Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 316 - Jan/Fev 2012

Diversificar e intensificar a luta - ampliar as fileiras do Partido

por Revista o Militante

O Comité Central na sua reunião de 8 de Dezembro decidiu marcar o XIX Congresso do PCP para 30 de Novembro, 1 e 2 de Dezembro. Trata-se de uma decisão com importantes implicações na actividade do Partido em 2012.

Nos termos da orientação e metodologia que será adoptada em nova reunião do Comité Central, a preparação da reunião do órgão supremo do Partido vai implicar muito e exigente trabalho de reflexão, elaboração e discussão em todo o nosso grande colectivo partidário. Como sempre, será o funcionamento orgânico profundamente democrático e a consciente e empenhada participação dos membros do Partido nos trabalhos preparatórios do Congresso, que assegurará o acerto das suas análises e decisões e fará dele um acontecimento marcante de afirmação do PCP como grande e insubstituível força nacional ao serviço dos trabalhadores e da sua causa emancipadora, a causa do socialismo e do comunismo.

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Um ano de Congresso será sempre um ano de acrescidas responsabilidades e exigências para os militantes do Partido, pois se torna necessário articular a preparação do Congresso com as tarefas de organização e intervenção partidária no plano social e político, tarefas que obviamente é impossível adiar. Nunca e em nenhum momento o Partido pode voltar-se para «dentro» e «fechar para Congresso», pois, como a história do PCP mostra, o seu sucesso, a sua projecção política, a sua capacidade para dar uma resposta acertada aos problemas e contradições da sociedade portuguesa que nos propomos transformar será tanto maior quanto maior for o envolvimento dos trabalhos preparatórios pela dinâmica da luta popular. E se há Congresso em que é necessário que isso aconteça é este nosso XIX Congresso, cuja preparação e realização vão ter lugar no quadro da mais violenta ofensiva contra os trabalhadores, o povo e o país desde o fascismo, exigindo do Partido esforços redobrados para desenvolver a resistência em todas as frentes e reforçar a luta dos trabalhadores e outras as classes e camadas antimonopolistas pela ruptura com mais de 35 anos de politicas de direita, por uma política patriótica e de esquerda, por um Portugal com futuro.

Para enfrentar e sair da grave situação em que os partidos das políticas de direita – PS, PSD e CDS – mergulharam o país, para derrotar o pacto de agressão e a escalada contra a soberania nacional, resultantes do novo salto federalista com que a Alemanha e outras grandes potências estão a procurar saída para a crise em que a União Europeia se debate, só há um caminho: a intensificação da luta popular de massas e o reforço do PCP. Preparando o XIX Congresso é neste caminho que temos de perseverar, procurando que cada organismo do Partido esteja cada vez mais bem sintonizado com as reivindicações e o estado de espírito das massas – nomeadamente dos trabalhadores nas empresas e das populações das diferentes localidades e regiões –, dê provas de iniciativa e audácia na procura das formas mais adequadas de organização e intervenção, e actue como autêntica comissão de luta.

A Greve Geral de 24 de Novembro, pelo grande êxito que constituiu, pelo que representou de combatividade e dignidade por parte de milhões de trabalhadores, pelo golpe que desferiu no conformismo, abre uma nova fase de resistência e de luta para cujo desenvolvimento a contribuição dos comunistas é sem dúvida indispensável, mas que, como a Greve Geral exuberantemente mostrou, tem na CGTP-IN e na sua imensa força social um elemento insubstituível. O reforço da CGTP-IN com a confirmação das suas características de movimento sindical de classe, democrático, unitário e de massas, é da maior importância, não só para a luta dos trabalhadores mas para a luta de todo o povo português. Saudando os dirigentes e activistas sindicais cuja acção esforçada e corajosa foi determinante para a extraordinária envergadura da Greve Geral, «O Militante» deseja os melhores êxitos ao seu XII Congresso que terá lugar nos próximos dias 27 e 28 de Janeiro .

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O Comité Central de 8 de Dezembro, cujo documento «O Militante» publica nesta edição, definiu as principais linhas de intervenção política e partidária com vista ao desenvolvimento da luta e ao reforço do Partido em 2012; é necessário que as organizações do Partido se empenhem na sua concretização. Na acção de reforço do Partido, destacando «a importância da responsabilização de quadros e do trabalho nas empresas e locais de trabalho», o Comité Central decidiu «a realização de uma campanha nacional de adesão ao Partido de 2 mil novos militantes até Março de 2013 e a sua integração na organização», sublinhando que «a adesão ao Partido constitui uma resposta necessária para todos quantos querem dar sentido e coerência à sua luta contra o rumo de exploração e de desastre nacional em curso e aspiram a uma profunda mudança, a uma sociedade e um mundo mais justos».

A importância e oportunidade desta campanha deve aqui ser sublinhada. Conquistar para o ideal comunista e trazer à luta organizada nas fileiras do Partido sempre mais portuguesas e portugueses foi e continuará a ser tarefa primeira de um militante comunista. Ao mesmo tempo é necessário reconhecer que nem sempre as organizações têm dado ao recrutamento a necessária atenção, subestimando o recrutamento activo e colocando exigências descabidas de preparação política e ideológica que só a integração partidária e a actividade num organismo pode dar. A dificuldade em interligar e integrar as tarefas de organização e seu reforço com a luta é outra limitação que em muitas organizações é necessário ultrapassar. É na luta que se revelam e se destacam aqueles cujo lugar é no PCP. É na luta que são postas à prova qualidades – consciência de classe, dignidade, coragem, solidariedade, sentido de organização e outras – indispensáveis a um revolucionário comunista. Se há algo que as lutas travadas, e a Greve Geral em particular, têm revelado, são potencialidades de alargamento e renovação das fileiras do Partido, alargamento e renovação que, a par de uma audaciosa política de responsabilização, é necessário aproveitar para responder às exigentes tarefas que a grave situação do país e no plano internacional colocam ao PCP.

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Deixamos para trás mais um ano de luta intensa e entramos num novo ano que de luta intensa será, ainda mais exigente e pedindo aos comunistas ainda mais militância e iniciativa. Se algo as celebrações do 90.º aniversário do Partido – que se encerraram em Vila do Conde com a presença do camarada Jerónimo de Sousa numa grande iniciativa que assinalou também o aniversário da Revolução de Outubro – puseram em evidência, foi o honroso e insubstituível papel do PCP na caminhada libertadora da classe operária e do povo português, e a luta popular de massas como factor decisivo da resistência e da transformação revolucionária. São lições que devemos ter bem presentes perante as duras batalhas que temos diante de nós neste novo ano de 2012, ligando sempre a acção do dia a dia ao nosso ideal e projecto comunista, com a confiança de que, por mais difícil, irregular e acidentado que seja o caminho do progresso social e da revolução, vale a pena percorrê-lo.

Feliz Ano Novo, camaradas!

 

«O Comité Central decide marcar o XIX Congresso para os dias 30 de Novembro, 1 e 2 de Dezembro. O Congresso deverá analisar a situação nacional e internacional, as questões que se colocam ao Partido e definir as correspondentes orientações. A preparação do Congresso, com a sua dinâmica e exigências próprias, deve inserir-se no processo de intervenção e reforço do Partido. O XIX Congresso, com o envolvimento do colectivo partidário, constitui uma importante oportunidade para a afirmação do Partido e do seu projecto da democracia avançada e do socialismo.»