Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Efeméride, Edição Nº 325 - Jul/Ago 2013

Coreia, há 60 anos - O armistício, o paralelo 38, a grande derrota dos EUA

por Maria da Piedade Morgadinho

Em 27 de Julho de 1953 o imperialismo norte-americano e os seus aliados sofriam uma das mais estrondosas derrotas político-militares no continente asiático.

A criminosa guerra que desencadearam em 1950 contra a República Democrática Popular da Coreia chegara ao fim. Os clamores contra essa guerra que se fizeram ouvir em todo o mundo, obrigaram os Estados Unidos a sentar-se à mesa das negociações e a assinar o armistício.

Dos finais da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando a maioria dos países da Europa, e muito particularmente a URSS, procurava ainda reerguer-se das ruínas, até aos dias de hoje, todos os conflitos armados registados em várias regiões do mundo têm tido na sua origem, directa ou indirectamente, o dedo do imperialismo norte-americano. Este facto é mais do que revelador da natureza agressiva, dominadora e da pretensões hegemónicas do imperialismo a nível mundial.

É oportuno lembrar que todos esses conflitos, essas guerras, que têm deixado atrás de si cenários de destruição, de ruína e de morte, deixaram incólume o território dos Estados Unidos.

Na Segunda Guerra Mundial sobre as cidades norte-americanas não caiu uma única bomba e o número de mortes, que são sempre de lamentar, não ultrapassou o dos que anualmente aí morriam vítimas de acidentes de trabalho. A URSS perdeu nessa guerra mais de 20 milhões de vidas. A seguir à guerra, nos Estados Unidos a concentração da produção e do capital cresceu a passos de gigante e os monopólios aumentaram o seu poder económico. A produção de armamento aumentou vertiginosamente e chegou a atingir mais de 25% da produção industrial dos Estados Unidos.

Nos 40 anos anteriores ao fim da Segunda Guerra Mundial a Coreia esteve sob o domínio do imperialismo japonês, era uma autêntica colónia do Japão.

Em Agosto de 1945, com a ajuda do exército soviético, o povo coreano expulsou os ocupantes japoneses do seu território recuperando a independência. Todavia, no rescaldo da guerra, numa situação assaz complexa, os Estados Unidos conseguiram impor a divisão da Coreia em duas regiões: uma, a norte do paralelo 38, sob a responsabilidade do povo coreano apoiado pelo exército soviético; outra, a sul desse paralelo, sob o domínio do exército americano apoiado nas forças reaccionárias do sul da Coreia.

Em 1948, toda a população da Coreia, quer do Norte, quer do Sul, elegeu a Assembleia Popular da Coreia que, a 9 de Setembro desse ano, proclamou a República Democrática Popular da Coreia, aprovou a Constituição e elegeu um governo apoiado pelos trabalhadores, pelo povo. Os Estados Unidos impediram a vigência da Constituição na parte Sul e fizeram eleger aí um governo reaccionário.

As duas regiões em que ficou dividida a Coreia seguiram caminhos opostos.

A Norte, os trabalhadores, o povo coreano dirigido pela classe operária e o seu partido – o Partido do Trabalho da Coreia – levaram a cabo transformações revolucionárias que mudaram a face do país: uma reforma agrária, a nacionalização da grande indústria, dos transportes, dos bancos, a implantação do horário de 8 horas, a igualdade de direitos para homens e mulheres.

A Sul, os capitalistas mantiveram nas suas mãos as empresas, os bancos e os agrários as suas terras. Também, muito rapidamente, os monopólios norte-americanos apoderaram-se dos sectores-chave da economia e a Coreia do Sul transformou-se numa autêntica colónia dos Estados Unidos.

A braços com mais uma das suas crises cíclicas, que começara a desenvolver-se em 1949, e sobretudo confrontados com os avanços impetuosos, a nível mundial e em particular na vizinha China, dos movimentos revolucionários de transformação social e libertação nacional que acompanharam o fim da II Guerra Mundial, os Estados Unidos, apoiados na camarilha reaccionária que «governava» o Sul, em Julho de 1950 desencadeou a guerra contra a República Democrática Popular da Coreia visando a sua ocupação e liquidação, procurando assim conter os processos de transformação revolucionária.

De Junho de 1950 a Julho de 1953 (assinatura do armistício) foram cometidos os maiores crimes contra o povo coreano.

No mundo, ainda mal refeito dos horrores da Segunda Guerra Mundial, levantaram-se por toda a parte os protestos contra essa guerra, contra os crimes diariamente aí cometidos pelo exército norte-americano que não hesitou na utilização de armas bacteriológicas.

Em Portugal, os comunistas, todos os antifascistas e partidários do Movimento da Paz e, muito particularmente a juventude, não pouparam esforços na denúncia desses crimes e juntaram os seus protestos aos protestos que se fizeram ouvir no mundo inteiro. E o Avante!, nesses anos, em todos os seus números foi porta-voz dessa condenação, dessa luta.

A heróica resistência do povo coreano, a ajuda internacionalista da URSS e da República Popular da China (proclamada em 1 de Outubro de 1949), a luta dos partidários da paz de todo o mundo, inclusive dos Estados Unidos, conduziram à esmagadora derrota dos agressores, obrigando-os a sentarem-se à mesa das negociações e a assinar o armistício em 27 de Julho de 1953. Há precisamente 60 anos.

Como os acontecimentos mais recentes têm demonstrado, os Estados Unidos, que têm mantido, e até reforçado a sua presença militar nessa região, são, juntamente com as autoridades reaccionárias do Sul (não declarou há tempos o ministro da Defesa sul-coreano pretender varrer do mapa a República Democrática Popular da Coreia?), os principais responsáveis pelo clima de tensão altamente perigoso que aí se vive. São igualmente o principal obstáculo às legítimas aspirações do povo coreano à unificação da sua pátria e a uma paz duradoura no seu território e nessa parte do mundo.

Documentação consultada:

Avante! de Dezembro de 1951.

Avante! de Maio de 1952, pp. 4 e 6.

Avante! de 4 de Abril de 2013.

Avante! de 11 de Abril de 2013.