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Karl Marx, Edição Nº 294 - Mai/Jun 2008

Marx, a educação e o sentido da vida

por Pedro Santos Maia

Há num pequeno texto de Karl Marx correspondente às Minutas das Sessões do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores, realizadas em 10 e 17 de Agosto de 1869, pelo menos três tópicos que nos propomos destacar e deixar à reflexão do leitor Há num pequeno texto de Karl Marx correspondente às Minutas das Sessões do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores, realizadas em 10 e 17 de Agosto de 1869, pelo menos três tópicos que nos propomos destacar e deixar à reflexão do leitor (1):

1.    se o humano é um ser complexo e multifacetado, uma educação autêntica do mesmo deve atender a essa mesma complexidade: nos termos do autor, «o trabalho mental deve ser combinado com o corporal, com a ginástica e a instrução tecnológica»;

2.    a defesa de uma indispensável educação pública: nos termos do autor, «A educação deve ser nacional sem ser governamental.»;

3.    a constatação operativa (pró-activa) da extrema complexidade da dialéctica entre as instâncias do social e do educativo; nos termos do autor: «Por um lado, é precisa uma mudança das circunstâncias sociais para criar um adequado sistema de educação; por outro lado, é preciso um sistema de educação já adequado para poder mudar as circunstâncias sociais.» Falámos de acção porque Marx conclui, de um ponto de vista materialista: «Por conseguinte, é preciso começar do ponto em que nos encontrámos.» 



O primeiro tópico é uma demonstração de que a filosofia marxista não é «vazia» na medida em que, nomeadamente, procura dar «uma atenção crítica ao seu significado educativo.» (2)

O segundo tópico, se revela a qualidade crítica do pensamento marxista, mostra também que uma política educativa inspirada no marxismo não é «cega», antes incorpora uma filosofia e valores substanciais e sustentáveis. A educação é um factor de emancipação, é uma causa de humanidade e, como tal, deve transcender as apropriações particularistas e o dispositivo de tutelagem a que habitual e tradicionalmente é reduzida pelas classes dominantes (3).

O terceiro tópico, se reflecte, por um lado, a sensibilidade extrema de Marx para a complexidade dos problemas, revela também que a teoria consequente se projecta na acção e que o marxismo colocou a dialéctica entre teoria e prática num patamar superior de inteligibilidade e concreção. Retomaremos este ponto adiante.



Como é sabido, um dos traços do materialismo dialéctico marxista tem a ver com o facto de estar em íntima conexão com a história e a sociedade, com a política e a acção. Uma apropriação desta concepção liga Marx a uma visão puramente determinista do acontecer histórico e social, a uma espécie de versão secular de uma fé escatológica. Um só exemplo: «Não é, por conseguinte, um acaso que (…) todo o processo da história, segundo a concepção do Manifesto Comunista, corresponda ao esquema geral da interpretação judaico-cristã da história como avanço providencial para um objectivo final cheio de significado. O materialismo histórico é essencialmente, apesar do seu carácter secreto, uma história de realização e salvação em termos de economia social.» (4) Objectivamente, na natureza progressiva das coisas, haveria um conjunto de leis a que os humanos estariam irremediavelmente submetidos, tratando-se então de desempenhar um papel escrito por outrem.

O rigor da análise hermenêutica deve afastar-nos de tais distorções do pensamento marxista. Se em Marx emerge uma concepção inovadora da história, a mesma está também relacionada com o facto de não a entender de uma forma infalível. Se a história não é um caos e contém indícios e recursos de inteligibilidade, é também certo que Marx não deixa de ser sensível à existência de «casualidades», à presença do «acaso». Um dos sintomas deste radica no carácter e temperamento das pessoas, o qual, para Marx, deve ser uma das condições (imprevisíveis) a ter em conta no acontecer histórico. Numa carta dirigida a Ludwig Kugelman, em 17 de Abril de 1871, Marx esclarece: «A história mundial seria, aliás, muito fácil de fazer se a luta fosse empreendida apenas sob a condição de probabilidades infalivelmente favoráveis. Ela seria, por outro lado, de natureza muito mística se as «casualidades» não desempenhassem nenhum papel. Estas casualidades ocorrem elas próprias naturalmente no campo geral do desenvolvimento e são de novo compensadas por outras casualidades. Mas a aceleração e o retardamento estão muito dependentes de tais «casualidades», entre as quais figura também o «acaso» do carácter das pessoas que no início estão à cabeça do movimento.» (5)

Uma prova da relevância dada ao factor individual está no facto de, para Marx, ser muito séria e exigir plena responsabilidade a questão de saber como se pode formar o carácter das pessoas, o que deve ser decisivo para a escolha de uma profissão; em suma, qual é, para cada ser humano individual, o sentido da vida, da sua vida, o seu lugar no universo. Num texto de juventude — Reflexão de Um Jovem Perante a Escolha de Uma Profissão, de Agosto de 1835, não tinha Marx mais de dezassete anos, são abordados alguns destes pontos.

Qual é o sentido da vida? – É, de facto, a questão filosófica central que está subjacente ao texto referido. A resposta do jovem Marx é reveladora de uma divisa que o norteou durante todo o seu percurso. Logo de início, é muito clara a opção que deve presidir à escolha de uma profissão: esta escolha só tem consistência vital, só pode vir a corresponder a uma elevação individual e colectiva, e não ser fonte de inumeráveis frustrações e ilusões, se se constituir como uma resposta a um apelo interior, à «voz mais íntima do coração» (6).

Mesmo num texto de juventude (e ainda com um tom geral religioso), a visão materialista da vida não deixa de se fazer sentir. Diz Marx: «em grande medida, as nossas relações na sociedade já começaram por ser estabelecidas antes de estarmos em posição de as determinar.» (7) Assim, estamos muito distantes da existência de ideais condições de vida que permitissem a escolha da profissão que desejamos. E muito mais distantes estaremos enquanto existirem profissões que reduzem os humanos à situação de «instrumentos servis». Ou seja, vivemos em condições materialmente determinadas, mas, numa parte significativa, podemos nós próprios determinar essas mesmas condições. De qualquer forma, nunca partimos do nada, não trabalhamos no vazio de um mundo ideal; como dirá no texto de 1869 referido acima, precisamos de (re)começar de onde estamos, do ponto em que ficámos. E o Marx de 1835 está naquele ponto em que precisa de equacionar o rumo a dar à sua vida. Como conciliar o individual e o colectivo, a vocação pessoal e o bem da humanidade? – É outra das questões (ou a mesma vista de outro ângulo) que atravessa este texto.

Para Marx, é claro que os dois pólos da questão – indivíduo e sociedade – não podem ser vistos separadamente, pois na verdade existe uma relação dialéctica entre ambos: a sociedade terá sintomas de doença se o indivíduo não se encontrar realizado; por sua vez, o indivíduo, para se realizar, necessita de condições de vida que a sociedade deve promover. Como resolver esta tensão, esta espécie de círculo vicioso? Uma das formas que Marx propõe passa precisamente pela resposta ao desafio da escolha da profissão. A realização individual e o bem da humanidade não podem ser vistos como «dois interesses (…) em conflito», antes pelo contrário:

«A directiva principal que nos tem de guiar na escolha da profissão é o bem da humanidade, a nossa própria realização (Vollendung) (…). A natureza do homem está estabelecida de tal modo que ele só pode alcançar o seu aperfeiçoamento se agir para a realização, para o bem dos seus contemporâneos (…). Se escolhermos uma profissão em que possamos trabalhar ao máximo pela humanidade, não nos poderemos dobrar sob o seu peso porque ele apenas será um sacrifício por todos; não fruiremos então, uma alegria pobre, limitada, egoísta, mas a nossa felicidade pertencerá a milhões [de pessoas]» (8) .

Ou seja, um ser humano que só tenha em vista o seu interesse privado, que tenha uma filosofia de vida completamente egoísta, pode ser, por exemplo, «um grande sábio» ou «um excelente poeta», mas, na verdade, nunca será um grande homem. Para Marx, a realização e felicidade individuais exigem a participação e a contribuição para a realização e a felicidade da humanidade.



Retomemos agora um anterior fio solto da nossa exposição, a partir de um texto escrito por Marx na Primavera de 1845: a terceira tese que dedicou a Feuerbach.

Aí se pode constatar a evolução e o aprofundamento de um pensamento consistente. Dez anos após o escrito liceal juvenil, vemos Marx a procurar desenvolver uma visão materialista da vida de que já dera indícios, mas agora num registo assumidamente revolucionário. É um dado do pensamento materialista que «os seres humanos são produtos das circunstâncias e da educação»; assim sendo, coerente se torna assumir que «seres humanos transformados são portanto produtos de outras circunstâncias e de uma educação mudada». Mas, para o materialismo marxista, esta visão do mundo e da vida está longe de atender à complexidade dialéctica da realidade. Esta obriga-nos a ver o outro lado da questão, obriga-nos a perceber que «as circunstâncias são transformadas precisamente pelos seres humanos e que o educador tem ele próprio de ser educado.»

(Num texto em que rebate os argumentos a favor da censura da imprensa assentes na «tese da permanente imaturidade da espécie humana», dado à estampa no Suplemento ao n.º 130 da Rheinisch Zeitung, com a data de 10 de Maio de 1842, já Marx, a partir da constatação de que «o imperfeito exige educação», se questionara: «Não é a educação também humana e portanto imperfeita? Não se exige também à própria educação [ser objecto de] educação?» (9) )

Quer dizer, é preciso, em simultâneo, uma alteração das circunstâncias, mas também – e uma não é possível sem a outra – uma alteração da natureza e alcance da actividade humana que contribui para essa mesma alteração das circunstâncias; em suma, é necessário um revolucionamento do estado de coisas: «A coincidência do mudar das circunstâncias e da actividade humana só pode ser tomada e racionalmente entendida como práxis revolucionante.» (10) Não como solução miraculosa para os males do acontecer histórico, mas como um processo que é preciso construir e fundamentar em bases sólidas.

Marx tem explicitamente em vista neste texto as propostas político-educacionais do socialista utópico britânico Robert Owen (1771-1858) (11) . De facto, para o Robert Owen de A New View of Society, o problema social parece ser de raiz um problema educativo. Toda a questão da miséria material e espiritual dos humanos parece colocar-se em termos de ignorância, de (in)consciência e do necessário conhecimento para as superar. Um só exemplo para o provar. A dado passo do terceiro ensaio daquela obra, R. Owen apresenta um elenco de «factos» que considera fundamentais. Deles destaco dois. O primeiro consiste no diagnóstico do problema: «todos os homens são assim agora erradamente educados, daí resultando a incoerência e a miséria do mundo.» O segundo consiste na proposta (implícita) de solução para o mal: «a única causa da sua [do mal e da miséria] existência tem sido até agora a ignorância do homem acerca da natureza humana.» (12) Tratar-se-ia, portanto, de conhecer a «natureza humana» e de a educar convenientemente – a partir daí não estaria muito distante «o reino da razão, inteligência e felicidade».

Para o jovem Marx, por mais louváveis que sejam as intenções de Robert Owen, este modo de pensar revela-se insuficiente por não elucidar a raiz do problema. Assim, para Marx, só a práxis revolucionante (e a sua compreensão) estará em condições de poder resolver o nó górdio existente na relação entre o social e o educativo assinalado no nosso inicial ponto 3. Só ela pode fornecer a chave para indicar «uma nova direcção» individual e colectiva, ou seja, romper com a implacável e exploradora lógica do sistema capitalista e encontrar soluções humanistas para a relação entre o capital e o trabalho, para o problema do poder e da propriedade.

A expressão citada é retirada do parágrafo inicial da carta que o jovem (e apaixonado) Marx endereçou de Berlim ao seu pai, em 10-11 de Novembro de 1837: «Há momentos na vida de cada um que são como postos de fronteira assinalando o fim de um período mas ao mesmo tempo indicando claramente uma nova direcção.» (13) Há vários indícios para pensar que também hoje a humanidade se encontra numa situação de encruzilhada, num «momento de transição», tal como o jovem Marx de finais de 37: «Num tal momento de transição sentimo-nos forçados a observar o passado e o presente com o olhar penetrante do pensamento de modo a tornar-nos conscientes da nossa real posição.» (14) O mérito do trabalho e do percurso de Marx radica no facto de ter contribuído decisivamente para indicar «uma nova direcção».

Dessa nova direcção faz parte um desiderato de liberdade e um efectivo e fundamentado esforço de libertação, sem os quais a vida não faz sentido, pois a «falta de liberdade é o perigo real mortal para a humanidade.» (15) Uma liberdade que Marx, neste período de juventude, expunha assim: «a liberdade abrange não somente o que a minha vida é, mas também como eu vivo, não somente que eu faço o que é livre, mas também que eu o faço livremente.» (16) O que, simultaneamente, reflecte e estimula uma concepção em que o viver com os outros assume uma preocupação central, exigindo uma «crítica da terra» e a procura de soluções terrenas para os problemas terrenos e para o sentido do existir.

Nas notas que elaborou sobre a filosofia epicurista, o jovem Marx acusa de inconsistência os que procuram o sentido da vida noutra vida, transferida para um lugar não terreno: «como é inconsistente, nesse caso, esperar a vida outra vez como uma recompensa para a vida, já que para eles a recompensa para a vida é algo qualitativamente diferente da vida. (…) Eles só pretendem desprezar a vida, (…) eles limitam-se a dar a forma de um pedido à sua esperança.» (17)

Para Marx, é aqui pois, neste mundo e na relação com os outros seres terrenos, que o sentido da existência se pode construir e encontrar, que a esperança pode ganhar forma e força efectivas. Saibamos nós não desmerecer do seu legado e exemplo.



Notas:



(1) Disponível, por exemplo, em www.marxists.org/history/international/iwma/documents/1869/education-speeches , com o título «On General Education»; pode-se encontrar uma tradução portuguesa deste texto na seguinte antologia organizada por Roger Dangeville: K. Marx, F. Engels, Critique de L’Éducation et de L’Enseignement, trad. Ana Maria Rabaça: Crítica da Educação e do Ensino, Lisboa, Moraes Ed., 1978, p. 224-6.

(2) Abordámos esta problemática do desenvolvimento omnilateral do homem no estudo «Gramsci, a escola e o ensino da filosofia», in O Professor, n.º 93, Maio/Agosto 2006, III Série, p. 10-17, tomando como ponto de partida alguns passos dos Princípios Básicos do Comunismo de F. Engels e de O Capital de K. Marx.

(3) Na mesma linha de pensamento, Marx, na Crítica do Programa de Gotha, não só atacará a concepção do Estado como «educador do povo», como defenderá: «é de excluir igualmente o governo e a Igreja de toda a influência sobre a escola.» K. MARX, Kritik des Gothaer Programms, 1875, in Marx, Engels, Obras Escolhidas em três tomos, Lisboa/Moscovo, «Avante!»/Progresso, 1985, III, p. 27, trad. José Barata-Moura.

(4) Karl LÖWITH, Meaning in History, 1949; trad. Maria Georgina Segurado: O Sentido da História, Lisboa, Ed. 70, 1991, p. 53. Daí a defender-se a tese segundo a qual o marxismo tem inscrito no seu código genético uma «dedução coerciva totalitária», a distância é curta e fácil de percorrer; veja-se Hannah ARENDT, The Promise of Politics, 2005; trad. Miguel Serras Pereira: A Promessa da Política, Lisboa, Relógio D’Água, 2007, p. 67; citação retirada do estudo «De Hegel a Marx», de 1951.

(5) K. MARX, «Carta a Ludwig Kugelman», 17 de Abril de 1871, in Marx, Engels, Obras Escolhidas em três tomos, Lisboa-Moscovo, «Avante!»-Progresso, 1983, II, p. 458; trad. José Barata-Moura e João Pedro Gomes.

(6) Edição consultada: Karl MARX, «Reflections of a Young Man on the Choice of a Profession», 1835, in Karl Marx, Frederick Engels, Collected Works, Moscow, Progress Publishers, 1975, Volume 1, p. 3-9, trad. Clemens Dutt; doravante: RYMCP.

(7) K. MARX, RYMCP, p. 4.

(8) K. MARX, RYMCP, p. 8-9. Recorremos neste passo à tradução de José Barata-Moura a partir do original alemão, presente em Nikolai Lápine, O Jovem Marx, 1981, Lisboa, Editorial Caminho, 1983, p. 35 – uma obra recomendável para se perceber a formação do pensamento marxista. Para a questão da relação entre o indivíduo e o colectivo, veja-se o conjunto de trabalhos que o n.º 4 da Vértice, II Série, Julho de 1988, lhe dedicou.

(9) Karl MARX, «Proceedings of the Sixth Rhine Province Assembly. First Article. Debates on Freedom of the Press and Publication of the Proceedings of the Assembly of the Estates», 1842, in Karl Marx, Frederick Engels, Collected Works, Moscow, Progress Publishers, 1975, Volume 1, p. 153 e 154; doravante: DFP. Aliás, um dos tópicos recorrentes da sua actividade publicística é precisamente a defesa da liberdade de imprensa: «A imprensa livre é o ubíquo olho vigilante da alma do povo». (Rheinisch Zeitung, n.º 135, 15 de Maio de 1842; citado a partir da mesma fonte, p. 164) O tema está pois, nomeadamente relacionado com a indispensável educação e elevação cultural e intelectual do povo. Num texto do final desse mesmo ano, Marx defende convictamente: «O que faz da imprensa a alavanca mais poderosa para a promoção da cultura e da educação intelectual do povo é precisamente o facto de transformar a luta material numa luta ideológica, a luta da carne e do sangue numa luta das mentes, a luta da necessidade, desejo, empirismo numa luta da teoria, da razão, da forma.» Karl Marx, «The Supplement to n.ºs 335 and 336 of the Augsburg Allgemeine Zeitung of the Comissions of the Estates in Prussia», [Rheinisch Zeitung, n.º 345, 11 de Dezembro de 1842], in Karl Marx, Frederick Engels, Collected Works, Moscow, Progress Publishers, 1975, Volume 1, p. 292.

(10) K. MARX, «Teses sobre Feuerbach», 3, 1845, in Marx, Engels, Obras Escolhidas em três tomos, trad. Álvaro Pina, Lisboa-Moscovo, Ed. «Avante!»-Ed. Progresso, 1982, tomo I, p. 2.

(11) Para uma análise crítica marxista do pensamento deste autor e, nomeadamente, da sua obra A New View of Society (1813-16), veja-se István MÉSZAROS, «Education beyond Capital», disponível em http://resistir.info (23/02/05), trad. T. Brito: «A educação para além do capital», texto correspondente à intervenção na abertura do Fórum Mundial da Educação, Porto Alegre, Brasil, 28/07/04. Em Engels, encontramos considerações menos aceradas sobre o trabalho e o legado de Robert Owen; veja-se, nomeadamente: F. ENGELS, Socialisme utopique et socialisme scientifique, 1880; trad. Álvaro Pina: Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, in Marx, Engels, Obras Escolhidas em três tomos, Lisboa/Moscovo, «Avante!»/Progresso, 1985, III, p. 138-141. Em Lénine, é a visão crítica que prevalece; veja-se, nomeadamente: V. I. LÉNINE, «Sobre a Cooperação», 1923, in Obras Escolhidas em três tomos, Lisboa-Moscovo, Ed. «Avante!»-Ed. Progresso, 1979, tomo III, p. 661. A prova de que o pensamento marxista (ou de inspiração marxista) sobre a temática educativa está vivo e se recomenda pode verificar-se pela consulta de jornais on-line, nomeadamente, o Cultural Logic: An Electronic Journal of Marxist Theory and Practice (disponível em http://clogic.eserver.org) e o Journal for Critical Education Policy Studies (disponível em http://www.jceps.com). Veja-se também, em língua portuguesa, o volume organizado por David Hursh, João Paraskeva e Wayne Ross, Marxismo e Educação – Volume I, Porto, Profedições, 2006.

(12) R. OWEN, A New View of Society, Or, Essays on the Principle of the Formation of the Human Character, and the Application of the Principle to Practice (1813-16), III, disponível em http://cepa.newschool.edu/het/profiles/owen.htm . Existe também tradução portuguesa (em edição bilingue) de Luísa Leal de Faria: Uma Nova Concepção de Sociedade, Braga, Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, 1976; as citações são das p. 208 e 212 desta edição.

(13) K. MARX, «Letter to his Father in Trier», trad. Clemens Dutt, in Karl Marx, Frederick Engels, Collected Works, Moscow, Progress Publishers, 1975, Volume 1, p. 10; doravante: LF.

(14) K. MARX, LF, p. 10.

(15) K. MARX, DFP, [Rheinisch Zeitung, n.º 135, 15 de Maio de 1842], p. 164).

(16) K. MARX, DFP, [Rheinisch Zeitung, n.º 135, 15 de Maio de 1842]. p. 166-7.

(17) K. MARX, Notebooks on Epicurean Philosophy, 3, 1839, trad. Richard Dixon, in Karl Marx, Frederick Engels, Collected Works, Moscow, Progress Publishers, 1975, Volume 1, p. 456. O autor aqui particularmente visado por Marx é Plutarco.