Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 289 - Jul/Ago 2007

Valorizar a Greve Geral prosseguir a luta

por Revista «O Militante»

A situação política e as perspectivas da sua evolução estão profundamente marcadas pelo impacto da Greve Geral de 30 de Maio, pela generalizada condenação popular das políticas de direita que ela confirmou e sublinhou, pelo poderoso aviso ao Governo de que terá de contar com a oposição determinada dos trabalhadores e do povo caso não arrepie caminho. Esta foi a maior acção de massas contra o Governo de J. Sócrates e a maior jamais realizada contra um Governo do PS. As forças que apoiam e beneficiam das políticas antipopulares e antinacionais do actual Governo empenharam-se a fundo nesta aguda confrontação de classes. Ao mesmo tempo que silenciavam completamente a convocação da Greve Geral recorriam à velha táctica da cenoura e do cacete para sabotar e dificultar a participação dos trabalhadores. A acção desenvolveu-se em condições particularmente duras e complexas. O leque de ilegalidades, prepotências, cínicas tentativas de aliciamento e divisão, operações de chantagem e coacção sobre os trabalhadores, realizadas em conjunto pelo Governo, patronato e UGT, nunca foi tão amplo. Tudo isto realça ainda mais o grande significado político da Greve Geral e do mais de milhão e quatrocentos mil trabalhadores nela envolvidos, entre os quais muitos milhares de homens, mulheres e jovens que fizeram pela primeira vez greve, enfrentaram corajosamente difíceis situações, deram provas de grande consciência de classe.

O Governo e as forças que o apoiam desencadearam uma enorme operação de contra-informação e propaganda visando diminuir e denegrir a Greve Geral precisamente porque sabem que uma política que afunda cada vez mais o país numa profunda crise económica e social contará necessariamente com o alargamento do descontentamento e da luta popular. É isso que querem impedir. Instrumentalizando os média e manipulando descaradamente números, procuraram e procuram fazer crer que a Greve Geral foi um erro e a sua dimensão um fracasso. Mas mais do que isso, tentam passar a ideia de que não vale a pena lutar e a tese de que os sindicatos estariam em declínio e que formas de luta como a greve se encontrariam ultrapassadas. E cientes do papel insubstituível dos trabalhadores e dos sindicalistas comunistas na construção da unidade da classe operária, no desenvolvimento do sindicalismo de classe e na luta contra o capital e o seu Governo de serviço, jogam no anticomunismo mais primário e intrigam em relação ao PCP e ao seu apoio empenhado e de princípio às lutas dos trabalhadores e das massas populares, para enfraquecer a resistência à sua ofensiva antipopular. Tais intrigas terão a resposta que merecem.

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Tudo isto diz muito sobre a importância da grande jornada de 30 de Maio, sobre o indisfarçável impacto que teve nas esferas do poder, sobre as perspectivas que, na sequência da gigantesca manifestação de 2 de Março e de outras acções de massas, o seu sucesso abre ao alargamento da luta contra as políticas de direita e por um novo rumo para o país conforme com os interesses dos trabalhadores e do povo português.

Neste caminho é necessário trabalhar para derrotar no plano ideológico as campanhas de desinformação e cimentar na consciência dos trabalhadores as justas razões e a grande importância da Greve Geral, incluindo obviamente na consciência daqueles que, apoiando embora os seus objectivos, não fizeram greve. Simultaneamente é necessário tirar desta grande jornada de massas as experiências e ensinamentos que comporte para o reforço da organização sindical, naturalmente, mas muito especialmente para o fortalecimento da organização partidária e da sua ligação à classe operária e aos trabalhadores em geral. Na luta revelaram-se muitos homens, mulheres e jovens que, com a sua combatividade e espírito de classe se mostraram dignos do Partido. É necessário contactá-los rapidamente, dar-lhes a conhecer os princípios e objectivos do PCP, convidá-los para o Partido, inseri-los prontamente num organismo e confiar-lhes tarefas orientadas para o reforço da organização nas empresas e locais de trabalho. As lutas de massas são o terreno mais fértil para o crescimento do Partido e aquelas em que, como a Greve Geral de 30 de Maio, o confronto de classe é particularmente duro, são geralmente as mais promissoras. O que precisamos é de dar provas de iniciativa e audácia.

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A intervenção do Partido nos próximos tempos continuará como sempre determinada pela defesa dos interesses dos trabalhadores e das populações, pelo combate sem tréguas às políticas de direita do Governo do PS e suas gravíssimas consequências, não apenas no plano económico e social - de que são símbolos emblemáticos a maior taxa de desemprego dos últimos vinte anos, o ataque ao SNS e às funções sociais do Estado, a estagnação económica e a divergência de crescimento em relação à União Europeia ou o brutal crescimento das desigualdades - mas no plano do regime político e da soberania nacional, pela luta para criar as condições a uma alternativa que, em ruptura com mais de trinta anos de políticas em favor do grande capital, coloque de novo Portugal no rumo progressista da revolução de Abril.

É por isso que, sem descurar as exigências da necessária intervenção imediata, o colectivo partidário prepara já activamente a Conferência Nacional do PCP sobre as Questões Económicas e Sociais que terá lugar em 24 e 25 de Novembro, com a realização de numerosos debates, encontros, audições envolvendo não só militantes do Partido mas também amigos e democratas preocupados com a grave situação do país. Este é um trabalho sério que só um partido profundamente identificado com os trabalhadores e com a luta do povo português por uma vida mais digna e mais justa está em condições de realizar.

Outras iniciativas recentes como o Encontro Nacional do PCP sobre Cultura, mostram que nenhuma outra força política conhece tão profundamente a realidade nacional e tem propostas tão fundamentadas para a solução dos problemas do país. Não admira. O PCP, mesmo com atrasos e insuficiências que também possui, é o único verdadeiramente empenhado na radical melhoria das condições de vida do povo e na transformação revolucionária da sociedade, o que só é possível com base no conhecimento aprofundado da realidade.

Este traço da natureza e do estilo de trabalho do PCP, que assenta a sua política e o seu Programa revolucionário na análise concreta da sociedade portuguesa e do mundo, revela-se também no que respeita à participação de Portugal na União Europeia e à sua luta contra esta construção dos monopólios e das grandes potências e por uma Europa de paz, progresso e cooperação em que a independência e soberania de Portugal estejam asseguradas. No mês em que se inaugura a Presidência portuguesa da UE e quando o Governo do PS, em articulação com os partidos da direita, se prepara para grandes operações de diversão e mistificação política, mais necessário se torna revisitar os materiais saídos do Encontro Nacional do PCP sobre vinte anos da adesão de Portugal à CEE. Aí encontraremos argumentos fundamentais para a intervenção de esclarecimento que nos é imposta pela tentativa de associar Portugal a um novo e perigosíssimo salto no processo de construção de um bloco imperialista europeu estreitamente associado aos EUA numa política de expoliação e recolonização do planeta. Aí encontramos reforçadas razões para dar mais força ao nosso apoio à manifestação já anunciada pela CGTP para Lisboa, por ocasião da Cimeira da UE de 17/18 de Outubro.