Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 337 - Jul/Ago 2015

Com a força do povo

por Revista «O Militante»

A Marcha Nacional «A Força do Povo», de 6 de Junho, constituiu um acontecimento de extraordinária importância política. Um acontecimento que vale por si, pela participação ao apelo da CDU de mais de 100 000 pessoas de todas as idades e condições sociais que, dando expressão às numerosas lutas que têm tido lugar de norte a sul do país, manifestaram vigorosamente a sua condenação da política de direita.

A Marcha Nacional «A Força do Povo», de 6 de Junho, constituiu um acontecimento de extraordinária importância política. Um acontecimento que vale por si, pela participação ao apelo da CDU de mais de 100 000 pessoas de todas as idades e condições sociais que, dando expressão às numerosas lutas que têm tido lugar de norte a sul do país, manifestaram vigorosamente a sua condenação da política de direita. Mas que vale sobretudo pelo impulso que deu ao prosseguimento, com redobrada confiança, à luta por uma alternativa patriótica e de esquerda. Tendo no horizonte a realização de eleições para a Assembleia da República, e aberta à participação de todos os democratas e patriotas, a Marcha foi uma clara expressão da capacidade de mobilização e do apoio popular à CDU, coligação do Partido Comunista Português com o Partido Ecologista «Os Verdes» e milhares de homens e mulheres sem partido, mostrando que a CDU é a força capaz de assegurar a dinâmica unitária e popular indispensável à derrota da política de direita e a uma viragem política que garanta um futuro melhor aos portugueses.

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A designação escolhida para a Marcha tem um profundo significado. Reflecte a linha de massas que sempre caracterizou a acção revolucionária dos comunistas portugueses, o papel decisivo das massas populares no processo de transformação social. Temos de ter sempre bem presente em todos os momentos da nossa luta que são as massas populares o grande protagonista do processo histórico, e que, mesmo em tempos de refluxo e quando as circunstâncias se conjugam para gerar ilusões e situações de alienação, seria mortal perder a confiança no poder criador das massas trabalhadoras.

Não há lugar para qualquer dúvida: será a força do povo que cedo ou tarde derrotará décadas de política de direita e alcançará a alternativa que inverterá o rumo de violento retrocesso social e de desastre nacional resultante da política contra-revolucionária de restauração monopolista e imperialista que se abateu sobre o Portugal de Abril.

Bem pode a classe dominante usar o seu poderoso sistema de condicionamento mediático e ideológico para insistir dia após dia, à boa maneira goebbeliana, na propaganda da alternância sem alternativa assente no binómio PS/PSD-CDS, fingindo ignorar a existência de uma alternativa real, assente nas exigências de desenvolvimento e de afirmação soberana do país. Bem podem silenciar-se, numa autêntica operação de censura que lembra tempos de triste memória, os objectivos e eixos fundamentais do Programa Eleitoral do PCP, apresentados em 26 de Maio pelo camarada Jerónimo de Sousa e o amplo processo de audições com que esse Programa está a ser construído, porque, embora dificultando, não conseguirá impedir que ele faça o seu caminho como bandeira de luta e perspectiva de solução para os graves problemas que afectam o povo português. A base material em que assenta o Programa do PCP – «Uma democracia avançada, os valores de Abril no futuro de Portugal» –, de que o Programa Eleitoral a apresentar publicamente em 7 de Julho será expressão, é uma realidade que a propaganda da classe dominante não altera, envolve contradições de classe que exigem urgente superação, tal como propõe a orientação transformadora e revolucionária do PCP. Acção que exige perseverança, solidez de convicções e confiança dos comunistas na classe operária e nas massas, e na força da sua intervenção organizada.

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O quadro político é muito exigente. Ao mesmo tempo que o governo PSD/CDS, com o apoio descarado do Presidente da República, prossegue a sua senha destruidora de direitos e conquistas e se verga sem vergonha diante das exigências do FMI e da UE de descarada intensificação da exploração e opressão nacional, o PS faz malabarismos para apagar as suas responsabilidades na grave situação do país (nomeadamente nos PEC e no Pacto de Agressão que, conjuntamente com o PSD e o CDS, assinou com a troika) e apresentar-se como alternativa. A realidade porém é que o PS social democrata e os partidos da direita, em Portugal como por essa Europa fora, coincidem nas questões essenciais e as diferenças são apenas de estilo e de ritmo. A campanha para apresentar o PS como força de oposição de esquerda apenas visa prosseguir o estafado jogo da alternância e dificultar a afirmação da única e verdadeira alternativa, a que é protagonizada pelo PCP com os seus aliados da CDU. E ao mesmo tempo que se alimenta uma artificial bipolarização do quadro político, sucedem-se sem pausa autênticos «folhetins» em torno das mais variadas questões procurando descentrar o debate político dos mais urgentes problemas do povo e do país que funcionam como grandes operações de diversão ideológica.

As ideias de que não há para o país outro caminho que não seja o do prosseguimento da política ditada pelas instâncias de articulação internacional do capitalismo – pela OCDE, FMI, União Europeia, Banco Mundial – e de que, sejam quais foram os resultados das eleições, o rumo não pode ser alterado são, além de erradas e perversas, profundamente anti-democráticas e anti-nacionais. São concepções da classe dominante de um sistema que vive a mais profunda e prolongada crise desde a grande depressão que precedeu a Segunda Guerra Mundial, que não vê outro caminho para defender o seu poder que não seja a intensificação da exploração e, para sufocar a resistência e a luta dos trabalhadores e dos povos, o ataque crescente às liberdades e direitos democráticos fundamentais e à soberania nacional, num quadro em que os sectores mais reaccionários e agressivos jogam cada vez mais no fascismo e na guerra como «saída» para os impasses e contradições do sistema. As declarações que têm sido produzidas pelo Governo e Presidente da República em apoio às incríveis e humilhantes exigências da UE e do FMI à Grécia são particularmente significativas da mentalidade reaccionária, anti-democrática e anti-patriótica, da classe dominante portuguesa.

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As eleições para a Assembleia da República são sem dúvida a principal batalha política que temos diante de nós. Estamos a prepará-la com afinco. Temos, entretanto, a Festa do Avante! em 4, 5 e 6 de Setembro, uma iniciativa que vale por si como ímpar realização de confraternização e de luta, expressão viva do modo de ser deste partido de classe que somos e queremos continuar a ser, mas que adquire este ano particular importância pois ela será de facto a primeira grande afirmação do PCP e seus aliados da CDU na marcha para a batalha das eleições. E temos claro, como tarefa de sempre, permanente, que nenhuma outra pode secundarizar, a construção do Partido, levando à prática orientações concretas que visam o seu reforço particularmente aquelas que dizem mais directamente respeito à identidade revolucionária e à natureza de classe do PCP, ao seu enraizamento na classe operária e em geral entre os trabalhadores, ao fortalecimento das células de empresa e local de trabalho. Lutamos para derrotar a política de direita e por uma alternativa patriótica e de esquerda e as próximas eleições representam uma importante batalha nesta luta. O PCP está pronto a assumir todas as responsabilidades que o povo português lhe atribua, incluindo responsabilidades de governo. Em qualquer caso, por experiência própria e alheia, bem sabemos que tais responsabilidades só poderão ser exercidas de modo consequente se assentarem num partido sólido e articuladas com a intervenção dos trabalhadores e o apoio das massas. É com profunda convicção que, empenhados nas tarefas de fortalecimento do Partido, afirmamos que é na «Força do Povo» que reside a chave da alternativa por que lutamos.