Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 292 - Jan/Fev 2008

Reforçar o Partido - Preparar o XVIII Congresso

por Revista «O Militante»

A importância e o papel do PCP na sociedade portuguesa e no movimento comunista e revolucionário colocam, face às exigências actuais e futuras, a necessidade de uma organização sólida e dinâmica e de uma forte intervenção.



As questões da organização e do reforço do Partido são uma tarefa de sempre, de todas as épocas, de todos os dias, embora com tónicas e prioridades ajustadas a cada situação.

Na situação do início da década foi decidido lançar o movimento geral de reforço da organização partidária sob o lema «Sim, é possível! Um PCP mais forte», com direcções de trabalho diversificadas e uma concepção integrada da sua aplicação. O XVII Congresso consagrou esta orientação e deu-lhe novas perspectivas que permitiram importantes resultados. Em 2005, a par das batalhas eleitorais, foi feita uma forte afirmação do Partido. Em 2006, ano do 85.º aniversário, definido pelo Comité Central como ano de reforço do Partido, alcançaram-se objectivos de grande relevo no reforço da organização e intervenção partidárias que há várias décadas não eram atingidos. Em 2007, prosseguindo esta linha de orientação, o Comité Central aprovou, em Janeiro, a Resolução «Consolidar, crescer, avançar» com os objectivos para o ano que, num primeiro balanço já efectuado, tiveram uma aplicação com êxito.

Avançou-se na responsabilização de quadros, na participação de camaradas em cursos de formação política e ideológica (rompendo com atrasos e substimações), no número de militantes organizados a partir das empresas e locais de trabalho, na estrutura e quadros destacados nesta direcção, na realização de assembleias das organizações e no recrutamento de novos militantes.

Embora em outras direcções de trabalho os passos tenham sido mais tímidos ou se manifestem dificuldades, os avanços verificados são positivos e concretizados no quadro de uma intensa actividade política em que o Partido cumpriu o seu papel.

Coloca-se agora em 2008, ano de uma intensa confrontação política e social e de realização do XVIII Congresso a necessidade de assegurar a intervenção política, o desenvolvimento da luta de massas e o prosseguimento do reforço do Partido.

Nesse sentido o Comité Central na sua reunião de Dezembro último decidiu apontar ao colectivo partidário a concretização de uma nova etapa do movimento geral de reforço da organização partidária “Sim, é possível! Um PCP mais forte” que se integra como um dos elementos fundamentais da preparação do XVIII Congresso.

São referenciadas dez direcções de trabalho para o reforço do Partido: a responsabilização de quadros e a formação política e ideológica; o reforço da organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho; a definição actualizada das organizações de base e a dinamização do seu funcionamento; a realização de assembleias das organizações; o aumento da capacidade financeira do Partido designadamente com o crescimento da verba das quotizações; o alargamento da difusão do Avante; a intensificação do trabalho de informação e propaganda; o recrutamento de novos militantes; a integração dos membros do Partido em organismos, o reforço da militância e o esclarecimento da situação dos inscritos; o aprofundamento da ligação às massas.

São direcções de trabalho que se articulam para um PCP mais forte.

As medidas apontadas visam o reforço da capacidade de direcção e uma política de quadros que assegure o levantamento, responsabilização, acompanhamento e formação de quadros, essencial para vencer estrangulamentos, dar resposta à situação e tomar a iniciativa. Uma particular atenção deve ser dada à responsabilização de quadros jovens, operários e outros trabalhadores e mulheres. O desenvolvimento da formação política e ideológica essencial sobre aspectos fundamentais e sobre a análise da realidade em que intervimos, tendo em conta a experiência de 2007, deve ter expressão em cursos centrais, mas também em cursos nas organizações regionais e concelhias, numa planificação anual.

As medidas apontadas visam aprofundar a estruturação e o enraizamento do Partido com o reforço da organização nas empresas e locais de trabalho e das organizações de base em geral.

Impõe-se na continuidade do trabalho já desenvolvido elevar o número de camaradas organizados a partir das empresas e locais de trabalho, com a criação e reforço de sectores profissionais e de empresas, de células e outros organismos, na base de uma estruturação adequada das organizações regionais e concelhias, de transferências e ligações, de recrutamento de novos militantes, de esclarecimento de situações e actualização de dados. Esta exigência coloca a necessidade de destacamento de funcionários do Partido e outros quadros e a atenção relativa às medidas referentes às empresas prioritárias.

Quanto às organizações de base de uma forma geral é necessário estimular a sua intervenção e iniciativa e passar do avanço que constitui a sua definição nominal para uma precisão que garanta o seu funcionamento efectivo (agregação para conseguir o número de membros do Partido e o numero suficiente de militantes activos que a par da existência de um quadro ou quadros que dinamizem o trabalho permita o seu funcionamento). 

As medidas apontadas visam dotar o Partido de uma base financeira própria mais larga que garanta a sua intervenção o que exige mais iniciativa na recolha de fundos e medidas relativas ao pagamento regular das quotizações e de aumento do seu valor.

As medidas apontadas visam o reforço do funcionamento interno a todos os níveis em que se inclui o reforço da participação dos membros do Partido, da militância, o recrutamento de novos militantes e a sua inserção nas estruturas partidárias. No entanto todo este essencial reforço tem que estar sempre associado ao reforço da ligação às massas, do alargamento da influência, da capacidade de mobilização do Partido e da afirmação das suas propostas e projecto.

Merecem assim uma particular atenção e reflexão algumas linhas essenciais no quadro de um estilo de trabalho que leve as organizações a terem cada vez mais no centro da sua atenção e iniciativa os problemas e aspirações dos trabalhadores e da população das áreas em que actuam.

Linhas de trabalho que envolvem uma vasta conjugação de frentes e meios de intervenção a ser potencializada, que no que diz respeito ao trabalho de informação e propaganda exige a criação e reforço de estruturas, alargamento e renovação de meios e no plano da difusão da imprensa partidária implica particular atenção, no imediato, ao trabalho para garantir o êxito da campanha, em curso até Março próximo, de venda de mais mil exemplares do «Avante!» por semana.

Tais são as exigências que nos estão colocadas, nesta nova etapa de concretização do movimento geral de reforço da organização partidária, ao longo de 2008, aplicando as conclusões do XVII Congresso, articulando o reforço orgânico do Partido, à iniciativa política, à dinamização da acção e dos movimentos de massas, ao mesmo tempo que preparamos o XVIII Congresso, ligados à vida e à luta, com um grande envolvimento do colectivo partidário, para lançar com ainda mais força e projecção as propostas, o ideal  e o projecto do Partido Comunista Português.