Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 302 - Set/Out 2009

Uma grande batalha

por Revista «O Militante»

Este número de O Militante chega às mãos dos seus leitores em tempos de  uma batalha política da maior importância. A superação da grave crise em que o país está mergulhado só será possível com medidas de fundo que invertam o rumo de trinta e três anos de recuperação capitalista que teve o seu ponto mais alto na legislatura que agora finda. O resultado das eleições legislativas de 27 de Setembro e das eleições autárquicas de 11 de Outubro terá necessariamente profundas implicações no ulterior desenvolvimento da vida nacional. Há  sólidos motivos de confiança num bom resultado da CDU, com o reforço das suas votações e o aumento dos seus eleitos. Mas a concretização desta perspectiva exige que se vá ainda mais longe na boa dinâmica que tem caracterizado a acção do PCP e da CDU, com a introdução de um forte suplemento de militância e criatividade no trabalho de esclarecimento e propaganda – directa, de proximidade, no terreno – junto dos trabalhadores e das populações. Só desse modo poderemos romper a barreira de descriminação a que nos habituou a comunicação social.



O PS pode e deve ser ainda mais penalizado do que já foi nas eleições para o Parlamento Europeu. Entretanto é necessário derrotar as despudoradas tentativas de fazer esquecer ou relativizar as malfeitorias do seu governo, de atirar para cima da crise do capitalismo responsabilidades que são suas como resultado da sua política ao serviço do grande capital, de se apresentar pela «esquerda»  como se fosse defensor zeloso do «estado social» e convicto adversário do neoliberalismo. É necessário mostrar que o PS não só não cumpriu as suas promessas como utilizou a maioria absoluta  para lançar contra os trabalhadores e os seus direitos e contra o próprio regime democrático uma ofensiva que os partidos da direita, por falta de base social de apoio, jamais estariam em condições de desencadear. É necessário lembrar que, se durante os últimos quatro anos tiveram lugar das mais massivas e combativas  lutas do pós 25 de Abril, é porque a ofensiva conjugada do Governo e do patronato se desenvolveu em praticamente todas as frentes, de modo arrogante e acelerado, atingindo todas as classes e camadas antimonopolistas, atacando direitos e liberdades fundamentais constitucionalmente consagradas e pondo em causa a própria soberania nacional. Não há promessas capazes de iludir esta realidade.



Claro que o principal na campanha do PCP e da CDU, no contacto directo com os eleitores nos locais de trabalho e de residência, é a apresentação das nossas próprias propostas e soluções, seja a nível local e regional, seja a nível do país, para o que o Programa Eleitoral do PCP, Programa de Ruptura, Patriótico e de Esquerda, é uma ferramenta fundamental. Deve estar bem claro na nossa mensagem que o PCP é um partido de luta e de poder, com conhecimento e quadros experimentados, preparado para ser governo quando o povo português quiser. O Programa Eleitoral do PCP assim como os compromissos eleitorais apresentados por todo o país  para as eleições legislativas e autárquicas, são bandeira de luta e garantia de acção institucional a que os eleitos do PCP e da CDU serão fiéis, ao contrário de outras forças políticas que jogam no disfarce dos seus reais objectivos e na demagogia e não hesitarão em rasgar no dia seguinte as suas promessas mais solenes. E temos de fazê-lo tanto mais quanto a classe dominante e os seus média procuram apresentar o PCP e a CDU como simples força de «protesto», fora da «corrida» para o governo, em quem votar não faz sentido.



O pendor sobranceiro e antidemocrático desta concepção é evidente, como evidente é o seu carácter anti-histórico. Não só o peso político de uma força e o seu real papel na sociedade não se reduz aos seus resultados eleitorais, como a relação de forças eleitoral é tudo menos estática e pode alterar-se rapidamente no processo da luta de classes. E isso acontecerá em Portugal. O PCP e a CDU podem crescer e é necessário que cresçam para que a política de direita seja derrotada e finalmente alcançada a necessária viragem de esquerda na vida política nacional. Viragem que coloque de novo Portugal no trilho dos valores e ideais de Abril, dando cumprimento ao que prescreve a Constituição da República em vigor e que é imperativo defender de ataques cada vez mais atrevidos e inquietantes, como os do PSD/Madeira e do seu inqualificável presidente.



Mas é justamente porque o crescimento do PCP e da CDU estão inscritos nas tendências de fundo  da situação social e política, é precisamente porque o PCP e a CDU representam o que é novo e está destinado a avançar, é precisamente porque o PCP e a CDU são a mais consequente força de oposição, combatendo incansavelmente  a exploração dos trabalhadores e o esbulho dos agricultores e dos pequenos e médios comerciantes e industriais pelo grande capital, que as classes dominantes procuram reduzir os comunistas e seus aliados a mera força de «protesto» e, do monopólio na comunicação social, discriminam, silenciam, desvirtuam e perseguem a sua acção.



Há, porém, algo de mais sofisticado e de mais perigoso no plano eleitoral que é necessário desmascarar, sem subestimar a interesseira promoção de quantos, como é o escandaloso caso do BE, se pense que podem travar o reforço eleitoral do PCP e da CDU e impedir o voto descontente com a política de direita do PS de  fugir da área social-democrata. Trata-se da operação profundamente manipulatória e mistificadora que procura instalar no imaginário do eleitorado (e transformar em opção de voto) a ideia de que o que está em jogo é a alternativa PS/PSD em que o primeiro representaria a «esquerda» e o segundo a «direita», montando para o efeito cenários que disfarcem a  mesma natureza de classe das suas políticas. Discurso político, guerras verbais,  «barómetros» e «sondagens» sem credibilidade, tudo serve para abrir caminho ao dramático apelo, que já ouvimos bem alto em Lisboa de «voto útil» no PS, com base na carrivelha falácia de que para derrotar a «direita» (centrada no PSD) seria necessário votar no PS (apressadamente travestido de «esquerda»).



Dar combate a tão grosseira mistificação é uma tarefa particularmente importante. E tanto mais quanto a situação de crise que se vive no país, com o enquadramento internacional existente, gera descontentamento e aponta o caminho da luta, mas cria também vulnerabilidades, medos, ilusões que as classes dominantes e as forças políticas que as servem são hábeis em explorar. É por isso necessário mostrar que PS e PSD se têm revesado e aliado ao longo de mais de trinta anos para realizar as mesmas políticas de classe e que os grandes grupos e económicos deles se servem em «alternância». Que se verifica entre o PS e o PSD coincidência de posições e colaboração de facto em todas as questões centrais, da política de trabalho à política externa de seguidismo em relação ao imperialismo. Que um e outro são farinha do mesmo saco e que o que se impõe é a ruptura com as políticas de direita que arrastaram o país para a grave situação em que hoje se encontra. Que a alternativa democrática e de esquerda passa por votar na CDU e dar mais força ao PCP.Estamos concentrados na grande batalha das eleições para a Assembleia da República e para as Autarquias Locais, na popularização das propostas e compromissos do PCP e da CDU, na fiscalização do acto eleitoral, na recolha dos apoios financeiros indispensáveis, na mobilização de todos os apoiantes e activistas para uma grande campanha política de massas, campanha em que a tarefa central é convencer mais portugueses de que a força que melhor representa os seus interesses e aspirações é a CDU, e atrair o seu voto. Reforço eleitoral, mais votos e portanto mais eleitos. Mas também mais força organizada. Estamos perante uma oportunidade de excepção para alargar as fileiras do Partido. É indispensável desde já recrutar e organizar todos aqueles e aquelas que a batalha eleitoral está a trazer para o nosso lado e que, ainda que com pouca experiência política, estão a dar provas de sentido de justiça e solidariedade, combatividade e identificação com os valores e objectivos do PCP. Podemos e devemos chegar ao fim da batalha não só reforçados no plano eleitoral, mas com um Partido organicamente mais forte.