Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 322 - Jan/Fev 2013

Do XIX Congresso do PCP ao Centenário de Álvaro Cunhal

por Revista o Militante

O XIX Congresso do Partido Comunista Português cumpriu com honra a sua função de órgão supremo do Partido, aprovando a Resolução Política que traça a orientação para os próximos quatro anos, elegendo o novo Comité Central que dirigirá o colectivo partidário até ao próximo Congresso, dotando o Partido de um Programa actualizado em função das alterações da situação nacional e internacional nos últimos vinte anos: «Uma democracia avançada – os valores de Abril no futuro de Portugal».

Mas o XIX Congresso foi bem mais do que a realização com êxito de um preceito fundamental do funcionamento democrático do Partido. Foi uma magnífica manifestação de unidade, de firmeza, de combatividade, de alegria e confiança. E foi assim porque os seus 1241 delegados, e os milhares de convidados que seguiram e de facto participaram também nos trabalhos do Congresso, viram como suas as propostas feitas e as decisões adoptadas, sentiram que nelas estava de facto plasmada a essência revolucionária do Partido, porque nelas reconheceram a sua própria contribuição e o sentir do colectivo partidário, porque, como trabalhadores e cidadãos atentos e empenhados na vida social, cultural e política do país, nelas viram reflectidos os anseios dos trabalhadores e do povo português, a realidade do país, o sentido da evolução mundial.

Foi assim porque, cumprindo com a palavra dada, o PCP não fechou para um Congresso, que foi preparado e organizado no contexto de grandes lutas populares em que os comunistas estiveram na primeira linha. Foi assim porque, mesmo se aqui e ali houve insuficiências que não podemos nem queremos ocultar, cresceu a participação nas reuniões, debates e assembleias de eleição de delegados, e os textos propostos a debate pelo Comité Central foram enriquecidos por numerosas propostas e observações. Foi assim porque o PCP é um partido diferente, profundamente democrático, em que o Congresso não se reduz aos três dias de assembleia plenária, antes é o culminar de um amplo processo de elaboração e discussão colectiva, do topo à base partidária.

O XIX Congresso foi, para quem teve olhos para ver, uma extraordinária demonstração do empenho persistente e consequente dos comunistas na defesa dos interesses dos que menos podem e menos têm, na solução dos gravíssimos problemas do país, com a apresentação de propostas que dão corpo à política patriótica e de esquerda necessária a Portugal. Foi uma grande manifestação da relação intrínseca entre a componente de classe e a componente nacional da nossa luta. Foi em si mesmo uma lição de patriotismo. E foi também uma tocante manifestação de internacionalismo, com a presença de numerosas delegações estrangeiras de partidos comunistas e de outras forças progressistas e anti-imperialistas e as saudações fraternais na tribuna do Congresso dos camaradas de Timor-Leste, de Cuba, da Palestina e da Venezuela.

Temos razões para estar orgulhosos do Partido que, com o trabalho militante e silencioso de tantos camaradas, ergueu um tal Congresso. Trata-se agora – porque «a luta continua», como foi repetidamente gritado no Pavilhão de Desportos-Cidade de Almada – de levar à prática as suas orientações e decisões:

  • reforçando o Partido, alargando as suas fileiras, estreitando a sua ligação com as massas, intensificando o seu trabalho de unidade com os democratas e patriotas, cuidando da sua unidade e coesão «como a menina dos nossos olhos»;
  • estimulando, promovendo e dirigindo, directamente ou no quadro do movimento sindical e em todas as organizações unitárias, a resistência e a luta dos trabalhadores e das populações contra o pacto de agressão, em defesa das funções sociais do Estado, contra os sinistros projectos de destruição da Constituição de Abril e de reconfiguração do Estado inteiramente à medida dos interesses do grande capital e do imperialismo;
  • preparando as eleições autárquicas desde já, relançando por toda a parte comissões da CDU, envolvendo na constituição das listas o maior número possível de democratas e ligando todo o trabalho pré-eleitoral aos problemas mais sentidos no plano local, regional e nacional;
  • divulgando as decisões do XIX Congresso e esclarecendo todos aqueles a que possamos chegar sobre as razões porque exigimos a demissão do governo e eleições antecipadas, e sobre as propostas do PCP para uma política e um governo patriótico e de esquerda e a possibilidade de o alcançar com o empenhamento popular;
  • popularizando o nosso Programa de «Uma democracia avançada – os valores de Abril no futuro de Portugal», mostrando a possibilidade real, com a luta e o empenho criador das massas populares, prescindir da burguesia exploradora e opressora e reorganizar a sociedade no interesse dos trabalhadores e do povo português e avançar para uma sociedade socialista.

.

Entramos no ano de 2013 solicitados por tarefas particularmente exigentes e a perspectiva de dura luta, mas também animados pelo grande sucesso do nosso XIX Congresso e com fundados motivos de confiança.

Ano que será o do Centenário de Álvaro Cunhal, acontecimento que o Partido assinalará sob o lema «Vida, pensamento e luta: exemplo que se projecta na actualidade e no futuro», com um amplo e diversificado conjunto de iniciativas que se quer digno dessa grande construtor deste Partido que somos e queremos continuar a ser. Uma homenagem, como sublinhou o camarada Jerónimo de Sousa no seu discurso de encerramento do XIX Congresso, «ao homem, ao comunista, ao intelectual, ao artista que, com o seu pensamento e acção política, a sua história pessoal de combate pela liberdade, a democracia e o socialismo é uma referência incontornável para os comunistas mas também para todos os que se inquietam com os problemas da sociedade, a regressão social e civilizacional. Lembramos e honramos a nossa história. Mas projectamos nessas comemorações os seus ensinamentos, a sua obra, o seu exemplo a pensar no futuro.»

De acordo com a Resolução do Comité Central de 1 de Julho que tomou a decisão de comemorar o Centenário de Álvaro Cunhal, «O Militante» dedicará amplo espaço à divulgação da vida, pensamento e obra do camarada Álvaro Cunhal, procurando evidenciar o valor da sua contribuição, inseparável do colectivo partidário a que dedicou a existência, e a sua grande actualidade. Cada um dos seis números que publicará durante o ano será consagrado a um tema central começando neste número de Janeiro/Fevereiro pelo tema da independência e soberania nacional. Naturalmente que são bem vindas propostas que, tendo em conta evidentes limites de espaço, contribuam para que esta publicação, destinada em primeira linha aos quadros do Partido, cumpra a sua função o melhor possível.

.

No começo do novo ano que se anuncia de intensa e dura luta para derrotar a violenta ofensiva contra as condições de trabalho e de vida dos portugueses e por uma política e um governo patriótico e de esquerda, o colectivo de «O Militante» formula aos seus leitores e a todos os militantes do Partido os melhores votos. E a todos lança um apelo: divulguemos «O Militante», levemo-lo a muitas organizações onde ainda não chega, angariemos novos assinantes, contribuamos com críticas e sugestões para que cumpra cada vez melhor com as suas responsabilidades na batalha das ideias.