Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

XIX Congresso, Edição Nº 323 - Mar/Abr 2013

Sobre a Organização do Partido

por Margarida Botelho

Reforçar o Partido, acção integrada, tarefa indispensável – é assim que a proposta de Resolução Política se refere à maior tarefa que temos pela frente. Reforçar o Partido em todos os planos: político, ideológico, orgânico, financeiro, para intervir em todas as frentes: de massas, política, institucional, eleitoral e ideológica.

É uma tarefa permanente e prioritária, que nos permite ter um instrumento para a acção. Como referimos na proposta de Resolução Política: «uma organização forte, coesa, interventiva, ligada à vida, fornece ao Partido a força organizada de que precisa para resistir, combater, avançar e vencer».

Para isto precisamos de muita convicção e entusiasmo. Mas não vamos lá com apelos vagos, sem programar o trabalho, sem planificar as tarefas em concreto, sem controlo de execução. É por isso que se propõe que o Congresso decida uma acção geral e integrada de reforço do Partido que envolva várias linhas relativas à militância, de direcção, de quadros, de informação e propaganda, de meios financeiros e para a actividade internacional. É uma necessidade urgente, a ser levada por diante por todas as organizações e militantes.

Nestes quatro anos entre congressos, foi exigida ao Partido uma intervenção notável. A par da resposta à situação política, do importante papel que desempenhamos na luta de massas, da participação em sete actos eleitorais, de um número quase impossível de quantificar de acções de esclarecimento, sessões públicas e iniciativas diversas, foi possível dar passos no sentido do reforço do Partido, no quadro da acção «Avante por um PCP mais forte», que o XVIII Congresso decidiu.

É verdade que se mantêm atrasos, insuficiências e dificuldades que é necessário ultrapassar: no funcionamento das organizações de base, no número de camaradas que pagam quotas, na organização nas empresas e locais de trabalho, entre tantas outras.

Mas não estaríamos a fazer uma análise verdadeira ao que foi o nosso trabalho se não valorizássemos os passos dados, no contexto em que os demos. Não estaremos em condições de aproveitar as reais possibilidades de reforço do Partido que a situação do país nos cria se não formos objectivos nesta análise.

Em quatro anos, recrutámos para o Partido mais de 5800 novos militantes. Desde que lançámos a campanha de recrutamento, que termina em Março do próximo ano, inscreveram-se no Partido 1100 novos militantes. Concretizámos mais de 500 assembleias de organizações. Demos passos relativamente à organização do Partido nas empresas e locais de trabalho, com responsabilização de quadros, recrutamentos, transferências, criação de novas células.

Todos queremos que o Partido intervenha mais. Os trabalhadores e o povo precisam que o PCP seja mais forte. Quantas vezes não sentimos que se fossemos mais em cada organização, em cada iniciativa, chegaríamos mais longe, envolveríamos mais gente, levaríamos a voz do Partido a outras empresas, localidades, sectores. Para estarmos em condições de intervir em todas as condições em que a situação do país nos colocar, precisamos de ser mais e ter mais organização.

E isso não se faz sem militância: o Partido não é uma entidade abstracta, não é o Centro de Trabalho, não são só os camaradas que às vezes vão à televisão. A força do Partido é aquela que a acção de cada um de nós, militantes, determinar. Quantos mais camaradas sentirem e souberem que isto é mesmo assim, mais força terá o Partido. Quantos mais trabalhadores, gente que luta, homens e mulheres honestos, souberem que também depende deles a força deste Partido, mais gente se juntará ao PCP. Reforçar o Partido passa em primeiro lugar pelo aumento da militância. É a principal fonte de capacidade de intervenção do Partido.

Naturalmente que cada militante sente que para intervir de forma esclarecedora junto dos outros tem que conhecer as orientações do Partido. Isso passa pela leitura regular da imprensa do Partido, pela visita ao sítio da internet, pelo estudo individual. Mas passa sobretudo pelo trabalho colectivo do Partido, pela participação nas reuniões, pela responsabilização por tarefas concretas.

Precisamos talvez como nunca de nos organizarmos melhor para intervirmos mais. A proposta de resolução política aponta orientações para o reforço da organização partidária.

Define como prioritária a organização e intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores. Demos passos nestes quatro anos, mas não foram os suficientes. A vida mostra que quando se destacam quadros, incluindo funcionários, para criar organização nas empresas, temos resultados. Que quando as organizações assumem que esta é a mais importante tarefa de todos, que quando se decide, programa, faz o controlo de execução, quando se persiste, os resultados aparecem. A precariedade, o desemprego, a repressão nos locais de trabalho são elementos com que nos confrontamos diariamente. O trabalho de organização, em particular nas empresas, nunca está completo: é um trabalho de formiguinha, de permanente começar e recomeçar. Mas é a base do Partido, é o mais sólido alicerce em que poderemos construir o futuro.

Aponta-se a necessidade de estruturação das organizações locais do Partido, num estilo de profunda ligação às massas.

Apontam-se medidas para potenciar a organização, participação e contributo dos camaradas reformados.

Coloca-se como necessária a generalização de um estilo de trabalho das organizações e dos militantes assente nos princípios e objectivos do Partido e numa cada vez mais ampla ligação às massas.

Sem prejuízo de se continuar a procurar contactar os membros do Partido sem ficha actualizada, as Teses propõem realizar uma acção de contacto com os militantes do Partido. Quase dez anos depois da actualização das primeiras fichas, é óbvio que há dados que já se desactualizaram outra vez. Mas mais importante do que isso é podermos concretizar uma vasta acção de organização, estruturação partidária, elevação da militância, alargamento da assunção de responsabilidades e intensificação da intervenção. Será uma oportunidade de ouro para reconquistar forças e energias, para alcançarmos o objectivo de que a cada militante corresponda um organismo e uma tarefa.

Organizamo-nos para intervir. Intervimos e lutamos contra a política de direita, por uma política patriótica e de esquerda, pelos ideais de Abril no futuro de Portugal. Queremos construir no nosso país, com o nosso povo, uma democracia avançada, o socialismo, o comunismo. São batalhas e objectivos que se travam e constroem dia-a-dia e é com uma imensa alegria que o fazemos. Todos os dias.

Viva a JCP!

Viva o PCP!