Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Rubrica: Efeméride

Edição Nº 404 - Set/Out 2026

Campo de Concentração do Tarrafal - Um crime do fascismo

por Revista «O Militante»

Há 90 anos o movimento comunista e o movimento operário estavam perante a crescente ameaça do nazi-fascismo e da guerra. A expansão do fascismo era acompanhada da intensificação da violência contra quem se lhe opunha. As cadeias e os crimes fascistas multiplicavam-se. Os Campos de Concentração desenvolviam-se como cogumelos por toda a Europa.

O fascismo português regia-se pela mesma cartilha. A 29 de Outubro de 1936 era inaugurado o Campo de Concentração do Tarrafal (Cabo Verde), que passou à história como Campo da Morte Lenta. A sua inauguração fez-se com a primeira leva de 152 presos antifascistas, transferidos de cadeias do Continente e Angra do Heroísmo (Açores), alguns deles presos há já vários anos. Dela faziam parte dirigentes da Jornada de 18 de Janeiro, quadros da Organização Revolucionária da Armada (ORA), participantes na Revolta dos Marinheiro de Setembro de 1936, destacados dirigentes do Partido e da Federação das Juventudes Comunistas à época, incluindo Bento Gonçalves, Secretário-geral do Partido, que ali seria enterrado seis anos depois de lá ter entrado e quando já tinha terminado a pena a que fora condenado.

A criação do Campo logo foi considerada pelo Partido como uma cadeia destinada à liquidação dos mais destacados resistentes, concluindo premonitoriamente que o Campo se destinava a ser a sepultura de muitos antifascistas. Infelizmente as previsões do Partido confirmaram-se no trágico balanço de mortes e vidas abreviadas pela saúde arruinada em consequência das terríveis condições prisionais a que os presos eram sujeitos.

Partindo da análise da natureza do fascismo em que a violência organizada e sistemática tinha sido erigida a princípio basilar do regime, o Partido classificou a criação do Campo do Tarrafal como um crime.

Quando em 1935 foi decidida a sua criação, o regime fê-lo na previsão de que a resistência ao fascismo se iria desenvolver.

O Campo do Tarrafal reflectiu-se de forma profunda na organização e actividade do Partido, na sua história e na vida dos seus militante e dirigentes.

Os membros do Partido eram o maior contingente dos 152 presos «eleitos» para inaugurar o campo.

O Campo do Tarrafal contribuiu para o avolumar da longa lista da martiriologia do PCP – dos 32 assassinados no Tarrafal, 22 (68%) eram membros do Partido.

O Militante durante anos publicou numerosos artigos sobre o Tarrafal. Nesta sua edição publica o nome dos 22 camaradas que lá morreram e lá foram enterrados e cujos restos mortais, com os outros 10 assassinados, foram trasladados para Portugal depois do 25 de Abril, conquistada a liberdade e a independência de Cabo Verde, repousando desde então no Mausoléu construído para o efeito num talhão do Partido, no cemitério do Alto de S. João.

Passaram 90 anos e no entanto os perigos e a natureza do fascismo são uma realidade cada vez mais ameaçadora.

Os nomes dos mártires (do Tarrafal, como muitos outros, incluindo combatentes pela independência das antigas colónias portuguesas) devem ser conhecidos e divulgados. É preciso não esquecer que o fascismo existiu com todos os seus crimes. E não esquecer que todos morreram pela liberdade, pelo socialismo e o comunismo, objectivo supremo do Partido Comunista Português de ontem e de hoje.

A melhor homenagem que lhes podemos prestar é redobrarmos a nossa luta, reforçarmos o Partido.

Albino de Carvalho - 1941
Albino de Carvalho - 1941
Alfredo Caldeira - 1938
Alfredo Caldeira - 1938
António Guedes Oliveira Silva - 1941
António Guedes Oliveira Silva - 1941
António Guerra - 1948
António Guerra - 1948
António Jesus Branco - 1942
António Jesus Branco - 1942
Augusto Costa - 1937
Augusto Costa - 1937
Bento Gonçalves - 1942
Bento Gonçalves - 1942
Cândido Alves Barja - 1937
Cândido Alves Barja - 1937
Casimiro Júlio Ferreira - 1941
Casimiro Júlio Ferreira - 1941
Damásio Martins Pereira - 1942
Damásio Martins Pereira - 1942
Ernesto José Ribeiro - 1941
Ernesto José Ribeiro - 1941
Fernando Alcobia - 1939
Fernando Alcobia - 1939
Francisco José Pereira - 1937
Francisco José Pereira - 1937
Francisco Nascimento Esteves - 1938
Francisco Nascimento Esteves - 1938
Francisco Nascimento Gomes - 1943
Francisco Nascimento Gomes - 1943
Henrique Vale Fernandes - 1942
Henrique Vale Fernandes - 1942
Jacinto Faria Vilaça - 1941
Jacinto Faria Vilaça - 1941
Jaime Fonseca e Sousa - 1940
Jaime Fonseca e Sousa - 1940
João Lopes Dinis - 1941
João Lopes Dinis - 1941
Joaquim Marreiros - 1948
Joaquim Marreiros - 1948
Paulo José Dias - 1943
Paulo José Dias - 1943
Rafael Tobias - 1937
Rafael Tobias - 1937
   

Edição Nº 338 - Set/Out 2015

O VII Congresso da Internacional Comunista - Significado e ensinamentos

por Domingos Abrantes

Há 80 anos, entre 25 de Julho e 20 de Agosto de 1935, na cidade de Moscovo, teve lugar o VII – e último – Congresso da Internacional Comunista (IC), que apesar do imenso tempo decorrido permanece como um dos maiores acontecimentos do movimento comunista e operário e exemplo da capacidade de definir orientações tácticas e estratégicas, na base da crítica e autocrítica, do trabalho colectivo e discussões democráticas alicerçadas no marxismo-leninismo, para responder a novas realidades e ultrapassar teses que se tinham tornado um sério entrave ao desenvolvimento do movimento comunista e conduzido ao enfraquecimento da sua ligação às massas.

Edição Nº 332 - Set/Out 2014

O significado histórico da fundação da AIT (1864-1876)

por Domingos Abrantes

No dia 28 de Setembro de 1864, num comício internacional realizado em St. Martin's Hall, na cidade de Londres, dezasseis anos depois do lançamento do Manifesto Comunista e do seu apelo a que os proletários de todos os países do mundo se unissem e, igualmente, dezasseis anos depois do esmagamento da insurreição operária de Paris na revolução de 1848 – o primeiro grande confronto entre a burguesia e o proletariado que, pela primeira vez, tentava o «assalto ao céu» – era tomada a decisão de fundar uma organização internacional do proletariado – a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) –, com a função de promover a solidariedade internacional e de unir os diferentes destacamentos do proletariado num «exército» único.

Edição Nº 331 - Jul/Ago 2014

Os trabalhadores e o povo português na I Guerra Mundial

por Joana Dias Pereira

A participação de Portugal na guerra é indissociável da conjuntura política vivida em Portugal na segunda década do século XX. A jovem República desejava afirmar o novo regime além-fronteiras e defender as colónias africanas em perigo perante os avanços alemães. Foi neste continente que os portugueses se envolveram nos primeiros conflitos militares, em 1914. As expedições africanas visavam consolidar a ocupação e colonização de Angola e Moçambique, para o qual era indispensável o apoio da velha aliada – a Inglaterra. No decorrer do conflito, apesar de Portugal ter começado por assumir uma posição de neutralidade colaborante, o seu crescente apoio aos aliados torna inevitável o seu envolvimento no palco de guerra europeu.

Edição Nº 331 - Jul/Ago 2014

Nos 100 anos da I Guerra Mundial

por Jorge Cadima

No dia 28 de Julho deste ano cumpre-se um século do início da I Guerra Mundial, uma guerra que ficou conhecida apenas pela designação de Grande Guerra – até que 25 anos mais tarde o capitalismo europeu desencadeou um segundo grande conflito bélico, de ainda maiores proporções. A Grande Guerra foi o reflexo das rivalidades inter-imperialistas entre as maiores potências do seu tempo. Travou-se sobretudo no teatro europeu e alterou profundamente o mapa político, levando à derrocada de quatro grandes impérios que haviam marcado o mundo durante décadas, ou mesmo séculos: o Império Austro-Húngaro, o Império Czarista na Rússia, o Império Alemão, criado após a reunificação da Alemanha em 1871, e o Império Otomano. Mas se a I Guerra Mundial marcou o fim dum velho mundo, haveria também de ser o catalizador dum acontecimento que marcou para sempre a História da Humanidade: a grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia, que assinalou a entrada em cena dos povos como actores de primeiro plano da História e o primeiro grande passo para a libertação da Humanidade das sociedades baseadas na exploração de classe.

Edição Nº 320 - Set/Out 2012

Jornada de coragem na luta pela liberdade e pela democracia

por Rui Fernandes

A Revolta dos Marinheiros, em 8 de Setembro de 1936, ocorre num período de consolidação do fascismo. Um período marcado por inúmeras lutas, envolvendo sectores diversos e com expressão e amplitude várias. Nesse contexto, Salazar, exaltando a vocação marítima do povo português, inaugura um processo de revigoramento da Marinha com a aquisição de novos navios, e, procurando reforçar a sua influência num ramo que lhe era claramente hostil, faz acompanhar tal processo de uma acção de charme junto dos oficiais da Marinha. A realidade, porém, é que, apesar de navios novos, as condições a que os praças eram sujeitos geravam mal-estar e consequentes acções de protesto.

Edição Nº 315 - Nov/Dez 2011

Alves Redol - A escrita contra a sujeição

por Domingos Lobo

Este texto pretende-se evocativo de um dos autores mais fecundos, éticos e corajosos da ficção portuguesa do século XX; um dos obreiros do movimento estético e literário que teve na sua génese o contar das vivências, das lutas e das dores dos humilhados e ofendidos, dos «homens que acrescentavam ainda mais realidade ao real», no dizer de Óscar Lopes. No ano em que se cumprem 100 anos sobre a data do seu nascimento, a obra de Redol merecia uma mais extensa, demorada e profunda análise: ficam, no entanto, neste texto breve, alguns sinais para que os leitores regressem a um autor e a uma escrita que, tantos anos volvidos, ainda nos convoca, seduz e indigna.

Edição Nº 291 - Nov/Dez 2007

Óscar Lopes: exemplo para os dias por vir

por José António Gomes

No passado dia 2 de Outubro celebrou-se o 90.º aniversário de Óscar Lopes, figura ímpar das nossas letras e ensaísta de reconhecido prestígio. Indissociável da valiosíssima obra realizada, a trajectória da sua vida impõe-se-nos como um exemplo de verticalidade e inteireza moral e ideológica. Recordemo-la, pois, de forma necessariamente sumária, até porque ela se distingue, desde logo, pelo modo como soube alicerçar um excepcional percurso de investigação e docência numa visão mais ampla do mundo, determinada pela condição de marxista e de militante comunista de longa data.

Edição Nº 288 - Mai/Jun 2007

A Batalha foi brutalmente encerrada há 80 anos

por Américo Nunes


O número um de A Batalha, o mais importante jornal operário e sindical da Primeira República, apesar da sua natureza anarquista, viu a luz do dia em 23 de Fevereiro de 1919. E o último saiu no dia 26 de Maio de 1927, exactamente um ano após o golpe militar e da implantação da Ditadura, que caminhava aceleradamente para a fascização do regime político em Portugal.

Edição Nº 287 - Mar/Abr 2007

24 de Março - Os estudantes comunistas e o movimento estudantil

por Ruben de Carvalho

Em artigo publicado n’O Militante nº. 257 («A Crise Académica de 1962 – Notas sobre o contexto histórico»), sublinha-se o que são os aspectos fundamentais que caracterizam esse importante momento da luta estudantil contra o fascismo, nomeadamente o conjunto de factores internos e externos que desempenharam papel essencial na amplitude e características do movimento.
No final do texto, escreve-se que «o papel do PCP, ‘o Partido’, e dos estudantes comunistas na «crise académica de 1962 e no movimento associativo em geral (…) foi simplesmente determinante e insubstituível».

Edição Nº 285 - Nov/Dez 2006

José Dias Coelho - A morte saiu à rua...

por Margarida Tengarrinha

Não é fácil deduzir a profundidade do pensamento e da personalidade de alguém pela mera enumeração cronológica dos seus dados biográficos, apresentados a seco.
Na vida de José Dias Coelho há uma data decisiva, o ano de 1955, que tem um real significado para entender a sua opção de vida: é em 1955 que entra na clandestinidade como funcionário do Partido Comunista Português, sabendo que a tarefa que lhe está designada é montar uma oficina de falsificação de documentos, bilhetes de identidade, licenças de bicicleta, cartas de condução, passaportes, etc., para defesa dos militantes clandestinos no trabalho de organização e nas relações internacionais do Partido.