos. É preciso agarrar o Dossier sobre a NATO que agora publicamos, fotocopiá-lo, multiplicá-lo e difundi-lo; a par de outros documentos, ele é uma útil ferramenta de esclarecimento e de mobilização para a luta.