Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

PCP, Edição Nº 315 - Nov/Dez 2011

Difundir a imprensa do Partido - Uma tarefa de sempre

por Revista o Militante

Com a publicação do texto «O papel da imprensa do PCP na luta contra o fascismo e pela liberdade» (in «O Militante», n.º 313, de Julho-Agosto de 2011) divulgámos alguns logotipos dos mais de 200 títulos de publicações editadas pelo PCP desde a sua fundação, e em particular daquelas que, ao longo de 48 anos de ditadura fascista, vencendo toda a espécie de perigos e perseguições, foram saindo dos «Prelos da Liberdade» para levar às massas a voz do Partido, fazer a denúncia do fascismo, apelar à resistência e à luta.

A imprensa do PCP entronca no que há de melhor na rica experiência e tradição da imprensa do movimento operário português. Reflectindo o próprio desenvolvimento do Partido e as condições concretas em que se realizava a sua actividade, com particular destaque para o «Avante!», cujo 80.º aniversário como órgão central do Partido se assinalou este ano, a imprensa do Partido constitui – não será demais salientá-lo – caso único no panorama da vida partidária e da imprensa portuguesa e internacional, património da longa história de 90 anos do PCP e da luta dos comunistas portugueses contra o fascismo e pela liberdade, pelo socialismo e o comunismo. Dando voz aos que não têm voz, nas suas páginas figuram registos únicos da luta dos trabalhadores e do nosso povo.

A imprensa do Partido, antes e depois da implantação da ditadura fascista e igualmente nas condições de legalidade conquistada com o 25 de Abril de 1974, em toda a sua diversidade – órgãos centrais do Partido, publicações dirigidas a sectores, camadas específicas e a células de empresa, e até os jornais manuscritos nas cadeias fascistas – é, pela sua natureza, função, condições de elaboração e difusão, inseparável da natureza de classe e identidade do PCP e sua expressão concreta.

Como meio de popularização da actividade do Partido, das suas orientações e posições políticas, seu papel no esclarecimento das massas, como instrumento de organização do Partido e dos trabalhadores, a imprensa partidária, nomeadamente o «Avante!» e o «O Militante», constitui um instrumento indispensável e insubstituível para o reforço e afirmação do Partido e seus princípios. É pela imprensa do Partido que a generalidade dos militantes e das organizações espalhadas pelo país toma conhecimento de muitos aspectos da diversificada actividade do Partido.

Mas para que a imprensa do Partido possa desempenhar o seu papel é necessário apoiá-la, dado que, contrariamente à imprensa burguesa, ela não existe para obter lucros. É preciso igualmente divulgá-la, fazê-la chegar às pessoas e aos militantes, tarefa tanto mais necessária porquanto, pela sua natureza, a imprensa, tal como o próprio Partido, actua num quadro de grande hostilidade, discriminação e silenciamento sistemático.

No momento do aparecimento do «Avante!», a 15 de Fevereiro de 1931, no artigo «Ao Proletariado de Portugal», apontava-se como razões para a sua publicação o facto de o PCP não poder manter-se impassível à repressão, sendo por isso necessário um órgão de imprensa que demonstrasse as acções do fascismo. O «Avante!», diz-se, acolherá o grito de rebelião das massas. O «Avante!» será um instrumento de esclarecimento e de organização.

Embora com linguagens diferentes, dos mesmos princípios informa o «Bandeira Vermelha» (órgão da Federação Maximalista e depois do Partido); «O Comunista» (primeiro órgão central do Partido); «O Proletário» (saído já depois do golpe fascista e que antecede o «Avante!»), princípios sempre afirmados e reafirmados até aos nossos dias como traço fundamental da imprensa do Partido.

Mas, pela sua natureza, a imprensa do Partido (logo a começar com «Bandeira Vermelha») para aparecer à luz do dia teve de enfrentar de forma persistente a acção repressiva: assaltos a tipografias, empastelamento e apreensão de edições completas, prisão de difusores e leitores dos jornais, perseguição que o «Avante!» enfrentou durante toda a sua existência e contra o qual foi organizada toda uma estrutura policial para tentar silenciá-lo.

Os ataques contra a imprensa do Partido assumiram o carácter duma guerra. É curioso notar que nos sucessivos apelos aos trabalhadores para que ajudassem e defendessem o jornal ameaçado, que lhe prestassem auxílio e considerassem esse auxílio como «munições», como «metralha» para que «Bandeira Vermelha» pudesse travar com êxito a guerra que lhe era movida.

Os apelos para angariação de auxílio material à imprensa do Partido e à sua difusão militante acompanham toda a existência da nossa imprensa, apelos de que os dois cartazetes que aqui se publicam são apenas dois dos muitos exemplos que se poderiam dar.

O Partido acumulou uma longa e criadora experiência na organização de apoio material e nos processos de divulgação da sua imprensa, o que lhe permitiu dar resposta às condições em cada época e onde não faltam exemplos de abnegação e mesmo heroicidade na realização dessa tarefa.

A criação de grupos de amigos dos nossos jornais, e em particular os grupos de amigos de o «Avante!», permitiu angariar fundos indispensáveis à sua elaboração e sustentação, mas serviu também para ligar ao Partido muitos antifascistas, que mesmo não sendo membros do Partido compreendiam a sua importância na organização da resistência ao fascismo. Só ali encontravam a informação sobre a luta do povo, sobre a política fascista, sobre a situação nacional e internacional.

A difusão da imprensa do Partido requereu (e requer) ser considerada como uma tarefa de organização de primordial importância, com os seus responsáveis, sem o que não é possível levá-la a todas organizações e militantes, já para não falar aos amigos do Partido.

Os difusores da imprensa do Partido, que existem desde a «Bandeira Vermelha» e da «Federação Maximalista», desempenham um papel muito particular na realização desta tarefa.

O primeiro documento público do PCP, o Manifesto «Ao País» (Julho de 1921) terminava com um apelo: «Lê e divulga».

Passados 90 anos a concretização do apelo à leitura e à difusão da imprensa, nomeadamente do «Avante!» e de «O Militante», não é só uma necessidade para a elevação do nível político e ideológico dos militantes e para o reforço da influência do Partido. É um dever da condição de militante consagrado nos Estatutos (Art.º 14.º, alínea h).