Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

XXI Congresso, Edição Nº 371 - Mar/Abr 2021

O papel determinante da organização e intervenção junto dos trabalhadores e a luta reivindicativa

por Gonçalo Oliveira

O PCP é a vanguarda da classe operária e de todos os trabalhadores. Um papel que não encaramos como um título, concedido por decreto ou indulgência autoproclamada.

A nossa condição de vanguarda resulta da natureza de classe do PCP, bem como dos seus objectivos supremos que correspondem à missão histórica do proletariado: abolir a sociedade de classes e criar, no seu lugar, uma forma superior de organização social e económica, o socialismo, rumo ao comunismo.

É por isso que o PCP se funde com os trabalhadores, elevando a sua consciência de classe e política, partindo, muitas vezes, da luta em torno de interesses imediatos – como a luta contra o patrão que desregula o horário de trabalho ou não fornece os necessários equipamentos de protecção individual – e combina essa luta com a luta de classes em torno de interesses a longo prazo, contra toda a classe capitalista e Estado burguês.

Na base da intervenção do Partido nas empresas está a luta reivindicativa em torno de problemas específicos e aspirações de trabalhadores que podem ter, ou não, a consciência de que a razão da sua vida sofrida está no sistema capitalista, assente na exploração e opressão de quem trabalha.

Daí decorre que a nossa tarefa enquanto força de vanguarda consiste em organizar e orientar a luta reivindicativa, de forma a possibilitar a convergência com a mais vasta luta de classes. Nesse âmbito há alguns aspectos centrais a considerar, desde logo o reforço da organização do Partido nas empresas e locais de trabalho.

É através de colectivos de camaradas nos locais de trabalho, onde as consequências da exploração capitalista se fazem sentir de forma clara e inconfundível, que o Partido está em melhores condições de dar resposta aos problemas específicos de cada empresa.

É através da organização nas empresas e do conhecimento que se tem das condições de vida e de trabalho de quem lá labora, que o Partido está em condições de melhor intervir no esclarecimento dos trabalhadores.

Intervir mostrando que quando se ganha uma batalha e se conquista um novo direito há que continuar a lutar, há que passar de imediato para a próxima luta.

Desde logo, porque se tal não for feito esses direitos conquistados acabam por ser perdidos.

Mas também porque cada avanço, mesmo que limitado, é uma derrota para o capital, é fonte de ânimo na luta por novas reivindicações e conquistas, cria as condições políticas e sociais para romper com a política de direita, abrindo caminho ao projecto de construção de uma nova sociedade.

E neste contexto que reforçar e rejuvenescer a organização nas empresas assume importância decisiva.

O êxito da campanha nacional do Partido «5 mil contactos com trabalhadores» comprova as potencialidades do recrutamento e integração de novos camaradas no trabalho colectivo.

A partir desta tribuna, ao longo dos três dias de Congresso, foram mencionados vários exemplos concretos do impacto real que tal campanha teve na organização e luta dos trabalhadores.

Um desses exemplos foi o caso do Complexo Industrial de Sines, onde o recrutamento resultou em avanços no plano organizativo, o que permitiu dinamizar a luta na Petrogal e Martifer e conquistar importantes vitórias, o que, por sua vez, incentivou lutas noutras empresas do Complexo e acabou por envolver um grande número de trabalhadores com vínculo precário na acção reivindicativa.

Ouvimos também a descrição do contra-ataque do patronato e da forma hábil como se aproveitou da pandemia, e podíamos pensar que para os trabalhadores despedidos a luta ficou por ali.

Mas não camaradas, a luta continua. Até porque conhecemos uma importante lição histórica – corroborada pela experiência pessoal de cada comunista – que nos diz que participar na luta organizada dos trabalhadores é uma experiência marcante e transformadora.

Entre os trabalhadores que integraram aquelas lutas, lado a lado com os comunistas, muitos terão a sua consciência de classe e política alterada.

Estarão dispostos a encarar este Partido de maneira diferente, capazes de registar a forma como é tratado, por exemplo, nos órgãos de comunicação social.

De ver as insinuações de que o PCP meteu na cabeça uma teoria da conspiração – a ideia peregrina de que a comunicação social está ao «serviço da ofensiva anticomunista» – e entendê-las por aquilo que elas efectivamente são: gato escondido com o rabo de fora.

Serão capazes de tomar a devida nota das ameaças oriundas das torres de marfim do capital, ameaças que, de forma mais ou menos explícita, acabam vertidas nas páginas dos jornais, dando conta que pretendem fazer tudo o que esteja ao seu alcance para nos prejudicar, o PCP, os trabalhadores e o povo.

E o que pensarão esses trabalhadores? Provavelmente algo do género: «deixem-nos pousar»!

Chegar a este ponto da vida política nacional requereu muito esforço e coragem do Partido.

É em momentos como este que o colectivo partidário deve reforçar a sua unidade e mobilização na concretização de objectivos de importância estratégica, tais como a criação de 100 novas células de empresa, de local de trabalho ou de sector, e a responsabilização de 100 novos camaradas por essa área de trabalho, até Março de 2021.

Reforcemos a organização e intervenção do Partido, garantindo presença assídua nas empresas, dando expressão às aspirações dos trabalhadores e dinamizando a luta reivindicativa das organizações de classe dos trabalhadores.

Façamo-lo seguros de que em tal prática está presente a luta pela ruptura com a política de direita e concretização da política alternativa, patriótica e de esquerda.

Viva o XXI Congresso!

Viva o PCP!