Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Efeméride, Edição Nº 331 - Jul/Ago 2014

Nos 100 anos da I Guerra Mundial

por Jorge Cadima

No dia 28 de Julho deste ano cumpre-se um século do início da I Guerra Mundial, uma guerra que ficou conhecida apenas pela designação de Grande Guerra – até que 25 anos mais tarde o capitalismo europeu desencadeou um segundo grande conflito bélico, de ainda maiores proporções. A Grande Guerra foi o reflexo das rivalidades inter-imperialistas entre as maiores potências do seu tempo. Travou-se sobretudo no teatro europeu e alterou profundamente o mapa político, levando à derrocada de quatro grandes impérios que haviam marcado o mundo durante décadas, ou mesmo séculos: o Império Austro-Húngaro, o Império Czarista na Rússia, o Império Alemão, criado após a reunificação da Alemanha em 1871, e o Império Otomano. Mas se a I Guerra Mundial marcou o fim dum velho mundo, haveria também de ser o catalizador dum acontecimento que marcou para sempre a História da Humanidade: a grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia, que assinalou a entrada em cena dos povos como actores de primeiro plano da História e o primeiro grande passo para a libertação da Humanidade das sociedades baseadas na exploração de classe.

A carnificina

A I Guerra Mundial foi uma enorme carnificina que durou mais de quatro anos. Embora as estimativas difiram, o número total de mortos, civis e militares, terá rondado os 20 milhões. As potências em confronto eram quase todas europeias, «cristãs», «civilizadas»: de um lado a Inglaterra, a França, a Rússia czarista e, mais tarde, os EUA (e também a jovem República portuguesa); do outro a Alemanha, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano. As décadas que antecederam a guerra foram assinaladas por enormes avanços no plano científico, industrial e cultural. Mas tudo isso também significou que as máquinas de guerra se tornaram mais devastadoras, com consequências mais mortíferas para os povos. Um ainda jovem Winston Churchill descreveu a barbárie da I Guerra Mundial nos seguintes termos: «diferiu de todas as guerras modernas na total falta de escrúpulos com que foi travada. Todos os horrores de todos os tempos foram reunidos, e não apenas os exércitos, mas povos inteiros, foram neles lançados. […] Todas as infâmias contra a Humanidade ou o Direito Internacional eram retribuídas com represálias numa escala frequentemente maior e de mais longa duração. Nenhuma trégua ou conversação mitigava o conflito dos exércitos. Os feridos morriam entre as linhas: os mortos desfaziam-se nos solos. Navios mercantes e navios neutrais e navios hospital eram afundados nos mares e todos quantos estavam a bordo eram abandonados à sua sorte, ou mortos enquanto nadavam. Fizeram-se todos os esforços para submeter nações inteiras pela fome, sem preocupação de idade ou sexo. Cidades e monumentos eram destroçados pela artilharia. Bombas foram lançadas a partir do ar de forma indiscriminada. Gases tóxicos, sob muitas formas, sufocavam ou queimavam os soldados. Fogo líquido era atirado sobre os seus corpos» 1. O imperialismo estreava o pleno poderio da sua moderna máquina bélica. Mas a descrição do horror que tanto marcou os povos europeus no início do Século XX haveria de se tornar aterradoramente comum nas décadas seguintes. Até aos nossos dias.

As causas

É Lénine e o sector mais consequente do movimento operário – do qual viria a nascer o movimento comunista – que produz a análise mais profunda consequente para explicar a Grande Guerra e toda a sua «barbárie civilizada». Sabendo ler para além dos aspectos de conjuntura, dos pretextos invocados, das aparências de momento, Lénine dá uma lição de aplicação criativa dos conceitos teóricos fundamentais do marxismo à realidade do seu tempo, e utiliza essas ferramentas teóricas para explicar aquilo que outros têm descrito como o «sonambulismo» com que as principais potências europeias caminharam inexoravelmente rumo ao grande conflito de 1914-18. Longe de estar a dormir, já em 1912, dois anos antes da guerra eclodir, o Congresso de Basileia da Internacional Socialista (então ainda ligada ao movimento operário) preveniu contra o perigo real de eclosão duma guerra e apelou à luta contra a catástrofe que se avizinhava.

É em plena guerra (1916) que Lénine escreve a sua obra clássica «O Imperialismo, fase superior do capitalismo», onde sistematiza a análise que permitia compreender a real essência dos acontecimentos que então se viviam. Para Lénine, a guerra era indissociável do sistema capitalista na sua fase imperialista. Com palavras que podem surpreender pela sua actualidade, Lénine escrevia em 1915 2: «O imperialismo é o grau superior de desenvolvimento do capitalismo, atingido apenas no século XX. O capitalismo passou a sentir-se apertado nos velhos Estados nacionais, sem cuja formação ele não teria podido derrubar o feudalismo. O capitalismo desenvolveu de tal modo a concentração que ramos inteiros da indústria foram açambarcados pelos consórcios, trusts e associações de capitalistas milionários, e quase todo o globo terrestre está dividido entre esses “senhores do capital”, sob a forma de colónias ou enredando países estrangeiros com os milhares de fios da exploração financeira». Mas Lénine chamava a atenção para o facto desta tendência para a expansão gerar inevitavelmente conflitos entre as potências imperialistas, tanto mais quanto «a desigualdade do desenvolvimento capitalista é uma lei absoluta do capitalismo» 3. A Alemanha – que chegara tarde à unificação nacional – deixara-se atrasar em matéria de colonização, mas era a potência que mais depressa crescia no plano económico, e exigia o seu «lugar ao sol» das grandes potências imperialistas, o que lhe era negado pelas velhas potências, sobretudo Inglaterra e França. Referindo-se à ideia – já então agitada por alguns – de criar uns «Estados Unidos da Europa», Lénine afirmava: «Os Estados Unidos da Europa, no capitalismo, equivalem ao acordo sobre a partilha das colónias. Mas no capitalismo é impossível outra base, outro princípio de partilha que não seja a força. […] E a força muda no curso do desenvolvimento económico. Depois de 1871, a Alemanha fortaleceu-se umas 3-4 vezes mais rapidamente do que a Inglaterra e a França, o Japão umas 10 vezes mais rapidamente que a Rússia. Para comprovar a verdadeira força do Estado capitalista, não há, nem pode haver outro meio que não seja a guerra. A guerra não está em contradição com as bases da propriedade privada, mas é um desenvolvimento directo e inevitável destas bases. No capitalismo é impossível o crescimento uniforme do desenvolvimento económico das diferentes economias e dos diferentes Estados. No capitalismo são impossíveis outros meios de restabelecimento de tempos a tempos do equilíbrio alterado que não sejam as crises na indústria e as guerras na política» 4. Eram estas as razões de fundo que conduziram ao grande conflito bélico de 1914-18. O que não significa que, então como hoje, os pretextos invocados para procurar justificar as guerras não fossem mais «humanitários». Escrevia Lénine que «a mistificação mais comum do povo pela burguesia na presente guerra é o encobrimento dos seus objectivos de pilhagem com a ideologia da “libertação nacional”. Os ingleses prometem a liberdade à Bélgica, os alemães à Polónia, etc. Na realidade, como vimos, esta é uma guerra entre os opressores da maioria das nações do mundo pelo reforço e o alargamento dessa opressão» 5.

A guerra, o movimento operário e a Revolução de Outubro

Apesar da clara oposição à guerra entre os trabalhadores da Europa e apesar de os sindicatos e partidos operários constituirem na altura um forte movimento de massas, ao qual estavam associados milhões de trabalhadores, em particular nas grandes concentrações industriais (cujo papel era vital, até mesmo para a condução da guerra), o desencadeamento da I Guerra Mundial não provocou na generalidade dos partidos de raíz operária a reacção a que a Conferência de Basileia havia apelado. Na maioria dos países, os partidos sociais-democratas colocaram-se ao lado dos seus governos, votando os créditos de guerra ou entrando mesmo para os governos. Lénine escreveu: «Os socialistas de todo o mundo declararam solenemente em 1912 em Basileia que consideravam a futura guerra europeia como uma empresa “criminosa” e reaccionaríssima de todos os governos, que devia acelerar a derrocada do capitalismo, gerando inevitavelmente a revolução contra ele. Começou a guerra, começou a crise. Em vez da táctica revolucionária, a maioria dos partidos sociais-democratas aplicaram uma táctica reaccionária, colocando-se ao lado dos seus governos e da sua burguesia. Esta traição ao socialismo significa a falência da II Internacional (1889-1914)» 6. A esta traição opuseram-se poucos partidos (com destaque para o Partido Operário Social-Democrata Russo de Lénine) e alguns sectores minoritários de importantes partidos (como Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo no Partido Social-Democrata Alemão, que pagaram com a prisão a sua oposição à guerra). Foi esta batalha contra a guerra imperialista que lançou as sementes do que, poucos anos mais tarde e já sob a influência enorme da Revolução de Outubro de 1917, viria a ser o nascimento do movimento comunista internacional. Analisando as causas desta situação, Lénine escreveu: «Durante toda a época da II Internacional decorreu por toda a parte uma luta no interior dos partidos sociais-democratas entre a ala revolucionária e a ala oportunista. […] As condições objectivas de fins do século XIX reforçavam particularmente o oportunismo, transformando a utilização da legalidade burguesa em servilismo para com ela [...]. A guerra acelerou o desenvolvimento, transformando o oportunismo em social-chauvinismo, transformando a aliança secreta dos oportunistas com a burguesia numa aliança aberta. Além disso, as autoridades militares decretaram por toda a parte a lei marcial e a mordaça para a massa operária, cujos velhos chefes se passaram, quase sem excepção, para a burguesia» 7.

Fiel à orientação definida em Basileia, os bolcheviques tomaram posição firme contra a guerra e lutaram pelo derrube revolucionário, do czarismo primeiro, e do governo burguês que prosseguiu a guerra após o derrube do czarismo na Revolução de Fevereiro de 1917. A História mostrou de forma clara que a perspectiva revolucionária não era uma posição aventureirista ou desligada duma avaliação correcta das possibilidades que se abriam à medida que o arrastamento da guerra agravava a crise e crescia o descontentamento popular. A vitória da Revolução de Outubro de 1917 confirmou a justeza da orientação e da avaliação da correlação de forças criada. O impacto trascendental da primeira experiência histórica de construção do socialismo na História da Humanidade torna incontornável essa conclusão.

O fim da guerra e as sementes das crises futuras

Sob o impacto directo da Revolução de Outubro, a crise revolucionária provocada pela guerra chegou em Novembro de 1918 também à principal das Potências Centrais: a Alemanha. Começando no dia 5, no porto de Lübeck, conselhos revolucionários de operários, marinheiros e soldados amutinados tomam o controlo das principais cidades alemãs incluindo, no dia 9, Berlim, onde é proclamada a República. O Kaiser é forçado a abdicar e no dia 11 é assinado o armistício. Também na Alemanha, as massas populares entraram em cena como actores da História, pondo fim à guerra. Mas a incipiente revolução alemã viria ser esmagada pela violência e pelo terror. Tendo sido chamado pelos restos da velha ordem a formar governo, o chefe do Partido Social-Democrata Alemão (SPD) Ebert dedicou-se a «controlar e travar a revolução» nas palavras do historiador britânico Nigel Jones 8. William Shirer, no seu livro Ascensão e queda do III Reich 9, concorda: «O dirigente social-democrata e o número dois do Exército alemão estabeleceram um pacto que, embora não fosse do conhecimento público durante muitos anos, iria determinar o destino da nação. Ebert concordou em esmagar a anarquia e o Bolchevismo […]. O Exército Alemão foi salvo, mas a República, no próprio dia do seu nascimento, foi perdida. Os generais […] nunca a serviram com lealdade. E no fim, dirigidos por Hindenburgo, entregaram-na aos Nazis».

O homem de mão que «desempenhou o papel chave para inverter o curso da revolução alemã» (nas palavras de Jones) foi o «veterano do SPD Gustav Noske […] que exemplificava a disposição da maioria dos dirigentes Socialistas para trair os seus seguidores revolucionários, entregando-os nas mãos do militarismo e da reacção» 10. Ao longo de dois anos (1918-20), a revolução alemã foi esmagada no sangue, por milícias de voluntários criadas a partir dos soldados desmobilizados, mas enquadradas por antigos oficiais do Exército (Reichswehr), que eram conhecidos como Freikorps. O historiador Jones (que não é amigo dos revolucionários alemães), estima em 20 000 o número de vítimas mortais da repressão contra-revolucionária, incluíndo vítimas de bombardeamentos directos sobre bairros operários. Entre as vítimas desta repressão sangrenta contam-se Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo, que em 30 de Dezembro de 1918 haviam participado na fundação do Partido Comunista Alemão (KPD). O jovem e ainda pequeno Partido encontrou-se desde logo no meio dum turbilhão revolucionário para o qual não estava preparado. Eis como Jones descreve a manifestação de 5 de Janeiro de 1919, convocada pelo KPD e pelos sociais-democratas de esquerda do USPD: «milhares e milhares de trabalhadores inundaram Berlim, provenientes dos subúrbios circundantes. Às duas da tarde o centro da capital era um vasto mar de humanidade, ombro a ombro, enchendo a Siegesalle, o Tiergarten, a avenida Unter den Linden, a Schlossplatz e a Alexanderplatz. A multidão imensa ultrapassava todas as anteriores manifestações na capital; nem mesmo nos exaltantes dias de Novembro, Berlim tinha visto algo assim. Estimativas conservadoras da dimensão da multidão falavam em 700 000 pessoas. Muitos entre eles estavam armados; todos estavam furiosos com a 'traição' da direcção do SPD e prontos para a acção. […] No dia seguinte as massas obedientemente encheram as ruas mais uma vez. A multidão juntou-se numa escala ainda maior do que na véspera» 11. Apesar de ocupações de vários pontos da capital, não houve um assalto aos centros de poder. E nos dias seguintes Noske e os seus Freikorps desencadearam uma contra-ofensiva sangrenta. Os locais ocupados pelos manifestantes eram tomados pela força. «Os defensores espartaquistas que não foram mortos na acção foram capturados e mortos a tiro a caminho da prisão – uma antevisão sinistra de muitos assassinatos análogos nos brutais dias seguintes». A recuperação da capital «foi organizada como se Berlim fosse uma capital inimiga ocupada» 12. A 15 de Janeiro, Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo foram presos e assassinados. Os chefes do SDP que ajudaram a criar os Freikorps estavam a gerar o monstro que mais tarde haveria de liquidar também o SPD. Jones chamou ao seu livro «O Nascimento dos Nazis: como os Freikorps abriram caminho a Hitler», documentando como os combatentes dos Freikorps foram o núcleo do qual viriam a sair mais tarde as tropas de choque nazis.

As potências capitalistas vencedoras da I Guerra Mundial impuseram à Alemanha um humilhante Tratado de Versalhes que, além de lhe retirar as colónias e parte do seu território europeu, a obrigava a pagar reparações de guerra avultadas. A Alemanha foi enredada na teia das dívidas à grande banca internacional. A hiperinflação e a ruína da pequena e média burguesia nos anos do pós-guerra foram seguidos pelos efeitos devastadores da grande crise do capitalismo de 1929. Foi neste contexto que, também na Alemanha, foi criada a base de massas para o ascenso do nazi-fascismo. Como escreve ainda Jones 13: «As classes e castas dominantes da Alemanha, Itália, França e Grã Bretanha estavam aterrorizadas pelo espectro da revolução proletária que surgiu na Rússia […] O perigo era tanto maior dada a crise económica que se seguiu ao enorme esforço de guerra. […] O perigo muito real da revolução Comunista produziu uma reacção imediata entre as classes médias, que assumiu a forma de diversas variantes de fascismo». O rescaldo da Grande Guerra lançou as sementes da II Grande Guerra que rebentaria em 1939.

A I Guerra Mundial e os nossos dias

O mundo mudou muito no século que decorreu desde a eclosão da Grande Guerra. Mas as lições de há 100 anos permanecem de grande actualidade. Se na segunda metade do século XX o papel decisivo da URSS e dos comunistas na derrota do nazi-fascismo criaram uma nova correlação de forças mundial que contribuiu para o progresso social, a libertação nacional e a paz mundial, as vitórias contra-revolucionárias do final desse século trouxeram de novo à ribalta importantes semelhanças com o período que antecedeu a I Guerra Mundial. A nova vaga de expansão imperialista (agora denominada «globalização») e o surgimento de novas potências, com uma nova arrumação de forças no plano económico que não corresponde já à arrumação de forças no plano político, sugerem pontos de contacto com as rivalidades de há um século. Se é verdade que essas rivalidades assumem hoje formas específicas, e que a História não se repete de forma mecância, seria errado ignorar os antecedentes históricos. Tanto mais quanto a profunda crise do capitalismo mundial que eclodiu em 2008, acrescenta novos elementos de profunda instabilidade, tal como aconteceu nas vésperas de II Guerra Mundial.

A Humanidade vive hoje de novo sob o espectro de catástrofes provocadas por um sistema sócio-económico baseado na exploração, na agressão e na guerra. Mas na História não há acontecimentos pré-determinados, nem desenlaces inevitáveis. Aos trabalhadores e povos do mundo cabe a última palavra.

Notas

(1) Churchill, W., The World Crisis, 1911-1918, A Four Square Book, 1964, p. 8 (o original foi publicado em vários volumes entre 1923 e 1927).

(2) Lénine, V. I., O socialismo e a guerra. Obras Escolhidas em Seis Tomos, Tomo 2, p. 231, Edições «Avante!», 1984.

(3) Lénine, V. I., A palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa, Obras Escolhidas em Seis Tomos, Tomo 2, p. 271, Edições «Avante!», 1984.

(4) Lénine, V. I., A palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa, op. cit., p. 270. Lénine acrescenta: «Naturalmente são possíveis acordos temporários entre os capitalistas e as potências. Neste sentido são possíveis também os Estados Unidos da Europa, como acordo dos capitalistas europeus... sobre quê? Unicamente sobre como esmagar conjuntamente o socialismo na Europa, defender conjuntamente as colónias roubadas contra o Japão e a América».

(5) Lénine, V. I., O socialismo e a guerra, op. cit., p. 244.

(6) Idem, p. 239.

(7) Idem, p. 239.

(8) Jones, N., The birth of the Nazis – How the Freikorps blazed a trail for Hitler. Robinson, 1987.

(9) Shirer, W., The rise and fall of the Third Reich, Arrow Books, 1998, p. 54.

(10) Jones, N., op. cit., p. 21.

(11) Idem, p. 56-8.

(12) Idem, p. 68.

(13) Idem, p. 108.