Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 325 - Jul/Ago 2013

Por uma política e um governo patrióticos e de esquerda!

por Revista o Militante

Maio e Junho foram meses em que se alargou e diversificou a frente de luta popular e se acentuou e tornou patente o descrédito e o isolamento do governo do PSD/CDS e da sua política de empobrecimento e afundamento do país. Impondo-se como um imperativo democrático e patriótico a demissão do Governo e a convocação de eleições legislativas antecipadas, tornou-se palavra de ordem de praticamente todas as pequenas e grandes acções de resistência e luta desde o coro de protestos com que são acolhidos por todo o país Passos Coelho, Ministros e Presidente da República, à grande concentração de 25 de Maio em Belém.

Claro que a demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas não são por si sós panaceia para a gravíssima crise em que décadas de política de restauração monopolista e de submissão ao imperialismo, conduzida pelo PS, PSD e CDS, mergulharam o país. Como a experiência mostra, a arrumação de forças no plano social, e até no plano político, só excepcionalmente tem correspondência no plano eleitoral. Mas isso não diminui em nada a importância de afastar urgentemente este Governo e interromper a sua criminosa actuação ao serviço do grande capital, pois só assim será possível abrir caminho a uma política e um governo patrióticos e de esquerda, sem entretanto esquecer que, a par dos resultados eleitorais, o prosseguimento da mobilização dos trabalhadores e das massas populares é indispensável para que tal objectivo seja alcançado. A necessária ruptura com 37 anos de política de direita, com o Pacto de Agressão das troikas nacional e estrangeira, e com o processo de integração capitalista europeu, que está a estrangular a independência e a soberania de Portugal, implica uma ainda maior agudização da luta de classes que só a correcta conjugação da luta institucional, eleitoral e de massas (a determinante) pode impor às classes dominantes.

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Neste quadro, a questão da alternativa adquire crucial importância como factor de confiança e mobilização popular. Frente à «alternância» na continuidade que tem dominado a vida política portuguesa (e por essa Europa fora), e que os centros dirigentes do grande capital activamente preparam, é necessário apresentar às massas objectivos que, respondendo à situação e indo ao encontro dos seus problemas mais sentidos, sejam capazes de suscitar o seu apoio, a sua mobilização e o seu voto. A campanha do PCP «Por uma política alternativa, patriótica e de esquerda», cujo fim foi assinalado em 2 de Junho com um desfile do Partido em Lisboa, visou precisamente esses objectivos, através de um trabalho de proximidade, de informação e convencimento indispensável para romper a autêntica cortina de censura com que a comunicação social tem rodeado as propostas dos comunistas, ao mesmo tempo que procura induzir a ideia de que o Partido é uma mera força de «protesto» e «bota abaixo» sem soluções para os problemas do povo e do país.

Por que é que a comunicação social e a horda de comentadores políticos e de politólogos que a enxameia, silencia, corta, esconde tudo o que são propostas alternativas do PCP, já para não falar do seu Programa «Uma democracia avançada, os valores de Abril no futuro de Portugal»?

Por que é que dá tanto espaço ao ruído do PS, que apenas afivela divergências de forma, dimensão e ritmo procurando esconder o seu acordo de fundo com a direita (a começar pelo Pacto de Agressão e as amarras do país em matéria de política externa e de defesa) e a sua disponibilidade para «reformas» e acordos de «regime»?

Por que é que sistematicamente promove o BE, um partido que vive a surfar a conjuntura e também ele comprometido com o processo de integração capitalista europeu e a sua deriva federalista supranacional, e apologista de um oportunista conceito de «esquerda» que branqueia e absolve o PS e a social-democracia em geral, da sua estrutural identificação com o grande capital e o processo contra-revolucionário em Portugal?

Porque o PCP, como uma vez mais ficou patente com a realização do seu XIX Congresso, é a grande força da alternativa, o mais consequente defensor das conquistas e valores de Abril e da Constituição que os consagra, o mais intransigente lutador contra a exploração capitalista e a opressão imperialista, um partido que existe não para melhorar o capitalismo mas para o abolir, portador de um Programa de transformação revolucionária da sociedade que aponta ao povo português a luta por uma democracia avançada como parte integrante da luta pelo socialismo.

E muito especialmente porque se procura a todo o custo esconder que a vida tem dado razão ao PCP em matérias tão cruciais e de tão flagrante actualidade como as que respeitam à reconstituição do poder dos monopólios, a destruição do tecido produtivo, a entrada para a CEE/UE e para o Euro. Essa também a razão do silenciamento das comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal pois cada ilustração da sua vida e obra, cada exposição, cada debate, cada texto da sua autoria, é a demonstração de que não só há alternativa para o desastroso rumo actual do país, como é o PCP a força portadora e necessariamente protagonista dessa alternativa.

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Alternativa que, como não nos cansamos de sublinhar, é inseparável do reforço do Partido. Do reforço orgânico em primeiro lugar, com milhares de novas adesões de trabalhadores, mulheres e jovens que se revelam na luta. Mas também fortalecimento do seu papel no plano social e político, no plano da condução das lutas dos trabalhadores e das massas, assim como no plano institucional e eleitoral.

Centrando a acção dos comunistas na luta de massas, e tendo bem presente que é precisamente na luta que se revelam os melhores combatentes e que o seu lugar é no PCP, é necessário dar agora uma particular atenção às eleições autárquicas, finalizar o urgente trabalho de elaboração e entrega das listas para as Câmaras e Assembleias Municipais e para as Assembleias de Freguesia, avançar sem perda de tempo e com audácia na campanha de esclarecimento político e de fortalecimento da CDU com muitos novos independentes, promovendo uma verdadeira campanha política de massas, de proximidade dos eleitores, de concreta articulação da intervenção propriamente eleitoral com a luta em defesa dos seus interesses e aspirações mais sentidas.

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Quando este número de O Militante chegar às mãos dos seu leitores já ficaram para trás as grandes lutas de Junho, nomeadamente as travadas pelos trabalhadores da Administração Pública e pelos professores e já terá acontecido a Greve Geral de 27 de Junho, expressão superior da luta persistente e diversificada contra as políticas de direita e pela demissão do Governo e realização de eleições antecipadas. Sob formas e com expressões diversas, em torno de problemas localizados ou objectivos políticos gerais, nas empresas e localidades, ou em grandes acções de âmbito regional e nacional, a luta de massas, e com ela o fortalecimento das organizações unitárias do movimento popular e o recrutamento audacioso para o Partido, tem de estar sempre no primeiro plano das preocupações dos membros do Partido.

Ao mesmo tempo temos de dar atenção a outras tarefas e frentes de trabalho, em que no imediato se destacam importantes iniciativas no quadro do Centenário de Álvaro Cunhal – como o Congresso «Álvaro Cunhal, o projecto comunista, Portugal e o mundo de hoje» em 26/27 de Outubro, o grande comício de Lisboa em 10 de Novembro, data do nascimento de Álvaro Cunhal, ou a Exposição no Porto de 30 de Novembro a 15 de Dezembro – e a Festa do Avante!, que, com a proximidade das eleições autárquicas, coloca tarefas particularmente exigentes de direcção.

Em qualquer caso a divulgação da alternativa do PCP tem de estar sempre presente na acção dos membros do Partido.