Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 284 - Set/Out 2006

Um PCP mais forte: grande tarefa de 2006

por Revista «O Militante»

O Partido Comunista Português é um partido decisivo para o presente e futuro de Portugal.
Sem um PCP mais forte não é possível combater com sucesso a política de direita, defender os direitos e as aspirações populares e abrir caminho a um Portugal com futuro, a uma sociedade e um mundo mais justos.
O reforço do PCP não é uma questão que diga apenas respeito aos comunistas, o reforço do PCP é do interesse dos trabalhadores, da juventude, do povo português, de Portugal.

O XVII Congresso do PCP realizado em 26, 27 e 28 de Novembro de 2004 colocou como questão central a dinamização e a concentração da atenção do colectivo partidário no lançamento e concretização de uma nova fase do movimento geral de reforço da organização partidária.

Em 11 e 12 de Novembro de 2005 o Comité Central, concretizando as orientações do XVII Congresso, aprovou a resolução «Sim, é possível! Um PCP mais forte», que apontou 2006, ano do 85.º aniversário do PCP e do 75.º aniversário do «Avante!», como ano do reforço do Partido, de afirmação da sua alternativa para Portugal, do seu programa de democracia avançada, do projecto de uma sociedade nova, livre da exploração: o socialismo e o comunismo, sob o lema «PCP mais forte, Portugal mais justo».

Nesse sentido, visando concretizar um profundo avanço na agregação, funcionamento colectivo, estruturação e capacidade de intervenção de modo a que o Partido esteja mais coeso e mais preparado para responder às grandes exigências que se lhe colocam, o Comité Central decidiu a adopção de um conjunto integrado de orientações e medidas cujos elementos principais são:

– Afirmar a ligação indissociável entre a organização e a intervenção, alargando a compreensão de que a organização é um instrumento fundamental para a acção, o que exige a ligação do reforço orgânico à iniciativa política, à dinamização de organizações e movimentos e à acção de massas;

– Avançar com a acção geral de levantamento e responsabilização de quadros, particularmente operários, jovens e mulheres, responsabilizando pelo menos mais 500 jovens e promovendo mais cursos de formação;

– Reforçar a organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, articulando o fortalecimento orgânico com a dinamização da intervenção e da iniciativa política do Partido e o seu contributo para o reforço do movimento sindical unitário e da luta;

– Assegurar uma melhor integração dos membros do Partido, uma mais profunda articulação do colectivo partidário e o aumento da militância aproveitando as disponibilidades e capacidades de cada militante e encorajando a sua iniciativa;

– Promover a estruturação da organização partidária pela dinamização das organizações de base e pelo reforço da estrutura intermédia, com o aumento do número de comissões concelhias, de freguesia e de organismos sectoriais e de empresas;

– Prosseguir e intensificar o trabalho para trazer ao Partido novos militantes, particularmente operários, jovens e mulheres;

– Intensificar o trabalho de informação e propaganda, assegurando uma maior iniciativa e utilização criativa de meios e a promoção da difusão e leitura do «Avante!» e de O Militante;

– Alargar a base financeira, aumentando o número de camaradas a pagar quota e actualizando o seu valor, concretizando a contribuição dos eleitos em cargos públicos e de nomeação política, promovendo iniciativas;

– Realizar o maior número possível de assembleias das organizações, assegurando a realização de assembleias de todas as organizações de base até final de 2006;

– Adoptar medidas de direcção, em particular as relativas à reestruturação das áreas e estruturas de apoio à direcção central, definidas nas orientações do Congresso.



Apesar de todas as limitações e problemas, a realidade mostra que, num quadro político complexo, marcado por grandes dificuldades, é possível resistir e avançar – é possível um PCP mais forte.

Esse é o caminho que está a ser percorrido com um grande dinamismo da organização e intervenção partidária. O primeiro semestre deste ano foi marcado por uma acção determinada e confiante de reforço do PCP.

No final do ano faremos o balanço desta importante acção de reforço do Partido, mas desde já é possível considerar que o esforço de milhares de membros do Partido e da maioria das organizações imprimiu uma grande dinâmica às acções de reforço do Partido. É certo que em diversas organizações e em diversas linhas de reforço da organização partidária há atrasos que é preciso superar, mas o balanço deste primeiro semestre mostra um grande dinamismo e importantes passos dados.

A responsabilização de quadros avançou significativamente. Centenas de quadros assumiram novas responsabilidades, muitos dos quais pela primeira vez. É já muito elevado o número de jovens que foram responsabilizados. Centenas de quadros participaram em cursos de formação política e ideológica numa dimensão ainda insuficiente mas que se traduz num avanço grande em relação à situação dos últimos anos.

Quanto à acção nas empresas e locais de trabalho há esforços, há avanços na responsabilização de quadros, na constituição de organismos e em algumas organizações e sectores um efectivo reforço da organização e intervenção. É preciso, no entanto, assinalar que esta é uma das linhas definidas de reforço do Partido em que se enfrentam mais dificuldades de progressão considerando o encerramento de empresas, a diminuição do número de trabalhadores em muitas outras e a situação de precariedade muito generalizada que se verifica. Obstáculos bem grandes mas de maneira nenhuma intransponíveis numa linha de trabalho que é essencial para o reforço global do Partido.  

O objectivo da campanha de recrutamento de 2500 novos militantes até final de Março foi largamente superado, com mais de 3000 novos militantes, num movimento de adesão ao Partido que continua.

Realizaram-se mais de 230 assembleias das organizações, um número que apenas num semestre representa mais que as assembleias realizadas em qualquer ano até agora.

Tudo isto foi feito com o Partido a cumprir o seu papel associando como é sempre necessário associar o reforço da organização, ao reforço da iniciativa e intervenção política e à dinamização da luta de massas. Nestes meses marcados por uma ofensiva de grande amplitude contra os interesses dos trabalhadores e do povo e contra o regime democrático promovida pelos grupos económicos e financeiros e pelo Governo PS, com a convergência do PSD e do CDS-PP, o PCP estimulou o desenvolvimento da luta de resistência a esta ofensiva, travou o combate para a fazer recuar e derrotar e afirmou um caminho alternativo para o país.  

Assim tem sido, assim é necessário que continue a ser. Promovendo a iniciativa e intervenção política e a acção de massas, designadamente criando condições para uma acção convergente mais forte e de maior impacto, é indispensável após o período do verão retomar com novo dinamismo a acção geral de reforço do Partido de modo a que se atinjam os objectivos: um Partido Comunista Português mais forte, mais influente e mais preparado para cumprir o seu papel insubstituível para com os trabalhadores, o povo e o país.