Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Partido, Edição Nº 367 - Jul/Ago 2020

O Militante – 45 anos de publicação legal. Uma nova etapa – uma mesma história

por Maria da Piedade Morgadinho

Foi depois da nossa Revolução do 25 de Abril que, em Junho de 1975, apareceu nas bancas dos Centros de Trabalho do PCP, por todo o país, o primeiro número legal de O Militante. Foi o início da actual série IV e do Ano 43 da publicação do Boletim de Organização do Partido Comunista Português.

Saudado com vivo entusiasmo pelos membros do Partido, desde logo O Militante revelou continuar a ser um instrumento essencial do seu trabalho, da sua luta.

Com emoção percorremos hoje, passados 45 anos, as páginas dos seus primeiros números legais. Se no n.º 1 sentimos o forte impacto da sua capa vermelha com a reprodução da gravura de José Dias Coelho «Uma tipografia clandestina», já na capa do seu 2.º número, tendo como fundo a imagem de um grandioso comício de massas do PCP, salta aos olhos a legenda: «Mais de 100 mil!». Mais de 100 mil, o número de membros que o Partido contava já nessa altura nas suas fileiras e que o levou a sublinhar no artigo de abertura desse número: «Ao chegar ao fim de 1974 com razão se pode já afirmar que o Partido Comunista Português se transformou num verdadeiro partido de massas».

Foi essa nova realidade que impeliu o Partido a deixar bem clara a razão de retomar a publicação do seu Boletim de Organização. No artigo de abertura do primeiro número legal podemos ler: «... agora que o nosso Partido se transformou num grande Partido de massas, com dezenas e dezenas de milhar de novos membros, é imprescindível uma publicação que, servindo a formação dos militantes e o seu trabalho político e ideológico e de organização, tenha uma influência no alargamento do Partido, pela sua melhor estruturação, na sua mais íntima ligação com as massas. Isto é, no reforço orgânico e no reforço de toda a sua actividade.»

Quando nos aproximamos a passos largos do Centenário do nosso Partido, que se assinala a 6 de Março do próximo ano, e que já estamos a comemorar ao folhearmos as páginas de O Militante ao longo dos anos, é como se estivéssemos a folhear páginas da História do Partido. É como se estivéssemos a percorrer dezenas de anos do seu crescimento, do seu desenvolvimento, a viver momentos decisivos e exaltantes da sua luta, a assimilar um vastíssimo e riquíssimo património político, ideológico e cultural sem igual.

Ao longo dos seus 87 anos de publicação O Militante atravessou várias etapas, passou por diversas fases.

Após a Conferência de Abril de 1929, que marca a primeira reorganização do Partido (a seguir ao golpe fascista de 28 de Maio de 1926), encabeçada por Bento Gonçalves, aí eleito Secretário-geral do PCP, surgiu, em 1933, o «Boletim do Secretariado», que mais tarde adoptaria o título de O Militante. Interrompeu a sua publicação após o assalto pela polícia política da tipografia clandestina, depois da prisão de Bento Gonçalves e da sua deportação para o Tarrafal em 1936 juntamente com numerosos destacados membros do Partido. O Partido atravessou então sérias dificuldades que determinaram a histórica reorganização de 1940-41. Após a sua conclusão, com êxito, começa a sair regularmente O Militante com o sub-título «Boletim de Organização do Partido Comunista Português».

Os primeiros números publicados em 1941 expressam a preocupação do Partido com a concretização das decisões e das orientações aprovadas com a reorganização, quer as relativas à sua vida interna e funcionamento, quer as relativas à sua actividade política no plano nacional e internacional. É assim que O Militante, sob o título genérico «Construindo o Partido», publicou vários artigos, nos quais, ao fazer a análise às suas debilidades e dificuldades, aponta o caminho para as ultrapassar: «Organizemos a luta pelas reivindicações imediatas», «As tarefas partidárias»», «Reforcemos o Partido»...

No seu número de Dezembro de 1941, sobre «As tarefas partidárias», o Partido sublinha: «Para alargar e consolidar a nossa influência partidária, é preciso um trabalho diário persistente, concreto e um contacto estreito com as massas, interessando-nos por tudo o que as agita, orientando-as e organizando-as». No mesmo número, no artigo sobre o reforço do Partido, destaca-se a importância da preparação dos seus quadros ao sublinhar: «Educar teoricamente um membro do Partido significa lança-lo devidamente armado da teoria leninista de que ela é a expressão porque a teoria dá aos partidos a força de orientação, a clareza da perspectiva, a segurança no trabalho, a fé numa vitória da nossa causa».

E porque ao longo da sua história o PCP tem formado sucessivas gerações de militantes comunistas no espírito dos princípios do internacionalismo proletário, em Julho de 1941 O Militante denuncia a criminosa agressão dos exércitos nazis hitlerianos contra a URSS e apela à união de todas as forças amantes do progresso humano.

A publicação de O Militante é interrompida por um período de pouco mais de um ano a seguir ao 25 de Abril de 1974. A intensa e importante actividade política do Partido, o impetuoso crescimento das suas fileiras, as exigências do desenvolvimento do processo revolucionário não lhe permitem a publicação, o que só vem a acontecer em Junho de 1975, depois de 42 anos de publicação clandestina.

É em 2003, quando está a assinalar o 70.º aniversário da sua história, que O Militante inicia uma nova etapa.

Mantendo o mesmo título e o mesmo símbolo (a foice e o martelo), e no alto da sua capa o apelo lançado por Marx e Engels, em 1848, no Manifesto do Partido Comunista – «Proletários de todos os países: UNI-VOS!», O Militante, continuando a ser fiel à sua matriz política e ideológica, passa a ter o sub-título «PCP – Reflexão e Prática», a publicação bimestral e maior número de páginas.

No momento da sua apresentação sublinha-se que o novo sub-título «não é lançado ao acaso, nem muito menos com qualquer pretensão elitista ou de pendor académico. Pelo contrário.» O Militante «procura chamar a atenção dos militantes do Partido e dos seus leitores em geral, filiados ou não partidariamente, para a leitura de uma percepção comunista do mundo.»

«Reflexão e Prática», é nestas duas dimensões do seu sub-título que os artigos de O Militante se enquadram, abordando, a par de questões da vida interna do Partido, dos problemas da sua organização e funcionamento, da sua luta, da vida e luta dos trabalhadores e das massas populares, questões fundamentais do marxismo-leninismo – as questões cruciais da sociedade portuguesa actual e da sua história, as questões do mundo contemporâneo, a luta das forças revolucionárias mundiais, a luta dos povos do mundo inteiro pela sua sua emancipação, pelo progresso social, pelo socialismo e o comunismo.

Por tudo isto, no contexto da sociedade portuguesa e das exigências colocadas à nossa luta, O Militante é de leitura obrigatória. É um instrumento imprescindível na preparação, na formação e na actividade política não só dos seus quadros, mas de todos os membros do Partido.