Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

História, Edição Nº 304 - Jan/Fev 2010

No Centenário da Revolução de 1910

por Revista «O Militante»



Aquilo que já se conhece das celebrações oficiais do Centenário da República, assim como do posicionamento de certas instituições, não deixa lugar a dúvidas: as comemorações vão servir de pretexto e suporte para projectar dos dirigentes republicanos e da República uma imagem idealizada sem correspondência com a realidade concreta da intensa luta de classes que marcou os dezasseis anos da sua existência. Ou mesmo para procurar reescrever os últimos cem anos da nossa história apagando o papel da classe operária e das massas populares e a contribuição decisiva do PCP para os avanços libertadores do povo português, banalizando o fascismo, diminuindo o alcance da Revolução de Abril, promovendo forças e personalidades burguesas, a começar pela Maçonaria e área do Partido Socialista.

Ou seja, temos de estar preparados para a intensa luta ideológica que nos vai ser imposta a pretexto da efeméride, intervindo na medida das nossas possibilidades para, a partir da posição de classe do Partido, valorizar tudo quanto se situe na corrente do progresso e combater falsificações e instrumentalizações ao serviço das classes dominantes e das forças que as servem.

A Revolução de 1910, embora circunscrita à esfera política e limitada pela sua natureza de classe democrático-burguesa, constitui um marco histórico que devemos valorizar. Não por acaso o 5 de Outubro  – tal como o 31 de Janeiro que o antecedeu – foi bandeira democrática empunhada na resistência ao fascismo. E são os comunistas os herdeiros do que de realmente progressista e avançado para a época teve a revolução de 1910.

Ao longo do ano O Militante publicará artigos e documentos vários relativos ao Centenário da República, a começar com os que em seguida se inserem neste número a propósito da Revolta do 31 de Janeiro e da sua evocação no tempo do fascismo.