Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 304 - Jan/Fev 2010

Bom anos camaradas!

por Revista «O Militante»

Depois de tempo de luta novo tempo de luta vem. É este o destino dos revolucionários. Terminado um ano que foi particularmente exigente para os comunistas, com grandes combates no plano social e político e envolvendo três duras disputas eleitorais  - um terreno que como bem sabemos não é o mais favorável ao PCP -  eis-nos entrar os num novo ano que vai exigir muitíssimo da militância, da iniciativa e da criatividade dos membros do Partido. Ao formular os votos de um Feliz Ano Novo aos seus leitores e a todo o colectivo partidário, a Redacção de «O Militante» exprime a sua convicção de que 2010 será um ano de forte resistência ao grande capital e à política governamental que o serve, de novas lutas dos trabalhadores e das populações  pelos seus direitos e reivindicações mais sentidas, de amadurecimento das condições que conduzirão finalmente à ruptura com décadas de políticas de direita e pela alternativa patriótica e de esquerda indispensável à superação da grave crise que se abateu sobre o país. Um ano em que os comunistas, empenhando-se na concretização das orientações do XVIII Congresso e das decisões da reunião do Comité Central de 21 e 22 de Novembro, alargarão as fileiras do seu Partido e ligá-lo-ão ainda mais estreitamento à classe operária e às massas populares.



.



Entramos o novo ano num quadro político em que o Governo do PS, tornado minoritário e fragilizado pelos reveses sofridos em sucessivas eleições, prossegue a mesma política de direita, recorrendo à vitimização e à chantagem política e procurando acordos e convergências com os partidos da direita nas questões estruturantes - nomeadamente economia, integração europeia, defesa nacional, política externa, questões de regime - para atingir os seus objectivos, que são os do grande capital. Entretanto a nova situação abre possibilidades de impor ao poder recuos e alcançar vitórias significativas, ainda que parciais e limitadas. Isso exige porém que prossiga e se fortaleça o movimento popular de massas, desde logo pela luta nas empresas e locais de trabalho, lá onde o confronto de classe é mais agudo e o ataque aos direitos dos trabalhadores, a começar pelo direito ao emprego e ao salário «justo», é mais brutal. Isto sem subestimar, antes valorizando, a luta das restantes classes e camadas atingidas pelo rolo compressor do capital monopolista e sua insaciável corrida ao máximo lucro, nomeadamente os agricultores, os micro, pequenos e médios empresários, a juventude, as mulheres, os reformados. O que implica da parte dos comunistas um esforço persistente para fortalecer a unidade dos trabalhadores, cuidar do movimento sindical unitário e do seu mais fundo enraizamento nos locais de trabalho e, simultaneamente, prestar ainda mais atenção aos movimentos unitários e fomentar as mais diferentes expressões organizadas do movimento popular. Mantendo sempre a perspectiva da sua convergência em acções mais amplas de dimensão regional e nacional, é no local de trabalho e no local de residência que é necessário pôr o acento.



Na acção política nada pode substituir o contacto directo no local de trabalho, na área de residência, no âmbito de sindicatos, associações, movimentos em que os comunistas participam. E a força e capacidade de intervenção do Partido reside precisamente nas suas raízes nas massas e na solidez das suas organizações de base. Daí a importância que a resolução «Avante!, por um PCP mais forte» aprovada na última reunião do CC dá e os objectivos que coloca à organização do Partido nas empresas e locais de trabalho e a realização de Assembleias de Organização em todas as organizações de base durante o primeiro semestre. De particular importância se reveste a realização no primeiro trimestre de «uma grande campanha de contactos e esclarecimento dos trabalhadores e das populações, enquadrada na luta contra o desemprego e a precariedade, pela defesa do trabalho com direitos e o aumento de salários».



.



É preciso estudar os documentos da reunião do Comité Central (documentos que esta edição de «O Militante» publica) e ver, de acordo com a situação concreta de cada organização, o modo de levar à prática a orientação traçada e atingir os objectivos colocados. No plano das tarefas de organização e da intervenção política envolvendo todo um conjunto de iniciativas já calendarizadas pelo CC, como sejam o aniversário do Partido, a realização do Congresso da JCP, o 25 de Abril, a Festa do «Avante! » e acontecimentos tão significativos como os 120 anos do 1º de Maio, o centenário da proclamação do Dia internacional da Mulher; ou o 40.° aniversário da CGTP-IN. Trata-se de oportunidades que devemos saber aproveitar para um melhor conhecimento da história do movimento operário e da luta de emancipação em geral, mas, sobretudo, voltados para as tarefas do presente, para afirmar direitos e conquistas, apontar caminhos de luta, intervir com convicção na batalha das ideias. E em que deve estar sempre presente uma preocupação de formação, de elevação do nível político e ideológico dos quadros do Partido, factor de capital importância para consolidar convicções revolucionárias e ampliar a militância e o espírito de iniciativa no trabalho quotidiano em defesa dos interesses da classe operária e as massas, pelo progresso social e o socialismo.



É com o objectivo de contribuir sempre mais para a elevação da preparação teórica dos membros do Partido que «O Militante» vai publicar ao longo do ano uma série de seis cadernos sobre temas de marxismo-leninismo da autoria do camarada José Barata-Moura, que, sob a designação de Cadernos «O Militante», se integra numa campanha de promoção de «O Militante», particularmente de angariação de novos assinantes, como noutro local se explica.



Trata-se de uma iniciativa que, esperamos, encontrará bom acolhimento partidário. Ampliar a difusão da imprensa do Partido, em primeiro lugar do seu órgão central, o «Avante!», mas também de «O Militante», é uma das importantes tarefas apontadas na resolução do CC. Devemos estar bem conscientes de que, no quadro do férreo controlo da comunicação social pelos grandes grupos económicos e pelo Governo que os serve, não há alternativa ao «Avante!» e «O Militante» para difundir «a verdade a que temos direito» e para conseguir que a voz do Partido rompa a cacofonia dominante, preconceituosa e discriminatória em relação ao PCP e tudo quanto ponha em causa o dono da sua voz.



Entremos pois o Novo Ano ainda com mais determinação em, como propõe o CC, «dinamizar a discussão, definir objectivos para o alargamento da difusão do "Avante!" e de "O Militante" e estimular a sua leitura e estudo». Bom ano, camaradas!



.



A partir deste número de Janeiro o preço de «O Militante» passa para 1,70 €, havendo uma alteração correspondente no preço das assinaturas. Trata-se de um ajustamento indispensável para fazer face ao aumento dos custos de edição. Contamos com a compreensão dos nossos leitores; o seu apoio activo é indispensável para que «O Militante» vença constrangimentos de ordem financeira e esteja cada vez mais à altura das suas responsabilidades.