Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Internacional, Edição Nº 363 - Nov/Dez 2019

A HUAWEI sob o fogo dos EUA

por Francisco Silva

1. O Governo dos EUA contra a HUAWEI

Desde meados de Maio de 2019 que a guerra do governo dos EUA contra a Huawei atingiu novos e inusitados níveis. De facto, a Huawei foi então incluída na Lista de Entidades do BIS (Bureau of Industry and Security) do Departamento de Comércio dos EUA. Isto veio na sequência da Ordem Executiva (EAR) do Presidente Donald Trump sobre Segurança nas TICs e dos [relacionados] Serviços da Cadeia de Suprimentos (Executive Order on Securing the Information and Communications Technology and Services Supply Chain). Entre outras coisas a Huawei (e uma lista bem grande das suas filiais) banindo-a da área das comunicaçãoes dos EUA, em particular enquanto fornecedora de equipamentos aos operadores de telecomunicações. Isto inclui também negócios com as empresas norte-americanas (e por arrasto outras), sobretudo as múltiplas participantes na cadeia de suprimentos (supply chain) da Huawei, num total de «biliões» de dólares (milhares de milhões «à americana» são os ditos «biliões»). E mediática, e não apenas mediaticamente, o alvo constantemente referido é a 5G 1.

Aliás, já desde 2012 – em tempos da Administração Obama – os operadores de telecomunicações dos EUA foram «fortemente encorajados na busca de outros fabricantes» já que a Huawei e também a outra grande fabricante chinesa, a ZTE [a quarta maior fabricante do mundo em telecomunicações móveis em seguida à Huawei, à Ericsson e à Nokia 2], «não eram de confiar de não estarem sob influência de um estado estrangeiro [RP da China] e por isso colocarem ameaças de segurança aos EUA e aos seus sistemas».

É interessante referir que, em audições de Outubro de 2012, no Comité de «Inteligência» do Congresso dos EUA, a Huawei e a ZTE 3 foram acusadas de falta de transparência, inclusivamente por se recusarem a comunicar os nomes dos membros do Partido Comunista da China a trabalharem nas suas companhias.

Entretanto a ZTE, que durante anos vendera um número apreciável de smartphones nos EUA, foi acusada pelo governo dos EUA de ter vendido equipamentos incorporando tecnologia americana ao Irão e esteve quase a soçobrar após um pagamento de multa bilionária àquele País. Enfim, a ZTE sobreviveu e encontra-se em fase de recuperação.

É interessante referir que, por essa altura, também um operador da China, a Unicom, retirou equipamentos da norte-americana CISCO por representar um perigo de segurança para as infraestruturas da China.

A operação de contenção da Huawei por parte dos EUA está no terreno pelo menos desde 2012. Desde então a Huawei só podia fornecer equipamentos de rede a operadores dos EUA de dimensão regional; em relação aos seus smartphones não foram sinalizados problemas.

Também foi noticiado, ainda em finais de 2018, que os contratos em fase final de negociação entre os maiores operadores norte-americanas – a AT&T e a Verizon – e a Huawei para vendas de smartphones tinham sido cancelados. Aqueles operadores terão tido certezas que os problemas envolvendo o fornecimento de equipamentos de rede da Huawei, por motivos de segurança, não se colocavam para os smartphones da Huawei. Mas tiveram que desistir dessa ideia.

E tanto a AT&T como a Verizon têm mais que suficiente capacidade técnica para entenderem as questões de segurança e são companhias responsáveis. Isto levanta a questão de entender melhor o que está na base das decisões dos EUA, que têm em conta os pareceres dos seus serviços de informações (CIA, NSA, etc.), os quais, pelos vistos, terão discordado do entendimento daquelas empresas.

A prisão da responsável financeira de topo e Vice-Presidente Executiva da Huawei, Meng Wangzhou, no Canadá, a solicitação de um tribunal dos EUA, em Dezembro de 2018, quando fazia ligação para um voo para o México em Vancouver, veio confirmar que a estratégia de contenção estava bem viva. Meng foi acusada de ser membro de um Conselho de Administração em Hong Kong, uma década atrás, de uma filial da Huawei que teria vendido um computador americano ao Irão, contrariando as leis dos EUA. Meng encontra-se em prisão domiciliária em Vancouver sujeita a um processo de extradição para os EUA, o qual poderá levar anos a chegar à sua conclusão.

A detenção de Meng ocorreu em simultâneo com uma reunião bilateral entre os Presidentes da China e dos EUA em Buenos Aires por ocasião de uma reunião do G20. Pondo de parte qualquer suspeição de coincidência destes dois acontecimentos, é de não esquecer que, na altura, o Presidente Trump prometeu que interviria nesta questão se tal trouxesse vantagens incluindo comerciais para os EUA (diferentemente do PM Trudeau do Canadá que disse não ter a ver com um assunto de Justiça).

Esta nova fase do processo em que a Huawei foi incluída na Lista de Entidades do BIS (Bureau of Industry and Security) do Departamento de Comércio dos EUA corresponde à entrada numa fase já não tanto de mera contenção mas de tentativa de aniquilamento desta empresa, como já foi dito. Isto aconteceu após um primeiro trimestre de 2019 em que a Huawei tinha mostrado um progresso surpreendente em termos de receitas, em particular na 5G e nos smartphones, não obstante a pressão diplomática posta pelos EUA tanto na área da UE, como nos países dos «cinco olhos» 4 e outros. Ter-se-à, portanto, imposto um aprofundamento do combate contra a Huawei por parte do governo dos EUA.

É claro que tais acções por parte do Estado norte-americano parecem ter alicerces profundos na sua estratégia de Defesa. Recentemente o debate orienta-se para considerar o material da Huawei como sendo equivalente a equipamento militar básico para a ciberguerra – comprar tecnologia Huawei é semelhante a comprar caças chineses... E a China é considerada de facto como o inimigo número um dos EUA. A pergunta feita aos parceiros da NATO é se é aceitável adquirir equipamentos Huawei quando existe, por exemplo, o acordo que não devem ser comprados caças chineses.

Estas ideias aberrantes para o público em geral nem por isso têm pouca influência, antes pelo contrário, quando vindas das autoridades do mais poderoso Estado do Mundo. É por isso que existe uma imensa pressão para desmontar todo o equipamento Huawei existente nas redes de telecomunicações, custe isso muitos ou poucos biliões de dólares. Mais, as empresas dos EUA e dos países da NATO deveriam patrioticamente aceitar tais prejuízos. E atrasos correspondentes de alguns anos. E a desqualificação das suas próprias infraestruturas em comparação com as da China!

2. Mas afinal o que é a Huawei?

Mas afinal o que é a Huawei para ser considerada como um perigo tão grande pelos EUA? Uma empresa que, como recentemente um membro da equipa de topo do Presidente Trump afirmou numa entrevista, quebrá-la é um objectivo muito mais importante e prioritário que os objectivos de toda a guerra comercial dos EUA contra a China!

A Huawei tornou-se recentemente, e com grande rapidez – umas três décadas passadas da sua fundação –, numa empresa líder a nível mundial no contexto do seu sector: redes de telecomunicações móveis e fixas (é a líder da 5G a nível global, como já o vem sendo do 4G/4,5G), smartphones, redes/soluções empresariais, etc. Continua a expandir-se no sector de consumo (computadores, smartwatches).

A Huawei ultrapassou os 100 mil milhões («biliões» à maneira «americana») de dólares de receitas em 2018 – quando em 2009 ainda ia abaixo de 25 biliões. Está a investir 15 biliões de dólares por ano em I&D, isto é bem mais de 10% das receitas. Tem quase 190 000 trabalhadores, dos quais cerca de 80 000 na área de I&D. Na «Global Fortune 500» de 2018 a Huawei estava no 61.º lugar em termos de receitas a nível mundial, todos os sectores considerados; estavam à frente da Huawei as maiores petrolíferas e bancos, a empresa de distribuição Wal Mart, a maior do mundo, e a Amazon; os maiores entre os fabricantes de automóveis como a VW e a Toyota; e empresas afins como a Apple, a Samsung, as operadoras AT&T, Verizon, China Mobile, a T-Mobile (pertencente ao grupo Deutsche Telekom); com um volume de negócios semelhante à Huawei estava a Microsoft.

No Ocidente, o sector de fabricantes de telecomunicações tem estado em decadência. É quase como se não existisse nos EUA, em particular na área rádio. As duas empresas a seguir à líder mundial Huawei são europeias: a Ericsson e a Nokia, cada uma delas com cerca de ¼ das receitas da Huawei. A seguir, em tamanho de fabricantes de infraestruturas de rede, vêm a já referida empresa chinesa ZTE e a Samsung.

É uma situação confrangedora, em particular para quem escreveu este texto, habituado durante décadas à força incomparável das multinacionais europeias e norte-americanas do sector. Um vendaval que passou pelo sector. Isto é um tópico que merece um tratamento específico.

Nos smartphones, depois da Samsung e da Huawei até há pouco vinha a Apple, e logo de seguida entre as maiores as empresas chinesas Xiaomi, Oppo, Vivo... completando o rol das seis primeiras empresas mundiais. Entretanto, no segundo trimestre de 2019, a Oppo também passou à frente da Apple, que caiu para o quarto lugar.

Um dos argumentos do governo dos EUA contra a Huawei (para além de alegados problemas de segurança, que são os fundamentais) é o dos roubos de propriedade intelectual – poucos exemplos, antigos, enfim uma afirmação genericamente com pouca comprovação. Na verdade, pelo contrário, a Huawei já registou quase 90 000 patentes em todo o mundo, das quais só em 2018 foram registadas 5405 na Europa – grande parte delas tendo a ver com a 5G. Aliás, a Huawei tem sido uma das maiores «produtoras» de patentes, como se pode depreender de uma consulta aos dados da WIPO (World Intelectual Property Organization). E terá sido por isto que Bolton (ex-conselheiro de segurança do Presidente Trump), quando se apercebeu destes factos, mudou de rumo e referiu que a Huawei tinha muita propriedade intelectual para poder obrigar os seus compradores nos EUA a pagarem preços muito elevados.

De facto, as patentes essenciais para a implementação de produtos com base em standards, como é o caso da 5G, na prática geral da Indústria são negociadas em termos baixos, isto é, sob condições FRAND (Fair, Reasonnable And Non-Discriminatory). Para as patentes não essenciais cabe a cada fabricante desenvencilhar-se, inovar, com as suas próprias patentes...

Aliás, parecerá estranho que uma empresa de um país como a China, até há bem pouco dito do Terceiro Mundo, uma empresa como a Huawei, bem como outras empresas chinesas, tenha adquirido esta posição num sector de ponta, de alta tecnologia, etc. Refira-se, por exemplo, outras empresas chinesas como a Alibaba na área do comércio electrónico, a Baidou, a «Google» chinesa, a Tencent, à qual pertence a rede social Wechat, bem maior que a WhatsApp, e com funcionalidades bem mais avançadas (tudo pode ser e é comprado através dela por centenas de milhões de utilizadores!). Mas voltando à Huawei, ela é mais conhecida mundialmente até pela ajuda da guerra que os EUA lhes estão a mover... Um sector que é a menina dos olhos do Ocidente, em particular dos EUA e do seu «Silicon Valley», foi igualado quando não ultrapassado pela China – como é o caso da Huawei nas infraestruturas de telecomunicações e também em termos de qualidade nos smartphones; uma empresa criada numa China, pois, país desprezado como terceiro mundista, copiador, roubador de propriedade intelectual, etc. Sim, não só isto se passa com a Huawei como está a acontecer com todo um vibrante e poderoso sector das tecnologias da informação e comunicações da China.

No caso da Huawei, das várias questões a considerar uma primeira é o facto de em 190 000 trabalhadores cerca de 100 000 compartilharem a propriedade da empresa com iguais quotas. Deve ser referida a excepção de que o fundador Ren Zhengfei detém 1,14% do valor da empresa 5 6. A sua Associação de Trabalhadores elege um «colégio eleitoral» que escolhe os órgãos sociais da empresa, incluindo o Conselho de Administração da Huawei.

Talvez por isso a Huawei não sofre do síndroma de corrosão do trabalho, ou do desinteresse generalizado por parte dos trabalhadores na empresa em que estão, corrosão assinalada desde há tempos pela Sociologia do Trabalho norte-americana. Se bem que ocorram casos de saída da empresa, como é próprio dos mercados de trabalho onde está inserida – nuns 140 países em todo o Mundo –, a cultura empresarial é forte.

Não estando cotada em Bolsa, a Huawei não está sujeita aos mecanismos habituais de subidas e descidas de cotação das acções o que tem constituído uma vantagem para a empresa. Não tem estado sujeita a cortes avassaladores de pessoal, em particular na área de I&D, cortes que têm, noutros casos, dizimado as empresas do sector. Assim, o combate que lhe tem sido feito pelo governo dos EUA não tem tido para já as consequências desastrosas próprias das empresas cotadas em Bolsa. Além disso, a Huawei, devido à sua rápida ascensão, não tem tido necessidade de capital externo para os seus investimentos em particular na área da I&D, tanto a própria como em geral a C&T externa em termos do estabelecimento de projectos com universidades na China e no Mundo.

Uma outra característica-chave dos processos produtivos actuais é a extrema internacionalização em termos dos módulos que constituem os produtos. Isto é, os produtos são fabricados com base na inserção em complexas cadeias de suprimento, seja de componentes e materiais diversos, tanto hardware como software, seja mesmo de I&D, outra vez quer de hardware quer de software, cadeias inextricavelmente tecidas globalmente.

Por exemplo, é conhecido o facto dos biliões de dólares que famosas empresas dos EUA (também elas fabricando em diversas partes do mundo...) como a Intel, a Qualcomm, a Google, etc., vendem à Huawei anualmente. Acontece então que o combate do governo dos EUA à Huawei tem, deste logo, especiais consequências negativas para empresas muito importantes da economia americana, como já foi referido, para além de provocar em geral reacções um pouco terramóticas nas cadeias globais de suprimento, mas também dificilmente determináveis.

Este é um pau de dois bicos. Com efeito, a Huawei, envolvida nesta guerra pelo governo dos EUA, terá que, para efeitos de sustentabilidade, ajustar as suas cadeias de suprimento... de facto, a Huawei não é apanhada descalça, tanto em termos de hardware como de software. Por exemplo, a sua subsidiária Hi Silicon tem já uma capacidade para desenvolver e fabricar uma série crescente de microchips... que não constituem uma exclusividade da indústria dos EUA.

Finalmente, uma outra ordem de consequências, também já referida atrás, tem a ver com o impacto nos operadores de telecomunicações que não possam considerar a Huawei como uma potencial fornecedora para as suas redes de telecomunicações. Em consequência, estes têm um restringido número de opções em termos de qualidade e de preço. Isto já acontecia com os maiores operadores dos EUA – AT&T, Verizon, Sprint, T-Mobile nos EUA – e também, pelo menos, com a Austrália, já desde o tempo da Administração Obama, altura em que os serviços de informações dos EUA se opuseram, como foi dito, por razões de segurança nacional, ao aprovisionamento desses operadores com sistemas Huawei.

Recentemente, já foi noticiado que mesmo os próprios operadores regionais dos EUA que têm incluído nas suas redes sistemas Huawei vão ter que desactivá-los e vão ser para tal subsidiados pelo governo dos EUA.

3. Perspectivas para o futuro

Se bem que, como foi referido, seja uma opinião com peso nos círculos dirigentes dos EUA, a de que as empresas que estão a ser prejudicadas com este combate dos EUA contra a Huawei e em geral na guerra comercial contra a China deverão patrioticamente aguentar as consequências negativas, de que esta é a maneira de conter e vencer a China, a verdade é que os grandes campeões económicos têm pressionado o governo dos EUA no sentido de aliviar os grandes inconvenientes de que estão a sofrer. No caso da guerra contra a Huawei são muitos os biliões de dólares de perdas dessas empresas para além do risco real de se tornarem menos relevantes.

Uma das empresas que já mais tem sofrido é a Apple, a maior empresa em valor bolsista dos EUA e do Mundo. A Apple já vinha a perder velocidade com os seus Iphones, em particular no maior mercado do mundo que é precisamente a China. A decisão de Maio de 2019 do governo dos EUA resultou num sobressalto nacionalista adicional na China a favor da Huawei e em desfavor da Apple.

A ordem recente do Presidente Trump para que as empresas dos EUA abandonem a China constitui outro factor adicional.

Por sua vez, a Huawei decerto não fica imune a este ataque dos EUA e nos próximos anos deverá ter que desenvolver uma estratégia que a ajude a sair vitoriosa desta guerra. Mais nos próximos capítulos, esperemos para ver.

Notas

(1) A velocidade de transmissão de informação na 5G é pelo menos dez vezes maior que a da 4G e 10 000 vezes superior à da 2G/GSM, a primeira geração móvel digital; isto, para um consumo energético da mesma ordem de grandeza. Contudo, os custos operacionais da 5G representam apenas um décimo dos custos de operação da 4G. Com a 5G o número de conexões possíveis por Km2 é muito mais elevado, permitindo uma enorme conexão de equipamentos (coisas); os tempos de latência, isto é, de velocidade de resposta da rede, são muito baixos, da ordem dos milisegundos.

(2) A «actual» Nokia é um conglomerado empresarial incluindo partes de antigas grandes fabricantes de telecomunicações para além das sobras finlandesas da Nokia (uma vez que esta, entretanto, alienou o sector de telemóveis, que era o maior do mundo então, para a Microsoft, a qual na sequência o encerrou) – isto é, a Nokia inclui hoje, entre outros, o antigo poderoso sector telecomunicações da alemã Siemens, a francesa Alcatel e a norte-americana Lucent (a fabricante descendente da antiga AT&T, durante boa parte do século XX a maior organização mundial das telecomunicações).

(3) A ZTE é outra fabricante chinesa do mesmo sector (há mais), a quarta maior do mundo – depois da Huawei, Ericsson e Nokia. A seguir à ZTE vem a coreana Samsung, a quinta fabricante mundial de redes móveis.

(4) Estados Unidos, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido.

(5) 1,14%, se bem que possa ser considerado uma percentagem mínima do valor da empresa, agora que a Huawei adquiriu uma dimensão imensa corresponderá a um valor da ordem das muitas dezenas de biliões de dólares. A atitude do fundador em termos de propriedade do capital da Huawei grangeou-lhe um grande prestígio na Huawei, o qual corresponde a uma influência na companhia bem para além daquela percentagem no capital.

(6) A avaliação do valor do capital da Huawei não pode ser feita à maneira das outras empresas similares, de um modo geral cotadas em Bolsa (mesmo as outras empresas chinesas acima referidas, com ou sem participação no capital do Estado, como a ZTE). Contudo, estimativas aproximadas podem ser efectuadas.