Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 370 - Jan/Fev 2021

Levar à prática o XXI Congresso - Comemorar o Centenário do Partido!

por Revista «O Militante»

Este é o ano em que o PCP comemora o Centenário da sua fundação em 6 de Março de 1921.

Foi uma longa e difícil caminhada, marcada por uma tenaz e heróica resistência ao fascismo; por exemplos de ilimitada dedicação aos trabalhadores e ao povo português; pela condução de grandes jornadas de luta da classe operária e das massas trabalhadoras da cidade e do campo; por uma consequente política de unidade democrática e antifascista; pela elaboração de uma linha política e de um Programa cujo acerto a Revolução de Abril confirmou; pela luta incansável, tanto em períodos de afluxo e avanço revolucionário como em tempos duros de dificuldades e refluxo, em defesa dos interesses da classe operária, do povo e do país.

Comemoramos 100 anos de um partido cuja história se confunde com a história do povo português. Da única força política que conseguiu resistir à violência da repressão fascista, organizar-se na clandestinidade e tornar-se indestrutível, conquistar o honroso título de vanguarda da classe operária e de todos os trabalhadores e afirmar-se como força dirigente da luta antifascista e indiscutível baluarte da conquista da Liberdade e da Revolução de Abril.

Comemoramos um rico património de luta que é inseparável da origem operária e da natureza de classe do PCP, da sua base teórica, o marxismo-leninismo, que explica o mundo e indica como transformá-lo, do seu projecto de construção em Portugal de uma sociedade sem exploradores nem explorados. O património de uma força política profundamente democrática e enraizada no povo, onde sempre encontrou forças para se recompor de duros golpes da repressão fascista, tornando o trabalho colectivo no alfa e ómega da sua vida interna, na prática de um estilo de trabalho que lhe permitiu atravessar unido grandes viragens e tempestades da vida nacional e internacional. O património de um partido que pensa pela própria cabeça, impermeável a pressões e chantagens, que decide de forma independente e de acordo com os interesses dos trabalhadores e do povo, com os quais tem um compromisso que é a própria razão de ser da sua existência. Um partido que não vira a cara à luta e que, como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa no XXI Congresso, «fustigam-nos no rosto, não nos fustigam pelas costas».

Iniciamos o ano em que comemoramos o Centenário do PCP animados com o êxito do XXI Congresso e armados com análises e orientações que apontam o caminho que é necessário trilhar para organizar e mobilizar os trabalhadores e o povo para a viragem que se impõe na vida política nacional com a concretização de uma alternativa patriótica e de esquerda que rompa com décadas de política de direita e com a submissão de Portugal à União Europeia e ao imperialismo. Um caminho sem dúvida juncado de dificuldades e incertezas, em que é necessário fazer frente a um governo minoritário do PS comprometido com os interesses do grande capital e a obsessão do défice e dar combate às forças mais reaccionárias empenhadas em tirar partido do agravamento da situação económica e social e da deterioração do funcionamento das instituições do Estado para levar ainda mais longe a ofensiva contra o regime democrático e operar uma nova revisão da Constituição. Para o efeito aproveitam-se cinicamente da pandemia para semear o medo, aumentar a exploração, limitar e atacar abertamente direitos e liberdades fundamentais, branquear e fomentar o fascismo, intensificar o anticomunismo e os ataques ao PCP, como aconteceu com a campanha em torno do XXI Congresso chegando ao ponto de defender a sua proibição.

A realização com êxito do XXI Congresso, tal como o havia sido antes a realização do 1.º da Festa do Avante!, constituiu um êxito assinalável do colectivo partidário e uma importantíssima contribuição dos comunistas para a defesa dos direitos democráticos consagrados na Constituição. Os direitos defendem-se exercendo-os. E além de afirmação do sentido de responsabilidade e da capacidade de organização do PCP, a demonstração de que não existe nenhuma dificuldade intransponível para garantir a segurança sanitária e o exercício de direitos e liberdades.

E foi sobretudo a demonstração de que o PCP é realmente um partido diferente, profundamente democrático, ligado aos trabalhadores, que vive para servir e não para servir-se. Não fechámos para o Congresso, que foi realizado no quadro de numerosas lutas e de uma intensa actividade política, incluindo na Assembleia da República, conseguindo a inclusão, num Orçamento de Estado que é da autoria e da responsabilidade do Governo do PS, de importantes medidas positivas. E apesar das limitações criadas pela situação de pandemia, milhares de camaradas participaram na discussão do Projecto de Resolução Política em centenas de reuniões, numa participação sem comparação possível com qualquer outro partido. Os nossos críticos e adversários que dos violentos ataques ao Partido pela realização do Congresso passaram à sua desvalorização, nunca conseguirão compreender que a razão da forte unidade e confiança manifestadas, nomeadamente na votação por unanimidade da Resolução Política, é precisamente o resultado do funcionamento profundamente democrático do PCP. As decisões tomadas e o ambiente de fraternal camaradagem e alegria que se viveu entre os delegados e o grande número de camaradas que com inexcedível zelo militante asseguraram os serviços de apoio ao Congresso, mostra que temos um Partido preparado para levar à prática a orientação e realizar as tarefas apontadas pelo órgão supremo do Partido.

Tarefas exigentes, que requerem um Partido ainda mais forte, mais numeroso, mais estreitamente ligado às massas. O reforço do PCP tem de continuar a ser preocupação central e permanente do colectivo partidário.

Tarefas em que no imediato se destaca o apoio à candidatura do camarada João Ferreira, combatendo o brutal bloqueio da comunicação social. Uma campanha que não é a de um homem só mas a de todo o colectivo partidário, empenhado em ultrapassar os obstáculos impostos pela pandemia ao nosso tradicional estilo de campanha mas que nem por isso pode deixar de ser uma campanha política de massas, orientada para o contacto e o diálogo directo com as pessoas e para a recolha de apoios a uma candidatura que, pelos objectivos que proclama, é susceptível de adesões que vão muito para além da CDU.

Ao mesmo tempo vamos trabalhar para levar à prática o amplo plano de iniciativas programadas para comemorar o Centenário do Partido. Comemorações que já estão em marcha com importantes iniciativas, como a Exposição e o Livro do Centenário, ou a importante Campanha de Fundos, mas que neste ano em que se completam os cem anos desde que um punhado de sindicalistas lançou as bases deste partido indispensável, adquirem uma superior expressão com destaque para o grande comício em 6 de Março no Campo Pequeno, em Lisboa.

Tarefas não nos faltam mas não nos faltam também a determinação e a confiança alicerçadas na própria natureza de classe do nosso Partido e na força do seu projecto revolucionário. Como salientou o Comité Central, na sua reunião de 12 de Dezembro, este será mais um ano de luta porventura ainda mais exigente que no ano que findou. Mas com o importante impulso para a intervenção do Partido que o XXI Congresso significou, temos motivos renovados para acreditar que o PCP estará à altura do seu inabalável compromisso com a classe operária, os trabalhadores e o povo português assim como as suas responsabilidades para com o movimento comunista e revolucionário internacional.

Bom Ano camaradas!