Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 282 - Mai/Jun 2006

Para resistir e avançar a chave está no reforço do Partido

por Revista «O Militante»

A evolução da situação nacional está a confirmar inteiramente as análises do PCP nomeadamente no que respeita à luta por uma alternativa de esquerda que, pondo fim ao condomínio PS/PSD sobre o poder político e rompendo com três décadas de políticas de direita, reconduza o país ao trilho dos valores e ideais libertadores do 25 de Abril.

A natureza de classe e a coincidência prática em todas as questões estruturantes das políticas do PS e do PSD acentuou-se ainda mais com a conquista da maioria absoluta pelo PS nas eleições de 20 de Fevereiro de 2005 e a formação do governo de José Sócrates, que está a conduzir uma ofensiva contra os direitos e condições de vida dos trabalhadores só comparável, na sua dimensão, com o escândalo das benesses que distribui pelos grandes grupos económicos e negócios parasitários. Claro que a «oposição» de direita bate palmas. O PS está a fazer aquilo que o PSD e CDS/PP, por falta de base de apoio, não teriam condições para fazer, o que, articulado com a conquista do órgão de soberania Presidente da República pela direita, não augura tempos fáceis para os portugueses.

Como afirma a Resolução Política do XVII Congresso, o processo de conquista de uma política alternativa e de uma alternativa de esquerda será um processo «necessariamente complexo e eventualmente prolongado» e «é essencial e determinante nesta fase da vida nacional que o PCP alargue a sua influência junto dos trabalhadores e das massas populares, afirme o seu projecto, os seus valores ímpares e distintivos dos de outras forças políticas, desmistifique e vença preconceitos, reforce a sua intervenção e organização, estabeleça com mais vigor laços com os trabalhadores, os agricultores, os intelectuais e quadros técnicos, com todos os que são atingidos pela política de direita e que perfilham ideais democráticos, de progresso e justiça social, e que é imperioso mobilizar activamente para a luta pela construção da alternativa de esquerda».

A construção de um PCP mais forte, mais unido, mais ligado à classe operária e às massas, mais dinâmico e interventivo, sendo tarefa de todos os dias é, nas actuais circunstâncias, tarefa prioritária, sendo particularmente urgente concretizar as orientações e medidas decididas na reunião do Comité Central de 11/12 de Novembro e a sua expressão no plano das Organizações Regionais. A resposta às discriminações anticomunistas e aos ataques no plano político, ideológico e mesmo legislativo dirigidos contra o PCP, exige uma resposta firme, decidida e confiante. O ambiente de grande simpatia e respeito que constatámos nas campanhas eleitorais, continua a verificar-se nas múltiplas iniciativas desenvolvidas pelo Partido. As celebrações do 85.º aniversário do PCP, que contaram com muitas centenas de iniciativas por todo o país, constituíram uma grande afirmação da vitalidade do Partido e do amplo apoio aos seus ideais e ao seu projecto de transformação revolucionária da sociedade. O recrutamento de mais de 2800 novos membros do Partido, dos quais mais de mil são jovens com menos de 30 anos, confirma as grandes possibilidades de reforçar o PCP nas empresas e locais de trabalho e também no plano local, nomeadamente com a formação de organismos de base lá onde eles não existam.

As possibilidades são realmente grandes e temos de aprofundar a discussão sobre a melhor forma de as concretizar, vencendo subestimações e combatendo inércias e rotinas e, por vezes mesmo, falta de confiança nas massas e na sua capacidade para revelar, com o acompanhamento e ajuda do Partido, os quadros que a luta pela transformação revolucionária da sociedade em Portugal exige. Claro que isso não sucederá espontaneamente nem do modo massivo que, como sempre sucede em períodos revolucionários, aconteceu na revolução de Abril 32 anos atrás. Mas a experiência prova que as contradições de classe, a luta das massas e a divulgação do projecto dos comunistas podem trazer todos os dias às fileiras do Partido novos militantes dedicados e renovadas energias.



Concentrando forças no plano nacional, o PCP está consciente dos seus deveres de solidariedade internacionalista, está consciente de que o processo da revolução portuguesa se insere no processo universal de emancipação nacional e social dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo. Daí a importância atribuída e o empenho posto no desenvolvimento das relações internacionais do Partido, tanto no plano bilateral como no plano multilateral, e ao fortalecimento da cooperação dos partidos comunistas assim como de todas as forças progressistas e anti-imperialistas. A entrevista com a responsável da Secção Internacional do PCP que O Militante publica nesta edição é bem esclarecedora quanto a esse empenho e ainda quanto a traços e tendências da evolução mundial que temos necessariamente de levar em conta na nossa luta.

Desde logo a correlação de forças desfavorável que hoje vivemos e a violenta ofensiva exploradora, opressora e agressiva do grande capital e do imperialismo. Ela cria grandes dificuldades ao desenvolvimento da luta e encerra perigos de regressão civilizacional que não devem ser subestimados. Tal ofensiva não é porém um sinal de vitalidade e de força do imperialismo, exprimindo pelo contrário – sobretudo na sua componente militarista agressiva, nos ataques  crescentes às liberdades democráticas e no relançamento do anticomunismo – visível desconcerto quanto à realidade da resistência dos povos e indisfarçável inquietação perante os sinais de recuperação entre as massas dos valores e ideais do socialismo.

Caracterizando globalmente a situação actual como de resistência e de acumulação de forças, o PCP não preconiza uma orientação defensista ou «possibilista» e muito menos de adaptação oportunista às circunstâncias. A defesa dos interesses populares, a luta por objectivos concretos imediatos e a construção paciente da forte organização de que os trabalhadores necessitam, insere-se de modo permanente na luta por uma alternativa de esquerda e pelo projecto de um Portugal socialista e comunista. Para o PCP, como toda a sua história indica, resistir é avançar, é já construir os alicerces da vitória. E talvez que nunca como nos dias de hoje, numa situação caracterizada pela instabilidade e a incerteza nas relações internacionais e pela agudização de velhas e novas contradições, resistência e avanço libertador se tenham entrelaçado tão estreitamente.



A vida está a comprovar uma tese fundamental do XVII Congresso segundo a qual grandes perigos para a liberdade, a paz e a soberania dos povos (e para a própria existência da humanidade) coexistem com uma forte resistência e grandes potencialidades de desenvolvimento progressista e revolucionário. É o que vemos de Cuba ao Iraque, da Venezuela à Palestina, da Bolívia ao Sahará Ocidental, da França do «Não» à chamada «constituição europeia» e das grandes lutas contra a precariedade laboral à Índia das poderosas manifestações contra o imperialismo norte-americano.

Um partido revolucionário como o PCP tem de estar preparado para enfrentar quaisquer situações sempre com grande determinação e convicção. E se os tempos que aí estão não são fáceis, os que aí vêm adivinham-se ainda mais difíceis, mas simultaneamente cheios de possibilidades para alargar a influência dos ideais e do Programa dos comunistas. Se ganharmos todo o grande colectivo partidário para a ideia de que o mais importante, decisivo e urgente é cuidar do Partido e das suas raízes na classe operária e nas massas populares, estaremos à altura da situação, por mais adversa que possa apresentar-se.