Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 317 - Mar/Abr 2012

Lisboa - A luta, o movimento sindical e o Partido

por Luis Caixeiro

A fase final de 2011 foi um tempo exigente para o colectivo partidário no distrito de Lisboa. No espaço de 19 dias três acontecimentos exigiam grande atenção do Partido. A 5 de Novembro, a VII Assembleia da Organização Regional, a 11 e 12 de Novembro o X Congresso da União dos Sindicatos de Lisboa e a 24 do mesmo mês a Greve Geral. Estávamos então perante a oportunidade prática de experienciar um desafio central ao trabalho do Partido – organizar a nossa intervenção para simultaneamente responder às exigências da multiplicação e intensificação da luta de massas, ao reforço das organizações unitárias e ao reforço do Partido.

A VII Assembleia da Organização Regional de Lisboa apontou como principais objectivos reforçar o Partido e a sua ligação às massas e intensificar a luta. Entre outras medidas aponta como caminho «persistir no trabalho de aproximação entre os membros do Partido nas empresas e os camaradas dirigentes sindicais mantendo-os ligados à actividade da célula de empresa, de forma a unificar progressivamente o trabalho de direcção, potenciando assim a força do Partido, o reforço da organização unitária, partidária e da luta».

Uma semana depois a União dos Sindicatos de Lisboa realiza o seu X Congresso e aponta como eixo central da sua intervenção para os próximos quatro anos a acção sindical integrada, ou seja, o trabalho permanente e interligado de desenvolvimento da acção sindical e da luta de massas, a par do cuidar e reforçar da estrutura sindical nas empresas e locais de trabalho.

É neste quadro que é convocada pelo Conselho Nacional da CGTP-IN a Greve Geral, que se insere num prolongado processo de luta dos trabalhadores e do povo contra a exploração e o empobrecimento, por um Portugal desenvolvido e soberano, pelo emprego, salários e direitos, pela defesa dos serviços públicos. Em suma, uma greve pela rejeição e derrota do pacto de agressão que o PSD e o CDS, com o apoio do PS e do Presidente da República, todos ao serviço do capital, querem impor ao país. Uma greve que procurou também dar resposta a um conjunto de reivindicações especificas e concretas dos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho. Uma greve que, no distrito de Lisboa, fica definitivamente marcada por ser componente maior de um processo de luta ao longo do ano 2011, no qual valeu por si mesma mobilizando centenas de milhares de trabalhadores, mas também porque se sustentou e ao mesmo tempo estimulou, entre os meses de Outubro e Dezembro, mais de 70 acções de luta dos trabalhadores e das populações do distrito, envolvendo largos milhares de trabalhadores e populares, jovens, reformados, pequenos empresários, estudantes, mulheres e outras vastas camadas e sectores da população atingidos pela politica capitalista.

Uma Greve Geral com mais de 300 piquetes de greve no distrito (alguns deles com mais de duas centenas de trabalhadores, como no Metro de Lisboa e nos CTT de Cabo Ruivo) nos quais participaram largas centenas de comunistas e que acrescentou expressão à luta desenvolvida nos últimos três meses do ano, nomeadamente: na Administração Pública, com um grande plenário que juntou mais de 10 mil trabalhadores e com a grande manifestação de 12 de Novembro; no sector dos transportes, onde se realizou um plenário que juntou mais de 5 mil trabalhadores e greves que paralisaram o Metro de Lisboa, o sector ferroviário e tiveram forte impacto na Carris, e a prolongada e dura luta dos trabalhadores da TNC (Transportadora Nacional de Camionagem); no sector da hotelaria registaram-se lutas no Bingo da Académica da Amadora, no Inatel Oeiras, na Portugália e nas cantinas; no sector cerâmico houve greves nas fábricas Cavan, Abrigada e Raucher; na área da cultura concretizaram-se acções de contacto com os trabalhadores dos Teatros Nacionais e da Companhia Nacional de Bailado; realizaram-se plenários com expressão pública no sector bancário, metalúrgico, químico e da energia e acções de solidariedade com dirigentes sindicais da Carris e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Neste período, os militares organizaram um encontro e uma manifestação nacional. Os estudantes estiveram em luta no ensino superior e secundário e as comissões de utentes em defesa da saúde, dos transportes e do serviço postal em dezenas de iniciativas de protesto e esclarecimento. Há ainda que registar a acção própria do Partido com inúmeras acções de esclarecimento, agitação e propaganda, com destaque para a acção de protesto contra o Orçamento de Estado 2012, acção levada a cabo no dia 18 de Outubro do Chiado para rua Augusta e em que desfilaram largas centenas de bandeiras comunistas e participou o Secretário-Geral do Partido.

Todo este rico período permitiu elevar a consciência de classe e política das massas trabalhadoras e seus aliados para a necessidade e a possibilidade de derrotar o pacto de agressão, defender os interesses do povo, dos trabalhadores e a soberania nacional. Podemos afirmar que, de um modo geral, acertámos na orientação e que, apesar dos erros e insuficiências próprios dos processos de aprendizagem, estamos a levá-la por diante. Porém, é talvez ainda necessário olhar e reflectir melhor sobre este tempo, esmiuçar experiências e adoptar as necessárias medidas de direcção. Entretanto, no plano do trabalho da ORL definiram-se 74 empresas e locais de trabalho prioritários para os quais é imperioso olhar com cuidados acrescidos, sem dispersões e definindo a cada momento o passo correcto a dar, sem abrandar no controlo de execução. Responsabilizaram-se novos e jovens quadros por tarefas directas em empresas e sectores profissionais, a quem é necessário estimular e armar com a experiência do colectivo. Finalmente, procura-se agora encontrar formas de estruturação do trabalho de direcção que sirvam melhor os nossos objectivos. É certo que não sabemos se acertaremos sempre e em tudo. Comunistas que somos estamos prontos a aprender com cada erro e determinados a persistir até à vitória.