Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

PCP, Edição Nº 312 - Mai/Jun 2011

O 1.º de Maio na história do PCP

por Revista o Militante

«Milhares de trabalhadores correspondendo ao apelo do Comité Regional do Partido e da Comissão Sindical de Lisboa, tomam parte na nossa manifestação de protesto e travam combate com a força pública. Pela primeira vez após a ditadura e sob a nossa direcção, o proletariado vincula o carácter de luta do 1.º de Maio e quebra o ciclo de ferro da proibição das suas manifestações pelos ladrões agaloados que nos governam».  
Foi assim que o «Avante!» de 6 de Junho de 1931, na sua primeira página, noticiou a comemoração do 1.º de Maio em Lisboa, destacando:
«O 1.º de Maio de 1931 em Lisboa, marca uma página brilhante da luta do proletariado contra a burguesia e sela com o nosso sangue a posição de vanguarda do Partido Comunista nesta luta.»

«O nosso Partido convidou o proletariado a manifestar-se apesar da proibição do governo. O proletariado correspondeu admiravelmente a esse apelo concentrando-se no Rossio cerca de 10.000 trabalhadores.»
«A partir das 15 horas várias manifestações foram tentadas sem sucesso, pois rapidamente eram dissolvidos pela força pública. A indignação dos trabalhadores aumentava, porém, cerca das 16,30, rompia decididamente a manifestação, desfraldando bandeiras vermelhas e lançando vivas à União Soviética, ao nosso Partido, etc.» «A polícia interveio tentando dissolve-la à sabrada, mas os grupos de auto-defesa vigiavam e a polícia foi dispersada a tiro. A manifestação engrossava...» «chegaram camionetas com metralhadoras. Ia realizar-se um massacre». «Resultaram desta jornada 4 mortos e 30 feridos...».
Este número do «Avante!» noticia também a comemoração desta jornada no Porto onde, ao apelo do Comité Local do Partido Comunista, a paralisação do trabalho foi quase completa e apesar do aparato bélico com fortes contingentes da polícia, Guarda Republicana, metralhadoras e carros blindados, as manifestações irromperam e o proletariado portuense esteve «senhor da rua», manifestando-se ruidosamente contra a ditadura militar, contra o fascismo «reclamando a libertação dos presos, o cumprimento do horário de trabalho, a liberdade de imprensa, etc.».

São ainda descritas neste «Avante!» as manifestações que tiveram lugar no Algarve, designadamente em Faro, onde «pela primeira vez após tantos anos de miséria e de sofrimento contidos e, por isso sempre agravados, os operários desta cidade vieram à rua dar uma prova da sua vitalidade revolucionária».

Sobre o importante significado deste dia 1.º de Maio de 1931, três questões são de assinalar:
- em primeiro lugar, o ter sido a primeira jornada do 1.º de Maio depois da instauração da ditadura fascista. No mesmo mês de Maio em que Salazar proclamou a teoria do «Estado forte» e que, em seu entender, abrangia o reforço dos poderes do governo, a abolição dos partidos e interdição dos sindicatos, a manutenção da censura, o reforço da polícia e das forças armadas; em segundo lugar, o 1.º de Maio de 1931 ocorreu depois da brutal ofensiva repressiva lançada pelo governo contra os trabalhadores que em 25 de Fevereiro procuraram assinalar a Jornada Internacional Contra o Desemprego; em terceiro lugar, o carácter que assumiu o 1.º de Maio de 1931 esteve estreitamente ligado à reorganização , ainda em curso, do Partido Comunista Português, iniciada a partir da Conferência de Abril de 1929 sob a direcção de Bento Gonçalves e de outros militantes comunistas.

Foi assim em 1931. Seria assim durante as décadas de existência da ditadura fascista.
O apelo lançado ao proletariado de todo o mundo pelo I Congresso da II Internacional, realizado em 1889, em Paris, para que o dia 1.º de Maio passasse a ser assinalado como um dia de luta, o dia da solidariedade dos trabalhadores de todos os países, encontrou eco no coração da classe operária portuguesa que marcou sempre presença, mesmo durante os terríveis anos do fascismo, e que, todos os anos, neste dia, vem para a rua assinalar esta data tão carregada de simbolismo e espírito revolucionário.