Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 326 - Set/Out 2013

Moribundo mas perigoso - É urgente derrotá-lo!

por Revista o Militante

Este número de O Militante sai a público precisamente quando se abre a 37.a edição da Festa do «Avante!». Comecemos então por saudar todos aqueles que – organizadores, divulgadores, construtores e participantes – tornam realidade aquela que, sendo um fruto de Abril e expressão da natureza popular e revolucionária do PCP, é de facto, ano após ano, a mais bela e massiva manifestação política e cultural do nosso país.

Uma Festa que mostra bem a quem a visita e desfruta sem preconceitos que, ao contrário do que pretende a lenga-lenga fascizante de que «os partidos são todos iguais», o PCP é um partido realmente diferente, pelos valores e ideais que defende, pela vida democrática e militância desinteressada que pratica, pelos interesses de classe que representa e defende, pelo seu projecto de transformação socialista da sociedade, pela política alternativa e a alternativa política, patrióticas e de esquerda, que propõe ao povo português.

Nesta Festa as comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal têm um lugar destacado, desde a abertura no Palco 25 de Abril com um Concerto Sinfónico que lhe é dedicado, à Exposição sobre a sua vida e obra que ocupa lugar de honra no Pavilhão Central. Este será mais um importante momento de um vasto conjunto de iniciativas que tem tido lugar de Norte a Sul do país, que irão ter o seu ponto alto com o Comício-Festa no Campo Pequeno em 10 de Novembro, data em que se completarão cem anos sobre o nascimento daquele que foi o mais destacado construtor do Partido e o principal artífice do derrube do fascismo e da Revolução de Abril. Nunca é demais insistir na importância da obra de Álvaro Cunhal e no seu exemplo de vida, não apenas para os comunistas mas para os trabalhadores e o povo português. E sublinhar que se não trata de evocar algo de exemplar e valioso que, merecendo ser recordado, teria entretanto feito o seu tempo, pertenceria ao passado, mas de algo a que a vida deu e dá razão e cujas experiências e ensinamentos são de flagrante actualidade e de grande valor para a nossa luta do presente.

Todas as edições da Festa do «Avante!», cada uma com as suas características próprias, desempenham um papel importante na actividade do Partido, na construção da sua unidade, na sua ligação às massas, na sua afirmação como grande força nacional simultaneamente patriótica e internacionalista, na projecção da sua mensagem política e ideológica.

Tendo em conta a gravíssima situação económica e social do país e a violenta ofensiva anti-popular e anti-nacional em curso, esta 37.ª edição da Festa reveste-se de uma particular importância e é chamada a contribuir para impulsionar a luta dos trabalhadores e das massas populares que é necessário intensificar após o período de verão, e a constituir ela própria uma forte manifestação de confiança combativa.

O facto de a Festa coincidir praticamente com a abertura da campanha para as eleições autárquicas de 29 de Setembro deve estar bem presente no nosso trabalho. Vamos sair da Quinta da Atalaia directamente para a acção de propaganda e esclarecimento em torno das listas e propostas da CDU. E isto numa campanha que não dispõe dos meios técnicos e financeiros de outras forças políticas, muito superiores às do PCP e seus aliados, além de que contam também com as suas posições no aparelho de Estado a todos os níveis, com o férreo controlo da comunicação social, com as pressões e chantagens do poder económico. Lutaremos para que a lei se cumpra, combateremos arbitrariedades e discriminações, nenhum direito e instrumento jurídico deve ser menosprezado. Mas o essencial da nossa intervenção assenta na superioridade da obra feita pela CDU e na justeza do programa com que se apresenta ao eleitorado. Para divulgar bem tal obra e tal programa junto das populações há que promover uma campanha política de massas e realizar uma acção de «formiguinha» nos locais de residência e de trabalho, o contacto directo e o diálogo com as pessoas, o apelo ao espírito crítico e à inteligência dos eleitores. Assim fazendo ampliaremos seguramente tanto a percentagem eleitoral como o número de eleitos da CDU, dando uma contribuição valiosa para o combate contra a política de empobrecimento dos portugueses e destruição do país praticada pelo Governo do PSD/CDS com o apoio do Presidente da República e perante a cumplicidade de um PS que se recusa a romper com o Pacto de Agressão e está sempre voltado para convergências e entendimentos com a direita.

Foi a resistência e a luta dos trabalhadores e das populações, persistente e diversificada, que, desmascarando a natureza de classe anti-popular e anti-nacional do Governo PSD/CDS e minando a sua base social de apoio, colocou na ordem do dia a demissão do Governo, a dissolução da Assembleia da República e a realização de eleições antecipadas, como condição necessária para abrir caminho à solução dos problemas do país.

Foi a luta, com destaque para a Greve Geral de 27 de Junho, que agudizou as contradições no seio da coligação e do Governo, que, com sucessivas demissões de Ministros e Secretários de Estado, entrou em coma profundo de que foi temporariamente salvo pelo Presidente da República e a colaboração do PS para o burlesco peditório de «salvação nacional», e que conta uma vez mais com o colaboracionismo da UGT alinhada com o grande patronato para o embuste de «concertação social».

Será a luta que porá finalmente fim ao governo recauchutado que aí está, agarrado ao poder como uma lapa para, custe o que custar, levar o mais longe possível o seu programa de saque e destruição, como está a fazer em relação aos trabalhadores da Função Pública, aos professores e aos reformados, com os ataques ao Serviço Nacional de Saúde, à Escola Pública e ao Sistema de Segurança Social, ou com as anunciadas privatizações dos CTT, da TAP, das Águas de Portugal, da própria Caixa Geral de Depósitos, o banco público que está a ser sabotado e progressivamente desmantelado.

O degradante espectáculo a que temos assistido por parte da classe dominante e da elite dos seus serventuários e envolvendo todos os partidos do chamado «arco da governação» (PS, PSD e CDS), é bem significativo. Mas atenção. Não é nem neutro nem inocente o papel da comunicação social no tratamento folhetinesco de criminosos cambalachos como os swap ou as PPP, ou sobre os insultuosos rendimentos de tal ou tal governante. Não podemos deixar que desviem a nossa atenção do essencial.

E o essencial não é a demissão de tal ou tal Ministro ou Secretário de Estado, mas do governo no seu conjunto e, sobretudo, a derrota da sua política de classe, cada vez mais descaradamente ao serviço do grande capital nacional e estrangeiro.

Uma política que, sendo expressão da crescente financeirização do capital e da acentuação das tendências rentistas, especulativas, parasitárias e decadentes do capitalismo como sistema mundial, tem motivações especificamente nacionais de autêntica vingança de classe, visando desmantelar até aos alicerces tudo quanto ainda persiste da Revolução de Abril, dos seus valores e das suas conquistas.

É esta política e o moribundo mas perigoso Governo do PSD/CDS que a aplica que é urgente derrotar e enterrar. Reforçando a organização e intensificando a luta.