Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Juventude, Edição Nº 369 - Nov/Dez 2020

Rumo ao XXI Congresso, a juventude tem Partido!

por Inês Rodrigues

É com confiança que caminhamos rumo ao XXI Congresso do nosso Partido que tem como lema «Organizar, lutar, avançar – Democracia e Socialismo». Hoje, como ontem, o trabalho junto da juventude é exigente e particular e neste artigo procuramos o significado para a juventude e a JCP de cada uma das palavras (de ordem) que constroem o lema do XXI Congresso.

Organizar

A juventude é uma camada social heterogénea, com características próprias e um grande potencial transformador, assim o temos afirmado repetidas vezes. A tarefa de a unir e organizar comporta, por isso, simultaneamente várias possibilidades e exigentes desafios.

Desde a fundação do PCP que existem jovens comunistas organizados, ainda que a sua forma de organização se tenha adaptado às necessidades de cada tempo. Hoje, a organização revolucionária da juventude em Portugal é a Juventude Comunista Portuguesa.

A JCP afirma-se, desde a sua fundação em 1979, como a organização juvenil do PCP e a sua principal ligação às massas e ao movimento juvenil. Entretanto, pelo elevado grau de autonomia que a organização detém, permite que seja ela própria parte integrante desse movimento juvenil, uma parte destacada, particularmente animada e dinamizadora de um movimento geral reivindicativo e interventivo.

Podemos afirmar que a JCP é fundamental na medida em que permite aferir, de forma próxima e tão real, o sentimento que se vive nas ruas, escolas, faculdades e em alguns locais de trabalho. Sem esse conhecimento teríamos muito mais dificuldade em organizar a juventude em torno das questões concretas da sua vida.

«Um papel e acção que, desenvolvendo-se no quadro geral da orientação do Partido, assume linhas de trabalho, organização e direcção próprias que, desde o XX Congresso, trouxe à JCP novos militantes, a par dos muitos que participam com a JCP no movimento juvenil e na sua luta.» (Ponto 3.5.7. das Teses – Projecto de Resolução Política)

Todos os jovens que possam vir até à JCP são poucos para reforçar a sua actividade. Não havendo nenhuma regra que diga que os jovens comunistas têm de estar sempre todos organizados na JCP, é essencial que cada jovem que chegue à JCP ou ao Partido seja organizado tendo em consideração a sua ocupação, o lugar onde passa a maior parte do seu tempo e onde, por consequência, melhor consegue intervir, influenciando e elevando a consciência social e política de mais jovens. Assim, fará sentido que um jovem esteja organizado no seu colectivo de escola ou no local de trabalho, podendo contribuir para a reflexão da JCP e do PCP, intervindo e lutando pela satisfação das suas reivindicações concretas.

Há uma lição que a realidade atesta: a de que é no combate diário a partir da realidade que conhece melhor e onde o embate com as injustiças e problemas ocorre que o jovem comunista apreende o verdadeiro significado da sua condição, as exigências e dificuldades bem como as potencialidades reais de transformação social através da luta organizada.

Isto não quer dizer que os jovens que estão organizados na JCP não se devem inscrever no Partido e intervirem nas suas organizações, antes pelo contrário.

Admitindo que cada caso é um caso, é particularmente importante a articulação entre os responsáveis da JCP e os do Partido por questões da juventude nas regiões, procurando desenvolver em cada jovem a formação como quadro, na intervenção sobre questões concretas, nos colectivos de escolas, no local de trabalho, não obstante a premência de tarefas mais imediatas.

Ademais, quanto mais forte estiver a JCP, em melhores condições estaremos de intervir no movimento juvenil e certo será que maior será o peso e a identificação da juventude com o Partido que a defende.

Aqueles que, tendo como prioridade de intervenção o trabalho da JCP, também pertencem a comissões de freguesia, comissões concelhias ou até organismos de direcção regional, dão o seu contributo para a discussão concreta das tarefas do Partido, não só informando sobre a realidade da juventude de um determinado concelho ou região, mas também contribuindo com a sua opinião e reflexão sempre que possível.

Pelas necessidades impostas à JCP e pelo quadro político em que a JCP intervém, têm influência na vida da organização e em todas estas suas características, factores como a grande flutuação de quadros, o que exige uma grande capacidade regeneradora. O desconhecimento, as dúvidas e em alguns casos incompreensões entre quadros e militantes do Partido quanto ao trabalho e intervenção da JCP e a sua real influência num determinado concelho ou região são naturais e não dispensam, antes exigem que a articulação entre a JCP e o Partido seja muito cuidada para reconhecer e entender a forma como a JCP se organiza, o tipo de intervenção que tem e, sobretudo, para tentar apoiar sempre e onde seja possível essa intervenção. A identificação de nomes de jovens a recrutar é fundamental, mas, mais do que isso, a transmissão das experiências de intervenção, do apoio na prossecução das linhas de trabalho definidas pelas organizações da JCP, as informações da situação concreta de determinada escola ou local de trabalho são condições para que a intervenção da JCP seja bem sucedida.

É por isso pertinente regressar a estas questões quando o XXI Congresso se aproxima, pois temos na juventude uma grande e ampla camada cujos interesses, objectivamente, confluem com a política alternativa, patriótica e de esquerda, e quando a capacidade, dinâmica e espírito reivindicativo do movimento juvenil reclama uma JCP também ela capaz e dinâmica.

O XXI Congresso é também um momento especial para todos os jovens comunistas. Coincidindo com a primeira fase de preparação do Congresso, encontrámos grandes desafios relacionados com o momento que estávamos a viver, com escolas e faculdades fechadas pela epidemia, com naturais dificuldades de contacto com os militantes, que, todavia, não impediram diversas reuniões da JCP enquadradas nessa primeira fase de discussão. Momentos que valeram tanto pelo conteúdo, como pelo que representaram para a vitalidade da actividade da organização nos meses seguintes.

Lutar

A instabilidade naturalmente associada à vida da juventude é agravada pelo capital que investe largos esforços na ofensiva multiforme contra os direitos e aspirações dos jovens e que cedo viu no surto epidémico uma oportunidade de agravar a exploração.

Ofensiva, desde logo, contra quem trabalha, quando em Março, assim que se sentiram os sintomas de mais uma crise, os primeiros a ficar sem trabalho foram os que tinham vínculos laborais mais frágeis e precários, como são exemplo os 200 trabalhadores da Continental Mabor que foram despedidos, grande parte deles jovens trabalhadores, comprovando, infelizmente mais cedo do que tarde, as consequências nefastas das recentes alterações à legislação laboral, nomeadamente do alargamento para 180 dias do período experimental.

Mas também contra os estudantes, quando no ano lectivo anterior, muitos que não tinham computador ou outras condições materiais em casa, que foram deixados para trás, tiveram de fazer exames nacionais; ou ainda os muitos que já tiveram de abandonar o Ensino Superior devido ao corte nos rendimentos das suas famílias e à insuficiência da resposta da Acção Social Escolar.

Nenhum destes ataques foi aceite sem luta e resistência. O 1.º de Maio organizado pela CGTP-IN em todo país com forte participação juvenil ou a recente acção dos estudantes de mestrado da FCUP (Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) em frente à reitoria contra o aumento das propinas, são exemplos. Distanciados fisicamente, mas unidos pela luta e pela reivindicação concreta, os jovens, estudantes e trabalhadores, lutaram contra o vírus dos exames nacionais; pelo investimento na Escola Pública que permita o acesso a aulas presenciais em segurança; pelo fim da propina em todos os ciclos de ensino do Ensino Superior; por mais e melhor Acção Social Escolar; pelo direito à Habitação e ao alojamento estudantil público; pelo fim da precariedade; pela proibição dos despedimentos; pelo aumento dos salários. Hoje, como sempre, é indispensável a sua intensificação.

É também neste quadro de acção e luta que a juventude prepara o Congresso e esse é mais um seu elemento distintivo. A juventude encontra neste momento tão central da vida do Partido, espaço para discutir os números assustadores a que chegou o desemprego jovem; o direito à educação e à saúde; a luta da juventude de todo o mundo pela paz, contra as alterações climáticas e a destruição dos recursos do Planeta, contra a ofensiva do imperialismo e contra todas as discriminações.

Nas reuniões e plenários afirma-se, sobretudo, uma discussão ligada à vida, nas várias esferas que esta comporta. Uma discussão que não é estéril nem finda em si mesma, mas que aponta caminhos de reforço da organização, da intervenção e da luta.

Concretizar esse caminho é o desafio que se coloca e, no rescaldo do início de um novo ano lectivo, muitos são os desafios colocados à juventude e à intervenção da JCP. A juventude encontra na preparação do XXI Congresso do Partido e nas suas Teses – Projecto de Resolução Política um espaço de reflexão dos seus problemas e anseios e uma alavanca necessária para, reconhecendo o momento particularmente difícil que vivemos, encontrar colectivamente soluções criativas que permitam intensificar a luta que urge travar em cada escola, faculdade e local de trabalho.

Avançar

A publicação das Teses criou uma dinâmica de valorização e divulgação deste documento junto da juventude, de «corrida às Teses» em vários Centros de Trabalho do Partido, como de divulgação nas redes sociais, expressão da alegria característica dos jovens que, em muitos casos, pela primeira vez participam e conhecem em toda a profundidade a democracia interna do Partido e da JCP.

Para tal, foi determinante termos desbravado caminho, persistido na iniciativa, vencido medos e reforçado militâncias ao longo dos últimos meses, com consequência no aumento do número de reuniões para discussão das teses que temos já planeadas para esta terceira fase.

Está claro que da leitura e discussão das Teses por centenas de jovens comunistas, da dinâmica sem paralelo de construção do Congresso, se retiram lições, se formam quadros mais bem preparados para intervir. Importa então utilizar toda essa energia na intervenção e trabalho diário, também aqui a palavra de ordem é AVANÇAR!

Reconhecendo o facto de nunca termos parado, principalmente quando os trabalhadores e o povo mais precisavam de nós, muitos jovens tomam Partido. Convictos de que, face a todas as inevitabilidades que lhes querem fazer aceitar, é possível avançar na melhoria das suas condições de vida, por um mundo mais justo.

Muitos sentem que o sistema não lhes serve tão exposta ficou a sua natureza agressiva e predadora. Compreendem que o capitalismo não é verde e revoltam-se com o inabalável aumento das grandes fortunas ao passo que milhões eram condenados ao desemprego sem apelo nem agravo. Percebem os perigos e o recurso do sistema às lógicas mais reaccionárias, ao fascismo e à guerra.

«É justo por isso colocar como tarefa unir a juventude considerada globalmente. Uma tal orientação não significa porém que se considere a juventude como uma força social estranha à divisão da sociedade em classes e que se esqueçam as contradições e interesses de classe que estão também presentes nos problemas, nos interesses, na vida, na actuação e nas diferenciações da juventude. Quando este Congresso abordou os interesses comuns, sentimentos comuns, as aspirações comuns, da juventude como força social, deu justo relevo ao desporto, à música, ao convívio, aos tempos livres. Mas não só. O Congresso sublinhou que essa força social que é a juventude não se pode confinar a passar o melhor possível o seu tempo numa atitude contemplativa ante as grandes batalhas que se travam em Portugal e no mundo.» (Intervenção de Álvaro Cunhal no 1.º Congresso da JCP, 25 de Março de 1980).

Também hoje esta é uma tarefa justa, que acarreta responsabilidades e exigências, confirmando-se a velha tese de que os grandes perigos coexistem com grandes potencialidades.

E fica especialmente claro que, para concretizar as potencialidades e derrotar os perigos, a organização é a arma dos explorados: hoje, como sempre, tomamos Partido! São também estes jovens e muitos outros que a cada dia tomam Partido, que construirão o caminho deste projecto colectivo de Democracia e Socialismo.