Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 320 - Set/Out 2012

Recrutar, integrar e responsabilizar

por Revista o Militante

A situação nacional confirma as análises e prevenções do Partido. Os mais de 36 anos de política de direita destruíram direitos conquistados ao longo de anos de duras lutas e constituíram um verdadeiro ajuste de contas com os avanços alcançados pelos trabalhadores e o povo na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974.

A alternância sem políticas alternativas, a abdicação da defesa dos interesses nacionais e a crescente submissão do país aos interesses do grande capital conduziu os executantes da política de direita à assinatura do Pacto de Agressão com a troika estrangeira como forma de continuar a salvaguardar os interesses da classe dominante à custa dos trabalhadores, do povo e do país. Um programa de medidas que não resolve nenhum dos nossos problemas, agrava-os a todos.

A galopante degradação das condições de vida do povo, o agravamento da exploração e das injustiças, os níveis alarmantes de desemprego, o alastrar da precariedade e a multiplicação de problemas sociais dos trabalhadores e das suas famílias evidenciam a natureza de classe do Pacto de Agressão e a impossibilidade da política de direita resolver os problemas de Portugal e dos portugueses. É cada vez mais ampla a consciência popular de que esta política nos está a afundar.

Quem parar para analisar o mundo que o rodeia facilmente conclui que o capitalismo não só não resolve as suas contradições insanáveis como as agrava a cada dia que passa e que no Portugal que emergiu de Abril as injustiças e as desigualdades são as maiores de sempre. Reforça-se a justeza e a actualidade do projecto comunista e a necessidade da luta por uma sociedade mais justa, livre da exploração.

A gravidade da situação económica e social ajuda a clarificar caminhos e opções, abre grandes potencialidades de recrutamento para o Partido de muitos trabalhadores, jovens, intelectuais, pequenos comerciantes e industriais… o crescimento da consciência das injustiças ajuda à percepção de quem é que sempre defendeu os interesses das camadas sociais atingidas por esta política.

Recrutamento – tarefa de todos

As potencialidades de recrutamento para o Partido estão longe de serem aproveitadas. Diariamente milhares de amigos estão connosco na luta no local de trabalho pelo emprego e pelos salários, na acção na rua ou bairro contra o encerramento dos serviços públicos, na construção e nos turnos da Festa do Avante, nas Autarquias, nas Colectividades… São homens e mulheres que partilham as nossas aspirações, que comungam das nossas propostas e que vêem no projecto e ideal comunista a expressão da sociedade que aspiram. É gente honesta, solidária e trabalhadora, que se tem destacado na luta e que não abdica de lutar e não abdica dos seus direitos a troco de promessas vãs. Têm respeito pelo Partido e até se identificam com ele. Muitos deles – porventura a maioria – só ainda não são membros do Partido porque nunca foram abordados nesse sentido.

A discussão e o tratamento colectivo do recrutamento – a par da responsabilização de cada camarada por esta tarefa – são cruciais para o reforço do Partido. A experiência comprova que os resultados são maiores em organismos que regularmente discutem o recrutamento nas suas reuniões, elaborando listas de amigos a abordar para aderir ao Partido, distribuindo entre os membros do organismo a tarefa de os contactar e fazendo o controlo de execução na reunião seguinte.
A par do levantamento de nomes de homens e mulheres a abordar para serem militantes do PCP, cada organismo deve encarar o recrutamento como forma também de superar as insuficiências com que se depara, como elemento estruturante do reforço da sua organização. Assim, discutir em cada organismo as tarefas e áreas de intervenção que precisam de ser reforçadas – designadamente para tarefas de ligação às massas e de reforço da organização do Partido nos locais de trabalho –, conjugando com a avaliação das características e disponibilidade de cada um, é trabalho decisivo para garantir que a cada novo militante corresponde uma tarefa e a integração num organismo, correspondendo também a mais um passo no reforço da organização.

Mesmo com as exigências da vida profissional e pessoal, um novo membro do Partido encontrará disponibilidade para assumir tarefas que representarão aumento da capacidade de acção e intervenção do Partido. Integrar a célula de empresa contribuindo com a sua reflexão, a sua proposta e a sua experiência para a discussão do Partido, cobrar mensalmente as cotas a uma dezena de camaradas que vive no seu bairro ou freguesia, integrar um colectivo que assegura a distribuição regular da propaganda, por exemplo, na central de camionagem, ou ajudar a criar um colectivo na sua freguesia são tarefas sem grande complexidade mas que em muitos casos só serão concretizáveis por via do recrutamento e do alargamento do núcleo activo do Partido.

Reforçar o PCP, combater a política de direita e o Pacto de Agressão

Num contexto de enormes exigências, onde grandes perigos coexistem com reais potencialidades de avanços, o reforço do Partido deverá ser tarefa natural, integrada no conjunto dos afazeres de cada militante e de cada organismo, que se articula com a preparação do XIX Congresso, que é indissociável da intervenção e luta do Partido, dos trabalhadores e do povo contra a política de direita e pela rejeição do Pacto de Agressão.

Quando se multiplicam os apelos à resignação e as declarações de inevitabilidade deste rumo de desastre há quem erga a voz e empenhe as suas forças na luta pela alternativa, quem assuma com determinação e confiança a rejeição desta caminho e se empenhe na luta pela transformação da sociedade. Àqueles que diariamente nos apresentam como caminho único o empobrecimento do país e do povo para que o grande capital continue a acumular fortunas, o PCP contrapõe a necessidade e possibilidade de uma política patriótica e de esquerda, aponta o caminho da Democracia Avançada e do Socialismo.

No actual quadro, reforçar o PCP é dar força à luta pelo emprego, os salários, a justiça social, a democracia e a soberania. Por isso, aderir ao PCP é rejeitar o afundamento do país, recusar a resignação, ter confiança na luta por uma outra política, por um país mais justo e democrático.

Impõe-se, por isso, que ninguém fique indiferente. À tomada de consciência das injustiças e dos beneficiários desta política é preciso somar acção e luta, é preciso dar o passo e tomar partido, reforçando o PCP, o partido não comprometido com este rumo de desastre e com um património ímpar de luta pela democracia e a liberdade.

Por isso, ser militante do PCP é lutar pela construção da sociedade nova, sem exploradores nem explorados. É lutar contra as discriminações, desigualdades e injustiças sociais. É lutar pela democracia nas suas vertentes política, social, económica e cultural. É rejeitar os 36 anos de política de direita e o Pacto de Agressão, lutar por uma política patriótica e de esquerda, pela Democracia Avançada, enquanto etapa da luta em Portugal pelo socialismo e o comunismo. É ser parte de um colectivo partidário que assume como sua base teórica o marxismo-leninismo, o partido da classe operária e de todos os trabalhadores, patriótico e internacionalista, independente da influência, dos interesses, da ideologia e da política das forças do capital.